A manhã congelante

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É quase natal, um dos dias mais queridos do ano. Todos os dias estão muito frios, principalmente de noite. Dormir na nossa Casa na Árvore não é fácil com esse friozinho.

Eu acabei de acordar, é de madrugada agora. Vou até o sofá que a gente tem e me sento lá. O barulho do vento lá fora é alto, mas não incomoda por algum motivo. De vez enquanto a madeira das paredes e do chão rangem, sempre me assusto quando acontece.

Começo a pensar sobre a vida. Eu paro pra refletir no que eu estaria fazendo agora se não fosse o apocalipse.. Talvez me mudando de novo de cidade e família, ou até mesmo sendo abandonado provavelmente..... Me irrita saber que o rádio que meus amigos tanto idolatravam era uma mulher malvada que tentou nos enganar!
Se no fim os pais dos meus amigos estiverem mesmo vivos... Eu vou ficar sozinho, de novo..

Uma lágrima cai dos meus olhos, elas deslizam sobre minhas bochechas. E foi aí que uma figura angelical apareceu.

June, minha crush. Até mesmo depois de acordar ela é linda, ela brava, ela machucada, ela triste. De todas as formas, ela me encanta. Eu vejo o olhar dela quando percebe que estou aqui, ela fica irritada.

- Por que você tá acordado?! - Ela diz baixinho mas ainda sim com um tom forte. Parece uma mãe brigando com seu filho quando ele fica a noite todo jogando.

- Sabe, até mesmo os mais incríveis heróis perdem o sono! - Digo orgulhoso.

Ela me olha feio mas ainda sim, senta no sofá do meu lado. Ela puxa a coberta que estou usando e coloca uma parte em cima dela. Eu sinto seu peso sobre meu braço- Ela, realmente fez isso?

- É.... June? -

- Oi. -

- O que você tá fazendo? -

- Só me esquentando, tonto. -

Será que esse é um daqueles momentos românticos em que o cara abraça a garota e os dois ficam todos aconchegadinhos um no outro?? Ela nunca deixaria eu fazer isso! Mas, eu posso tentar. Eu lentamente coloco meu braço ao redor do ombro dela e ela não diz nada, ela fica quieta.

- Então.. June! É... - Eu falo sem ter assunto. Quando tudo fica quieto eu escuto June chorar baixinho. Eu olho pra ela triste. O-o que a gente deve fazer quando alguém chora?

- June? Você.. tá bem? -

- tô.. tô bem - Ela responde baixinho

- Não você não tá bem! Você tá chorando! -

- Eu sei seu idiota!..... Não é nada.. -

Não vou deixar minha melhor amiga chorando, óbvio que não. Eu puxo ela pra mais perto de mim. O corpo dela se vira e ela segura minha camisa enquanto chora em mim. Eu a abraço e começo a fazer carinho em seu cabelo.. ahh o doce cheiro de baunilha, mas não a porcaria americana, baunilha francesa.

- Shh tá tudo bem.. - Eu sussurro. Ela assim chorando me deixa triste, mas é a primeira vez que ela fica tão perto de mim. Isso aquece meu coração.

- Por que você tá chorando Junebug? -

- Não me chama de Junebug! -

A June mesmo chorando consegue ser malvada comigo, mas tudo bem. No momento ela é mais importante agora. Eu escuto ela murmurar baixinho até sair palavras da boca dela.

- Eu.. to assustada... Será que a gente sobrevive? A Evie no final das contas é do mal e ela serve a Ghazt!.... A gente não tem ninguém Jack.... E agora? -

- A gente tem os monstros, e você tem a mim..

Eu percebo o que eu mesmo disse e confesso que surtei um pouquinho.

Sullitoro - O Frio Confortável Stories to obsess over. Discover now