- Joe! - A voz alta de Reiki atravessou o restaurante, o que fez uma veia pulsar na testa do chef. Ele já havia pedido mil vezes para serem discretos durante o horário de serviço do restaurante. - Joe! - O garoto chamou de novo do outro lado do balcão que separava a cozinha.
- Eu já disse para vocês que enquanto estiverem aqui... - Kojiro começou, mas o garoto não o estava ouvindo, ele parecia em pânico e começou a puxá-lo pelo pulso. Não havia maneira de um adolescente o mover se ele não quisesse, então ele decidiu colaborar para pelo menos entender a situação.
O garoto o arrastou para fora, onde Miya e Langa estavam sentados na calçada com os celulares na mão. O restaurante de Kojiro tinha uma grade que limitava o sinal de internet, era um truque sutil para encorajar as pessoas a interagir umas com as outras ao invés de encarar uma tela e ainda trazia a vantagem de manter os moleques fora pelo menos metade do tempo.
- Langa! - Reiki berrou enquanto arrastava Kojiro atrás de si. - Mostra pra ele...
- Pra quê todo esse escândalo? - Kojiro suspirou, aceitando o celular oferecido por Langa. Seus olhos passearam pela tela por um segundo antes dele prender a respiração. Era uma transmissão ao vivo das notícias. No fundo havia um texto "Incêndio em edifício de luxo no centro".
As pupilas de Kojiro se encolheram quando ele reconheceu o maldito prédio pomposo onde Kaoru vivia. Ele agora se irritava por não ter sido chamado mais cedo.
- Reiki, me empresta seu skate. - Kojiro exigiu imediatamente, mal esperando uma resposta antes pegar o objeto de onde estava recostado na parede. - Avisem o pessoal da cozinha que eu saí. - Ele pediu por cima do ombro já começando a deslizar.
- Espera! Nós vamos com você! - Reiki tentou chamar, soando ainda mais agitado.
- Vocês ficam! - Joe ordenou sucintamente enquanto mentalmente agradecia aos deuses pelo trajeto adiante ser principalmente uma descida.
Kaoru vivia a apenas 15 minutos de skate. Seriam menos de 10 minutos de carro, mas não com aquele trânsito, então o skate acabou se mostrando a decisão certa. Kojiro rolou por entre carros e transeuntes e se moveu o mais rápido que era fisicamente capaz, mas ainda sentia que era muito lento enquanto o pânico crescia ao redor de seus ossos.
Ao alcançar a rua de Kaoru, o caos estava instaurado. Dois caminhões de bombeiros despejavam água incessantemente nos andares por onde as chamas se esticavam para lamber a fachada exterior, haviam dezenas de pessoas observando e se movendo ao redor da área, viaturas e ambulâncias faziam tudo brilhar em vermelho e azul.
Kojiro contou os andares e seu coração parecia ter parado de bater enquanto ele contava de novo e de novo na esperança de descobrir que havia contado errado e que aquele não era o apartamento de Kaoru sendo consumido pelo fogo.
- Senhor. O senhor não pode ficar aqui. - Um policial uniformizado se interpôs diante dele. - Fique atrás daquela linha por favor. - O policial apontou, mas Kojiro não olhou.
- Eu conheço alguém no prédio. - Ele falou. - Onde ele está? - Ele ainda está lá dentro?
- Uh. Senhor. - O guarda colocou uma mão para o alto quando Kojiro tentou ultrapassar aquele ponto. - Senhor, eu não sei, o senhor precisa...
- Kaoru! - Kojiro compreendia que era inútil gritar naquele pandemônio. Ele devia ter trazido um celular para ligar para Kaoru ou ter pedido para os meninos ligarem. Qualquer coisa, mas agora ele estava hiperventilando enquanto olhava ao redor desesperadamente e era incapaz de fazer qualquer coisa útil. - Kaoru! - Ele chamou novamente e empurrou completamente o guarda para fora do caminho enquanto se movia para entrada do prédio. - Kaoru!
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A cereja do bolo
FanfictionKaoru se vê sem opções a não ser morar com Kojiro quando seu apartamento é destruído num incêndio. A convivência mais próxima o obriga a confrontar o fato de que eles ficam muito melhor juntos do que separados. Ou: Kojiro tem a desculpa perfeita pa...
