O céu daquela manhã parecia ter sido desenhado com calma — límpido, sereno, intocável. Na Academia Metropolitana de Polícia, a agitação era típica de um primeiro dia: recrutas ajustavam os uniformes, veteranos trocavam olhares avaliativos, instrutores observavam com frieza calculada.
Então, um silêncio estranho se espalhou, como se o próprio ar se detivesse em expectativa.
Os portões principais se abriram lentamente, e por eles passou uma figura que fez o mundo parecer desacelerar.
Takemichi Hanagaki.
Cabelos dourados caíam com leveza emoldurando seu rosto angelical, e seus olhos — de um azul tão profundo quanto o céu acima — pareciam cintilar à luz do sol. Caminhava com uma calma quase irreal, como se a gravidade não tivesse total efeito sobre ele.
Nenhum som o acompanhava, mas todos o notavam.
— Quem é esse? — murmurou Rindou, os olhos semicerrados.
— Deve ser ele... o “Anjo Negro”. — respondeu Mitsuya, sem disfarçar o tom intrigado.
— Esse título não faz sentido. — resmungou Hanma. — Parece nome de mito urbano.
— Um mito que caminha. — disse Sanzu com um sorriso enviesado.
Takemichi cruzou o pátio sem vacilar. Não parecia incomodado com os olhares, nem orgulhoso. Era apenas… sereno. Intocável.
Mikey, sentado sob a sombra de uma árvore, não desviou os olhos um segundo sequer.
Izana, observando de longe, cruzou os braços devagar.
— Algo nele não encaixa.
A comandante da academia subiu ao pequeno palanque. A sua voz era firme, cortante:
— Recrutas, bem-vindos ao início da vossa formação. Aqui, serão testados até ao limite. Aqui, não se formam apenas agentes da lei. Forma-se elite.
Todos se mantiveram atentos. Até os mais distraídos pareciam incapazes de quebrar o silêncio.
— Hoje recebemos também o último recruta da turma. — continuou ela. — Takemichi Hanagaki.
Uma breve pausa.
— Conhecido pelos superiores como o “Anjo Negro”… Filho de Lúcifer.
O impacto foi imediato. O murmúrio espalhou-se como fogo.
— Filho de… quê? — sussurrou Hakkai.
— Isso foi um erro? — Inupi perguntou, desconcertado.
— Não… ela disse isso de propósito. — murmurou Koko, franzindo a testa.
Takemichi continuava imóvel, expressão serena. Não sorriu. Não reagiu. Como se aquele título já não significasse nada.
Mais tarde, nos dormitórios...
— Bonito demais pra isso tudo. — comentou Ran, largado sobre uma das camas.
— E quieto demais. — acrescentou Rindou. — Como se nada aqui o tocasse.
— Não me convence. — disse Taiju, o olhar duro. — Beleza não segura uma arma.
— Mas alguma coisa segura aquele olhar. — murmurou Draken, sem encarar ninguém.
— Parece... de outro mundo. — Mitsuya completou.
Na outra extremidade do dormitório, Takemichi dobrava cuidadosamente as roupas no seu armário. As mãos calmas, o olhar vago. Não parecia ouvir a conversa. Não parecia ouvir nada.
Mas na quietude do seu canto, um leve sopro de expressão cruzou-lhe o rosto.
Não um sorriso. Não uma emoção clara.
Apenas… uma presença.
E Shinichiro, sentado na beira da cama ao lado, observava-o sem dizer palavra.
Porque ele já sabia.
Sabia quem era Takemichi Hanagaki.
E sabia que aquela chegada era apenas o início.
KAMU SEDANG MEMBACA
Anjo da Lei
Fiksi PenggemarNa mais prestigiada academia policial do país, o inesperado acontece quando Takemichi Hanagaki - um recruta de beleza etérea e comportamento impecável - atravessa os portões. Conhecido entre os superiores como o "Anjo Negro, Filho de Lúcifer", ele c...
