Antes dele, existia silêncio dentro de mim. Um silêncio que nem sempre era paz — às vezes era só ausência. A ausência de um toque que entendesse, de palavras que acolhessem, de alguém que me olhasse com verdade. Eu carregava sorrisos prontos e feridas camufladas. Achava que entendia o amor, mas o que eu conhecia era só o reflexo do que me ensinaram: o amor que pede, que espera, que aguenta. Não o que expande.
Eu já tinha vivido algumas histórias. Algumas marcadas por saudade, outras por decepção, e outras simplesmente passaram, como se nem tivessem me tocado de verdade. Eu sabia ser forte. Me acostumei a carregar o mundo nas costas e ainda dizer “tá tudo bem”. Estava sobrevivendo, até achar que isso era viver.
E então, ele chegou.
Não com promessas, nem flores, nem planos de eternidade. Ele chegou como quem não pede licença, como quem não sabe a bagunça que carrega, mas também não percebe o que desperta. Foi no olhar dele que alguma coisa em mim estremeceu. Como se, por um segundo, alguém finalmente tivesse enxergado o que eu escondia até de mim mesma.
Foi bonito. Foi assustador. Foi tudo ao mesmo tempo.
Ele não veio para me salvar — e talvez por isso tenha mexido tanto comigo. Porque eu não precisava de salvação, só de alguém que ficasse. Que me escolhesse mesmo nos dias em que eu não conseguia sorrir. Alguém que não desistisse quando eu me calava.
Mas a vida, às vezes, não é sobre o que a gente precisa. É sobre o que ela nos dá para nos transformar.
Antes dele, eu era outra. Depois dele, nunca mais fui a mesma.
