O sol começava a castigar os toldos coloridos da feira de Seongju, onde o cheiro de peixe, flores, kimchi e suor humano competia por espaço. No centro da confusão, entre barracas com preços gritados e idosos brigando por desconto de gengibre, a velha caminhonete preta de Lee Byung-hun parava com um rangido irritante. Como tudo nele.
— Sai da frente, inferno... — ele resmungou, manobrando com brutalidade cirúrgica entre caixas de legumes. A buzina falhava no tom, quase parecendo um arroto cansado.
— Você que devia sair da vila, ó o climão que traz, Byung-hun! — gritou o dono da barraca de tofu, rindo.
— Vai tomar no... — Byung-hun respondeu sem nem tirar o cigarro da boca, jogando uma caixa pesada de sementes no chão.
Byung-hun não sorria. Nunca. Era um homem grande, de voz grave e olhos cansados. Vendia desde ferramentas até saquinhos de arroz orgânico. Comprava de um, vendia pra outro. Sempre no volante, sempre sozinho.
E sempre com a cara fechada como quem tinha brigado com Deus e ganhado.
Do outro lado da feira, um pequeno paraíso florido em tons pastéis florescia timidamente: a barraca de Lee Jung-jae. O jovem jardineiro de mãos delicadas e sorriso fácil estava ajoelhado, ajeitando violetas no canto da tenda. Vestia um avental com peixinhos estampados, presente da vovó do mercado de frutos do mar.
— Ah... hello...! You... want flower? — ele oferecia, tímido, a um turista confuso.
— Ele tá tentando falar inglês de novo! — gritou uma vendedora atrás.
— Cala boca, unnie! — Jung-jae escondeu o rosto corado atrás de um buquê de lírios.
Ele era o oposto de Byung-hun. Gentil, educado, virgem (e não apenas de corpo), e inocente até demais pra sobreviver na selva que era aquela feira.
---
Capítulo 2 — "Trânsito, Pimenta e Primeira Tensão"
Naquele dia, por azar do destino ou piada dos deuses, Byung-hun deu ré direto num baldinho de sardinhas.
— SPLASH!
— MEU PEIXE!!! — gritou Jung-jae, correndo desesperado.
Byung-hun desceu da caminhonete. Olhou o chão molhado. Olhou Jung-jae. E... suspirou alto.
— É sério isso...? — perguntou, como se o mundo o punisse mais uma vez.
— E-eu... você... minha sardinha... morreu! — Jung-jae balançava os braços, vermelho de raiva, mas ainda fofo como um cachorro bravo.
Byung-hun o encarou, olhos de lobo.
— Tava no caminho. A culpa é sua.
— M-mas...
Foi aí que todos ao redor começaram a rir e gritar:
— Ihhh, vai começar o romance de novela!
— Byung-hun tá brigando com florzinha agora!
— Vai beijar, hein?
Byung-hun rosnou. Jung-jae ficou roxo de vergonha.
— Olha só, florzinha, se vai ficar chorando por peixe, aprende a guardar direito.
— Eu tenho nome... — murmurou Jung-jae, ofendido.
— Não me importa. Agora sai da frente.
Ele empurrou de leve o ombro do rapaz e seguiu. Mas não sem dar uma olhada a mais. Porque, por alguma razão estranha, aquele rostinho emburrado e olhos de cervo ferido cutucaram algo que ele não sentia há muito tempo.
Vontade de cuidar.
Ou foder.
Ou os dois.
---
Capítulo 3 — “A Caminhonete da Perdição”
Dias depois, Jung-jae, envergonhado mas curioso, acabou indo entregar um buquê na caminhonete de Byung-hun. Era um pedido de um cliente da vila que ia viajar.
— Cuidado pra não morrer esmagado, florzinha — provocou Byung-hun, acendendo o cigarro enquanto mexia nas caixas.
— E-eu só vim entregar. P-parece que você... precisa de ajuda, não é? — Jung-jae disse, orgulhoso de conseguir completar a frase.
— Preciso de silêncio. Mas isso você não tem.
Jung-jae bufou. Mas ficou. E Byung-hun... deixou. Mesmo sem admitir, ele gostava do silêncio entre os dois, das reações do garoto quando ele soltava alguma grosseria. Dos olhos arregalados. Das bochechas coradas. Do jeito como ele dizia “thank you” com o sotaque errado.
Ali começava a tensão.
YOU ARE READING
Feira do Amor (e do Inferno)
FanfictionResumo da Fanfic - "Flor de Caçamba" (Lee Byung-hun x Lee Jung-jae) Lee Byung-hun é um vendedor rude, mal-humorado e traumatizado, que roda de cidade em cidade com sua caminhonete vendendo e comprando recursos. Amargurado por uma traição da ex-mulhe...
