A FLORESTA

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CAPÍTULO 1

A mulher não se movia.
E mesmo assim, tudo ao redor dela parecia girar.

A cachoeira descia por trás de seu corpo como se fosse moldada para envolvê-la. Seus cabelos, encharcados, colavam-se às costas, escorrendo como tinta escura.
Eu a conhecia. Sem saber de onde, nem quando. Mas meu corpo sabia. Meu medo sabia.

Antes de conseguir falar, ela desapareceu na neblina que subia da água.
E a floresta voltou a ser só floresta.

Fiquei ali parada por minutos — ou horas.
A névoa tinha o poder de dobrar o tempo.
Ou talvez fosse minha mente.

Caminhei até a beira da água.
Toquei uma das pedras molhadas. Estava quente.
Como se tivesse acabado de ser tocada por ela.

Fechei os olhos.
E então, ouvi.

Um som. Pequeno, como um sussurro.
Mas distinto. Um chamado.

Segui o som sem pensar.
A floresta começou a mudar.

As árvores pareciam mais altas. Os galhos, mais tortos.
E os troncos — alguns com marcas.
Cortes antigos. Cicatrizes.

Passei os dedos por um deles e senti... algo.
Uma lembrança? Uma emoção?
Era como se a própria floresta estivesse guardando histórias.
Fragmentos de alguém.

De mim?

Andei por mais tempo.
Talvez horas.
O céu continuava encoberto, sem sinais de sol ou lua.
Apenas o som de vento — e, de vez em quando, aquele mesmo sussurro.

“Volta.”

Parei.

Ouvi aquilo com clareza.
Uma palavra. Uma voz feminina.

Mas eu não queria voltar.
Não ainda.

Segui mais fundo.
E então vi.

Entre duas árvores, uma pequena trilha.
Coberta de folhas. Quase invisível.
Mas ali.

Ao fim da trilha, algo me esperava.
Eu sabia.

Um balanço.
Pendurado em uma árvore grossa, sobre um abismo encoberto por névoa.

E, acima dele, muito acima, a casa.

Ela estava lá.
A casa do meu sonho.

Envelhecida. Solitária. Sem janelas.

O eco do meu próprio coração batia mais forte do que o vento.

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