O Escolhido dos Deuses

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Ninguém nasce sendo um monstro. Nem mesmo ele.

Antes de se tornar a sombra que cobriu o mundo, ele foi esperança. Uma figura nobre, de olhar sereno e palavras que acalmavam multidões. O povo o chamava de "A Autoridade", mas, nos primeiros dias, ele era apenas um homem. Forte, justo, escolhido pelos próprios deuses para governar a Terra em tempos de caos.

Foi numa noite em que os céus tremiam e as estrelas choravam sangue que os deuses desceram dos altos reinos. Escolheram um entre milhões. Um homem que, segundo eles, teria o coração limpo e a mente firme o bastante para carregar o peso de um mundo em ruínas. Um homem que reuniria reinos partidos, que traria ordem onde havia guerra, e luz onde havia trevas.

E por um tempo... ele realmente trouxe.

Os mares se acalmaram. Os reis dobraram seus joelhos. A paz, por fim, parecia possível.

Mas há um veneno sutil no poder absoluto. Ele se infiltra devagar, como fumaça em templo sagrado. E quando os deuses entregaram a ele as chaves do mundo, também plantaram a semente da queda.

Ele começou a mudar.

Primeiro, vieram os decretos silenciosos. Depois, os desaparecimentos. Os templos foram fechados. Os antigos conselheiros, mortos ou exilados. O homem que antes caminhava entre o povo passou a ser carregado em tronos dourados, cercado por guardas de olhos vazios. Onde havia justiça, restou apenas medo.

Em menos de uma década, a esperança deu lugar ao horror. Aquele que foi escolhido pelos deuses se tornou um tirano maior que qualquer outro na história. Sua palavra era lei. Seu olhar, sentença. Sua presença, maldição.

E ninguém mais ousava chamá-lo pelo nome que teve antes.

Agora, ele era apenas A Autoridade.
E o mundo, inteiro, pertencia a ele.

A AutoridadeWhere stories live. Discover now