Os tristes olhos de Giselle.
Foram por eles que me apaixonei.
Me recordava muito bem da última vez que a tinha abraçado, enquanto caminhávamos pelos corredores de sua enorme mansão.
Eu a conheci anos atrás, quando os olhos que agora eram brilhantes por causa das lágrimas eram brilhantes pela simples emoção que sentia em viver.
Hoje, ela apenas existia.
Giselle não falava, não gritava, não comia e não sentia.
Não sentia nada além do desespero em que vivia: estava presa numa constante apatia.
Se afundava, cada vez mais, na agonia de não estar feliz, mas não estar triste; não estar cansada, mas não se sentir pronta para nada; não se sentir viva.
Não era branco, nem preto, e muito menos colorido. Só cinza — uma fumaça que embaçava tudo que antes era bom, que lhe trazia felicidade, conforto e até melancolia.
Agora, tudo parecia vazio, tudo parecia entediante. O que a fazia rir era chato, e o seu filme preferido, de repente, não a fazia se sentir tão bem assim.
Quase como estar numa pintura antiga, ou em um jornal velho e rasgado; como viver num mundo distante, como se não estivesse ali, mesmo que seu corpo permanecesse lá.
Ah, os tristes olhos de Giselle... Como explicar os sentimentos que surgiram de uma alma sem emoção?
Foi em seu olhar que encontrei a minha paz, embora a sua já tivesse sido tomada há algum tempo.
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Os Triste Olhos de Giselle | {One Shot}
PoetryFoi em seu olhar que encontrei a minha paz, embora a sua já tivesse sido tomada há algum tempo.
