PRÓLOGO

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No ano sete da Era das Sombras, o Reino de Rumburg sofria amargamente com as constantes investidas das criaturas das trevas. Por ser o maior reino do continente, ele enfrentava a ofensiva na linha de frente. Contudo, Rumburg não lutava sozinho. Ao seu lado estavam os Baronatos, o Principado e Nahrbuk—quatro países unidos na defesa. Juntos, formaram uma coalizão que ficaria conhecida como "A Liga".

Sempre em combate direto contra as criaturas das trevas, a Liga exigia dos demais países do continente verbas, suprimentos e, sobretudo, apoio militar. Algumas nações ajudavam sem hesitação, cientes de que era mais vantajoso fortalecer a Liga do que arriscar vê-la enfraquecida e permitir o avanço dos inimigos sobre seus territórios. Outras colaboravam, mas com evidente desgosto. Já alguns países sequer se preocupavam em oferecer suporte, pois simplesmente não acreditavam que as forças das trevas chegariam ao ponto de ultrapassar o território da Liga.

Durante três anos após o chamado 'Período de Sangue e Fogo', os integrantes da Liga perderam cerca de cinco soldados por hora nas linhas de frente, recuando aproximadamente dez quilômetros a cada semana. As armas e armaduras tornavam-se obsoletas tão rápido quanto eram aprimoradas. Fortes que haviam resistido a invasões de saqueadores e disputas internas desmoronavam facilmente ao se tornarem bastiões na tentativa de conter o avanço do exército das trevas. Soldados, outrora considerados heróis nacionais de diversos reinos, encontravam seu fim no campo de batalha. Vilas, antes repletas de vida, esvaziavam-se às pressas, enquanto o exército das trevas avançava incansavelmente, decidido a conquistar o continente.

Foi apenas no décimo ano que uma nova vanguarda foi anunciada. Os chamados 'Aventureiros' foram convocados por todo o continente—magos poderosos, guerreiros que dedicaram anos ao domínio da espada, monges que meditavam desde a infância e até mesmo assassinos habilidosos. Todos foram convidados a integrar essa nova força.

A promessa era clara: 'Venham aqueles que têm habilidade para lutar. Não será questionada sua origem, nem sua índole, e qualquer crime cometido será perdoado. Todo corpo hábil no combate está convocado para defender o continente

Na metade do décimo ano, as forças das trevas foram contidas antes de alcançarem a cidade de Maggs. O Baronato havia sido completamente tomado, o Principado estava fragilizado pela imensa perda de combatentes, e Nahrbuk ainda se recuperava de uma disputa interna entre os dois sucessores do falecido rei.

Mais uma vez, o Reino de Rumburg sustentava a maior frente de batalha. De uma ponta a outra do mar, tentava manter as forças das trevas em cheque—sem avanços, sem recuos. A chegada dos aventureiros mudou radicalmente o rumo do combate, mas o resultado não foi o esperado.

Então, em uma noite do segundo mês do inverno, os líderes das nações reuniram-se em Thornbourgh, capital de Rumburg. O rei de Rumburg, o príncipe regente do Principado, o novo rei de Nahrbuk, o ministro regente de Agnolia, o rei de Renan, o rei de Wehlen, a rainha de Agard e o príncipe regente de Edmarg assinaram uma nova declaração de afiliação. A Liga foi reestruturada e passou a ser chamada de Sociedade das Nações, com o Generalato de Rumburg como oficiais gerais e o próprio rei de Rumburg como líder da união.

Em menos de seis meses, sob o comando de Rumburg, os soldados enviados pelo esforço da Liga foram devidamente equipados e treinados. Os generais de Rumburg tornaram-se mais criteriosos na seleção dos combatentes, rejeitando milícias mal treinadas enviadas por alguns países. Com o apoio das demais nações da Sociedade, passaram a pressionar os reinos para que soldados profissionais fossem enviados à linha de frente.

Essa exigência, no entanto, gerou ressentimento. Algumas nações começaram a se revoltar contra a postura de Rumburg, que agora ditava ordens mesmo àquelas que sequer tinham interesse em se filiar à Sociedade das Nações. Logo, várias delas passaram a recusar solicitações de suprimentos, dinheiro e soldados. Entre os principais opositores estavam o Reino de Lespia, a República de Solme e a Liga Santa—sua resistência inspirou outros países do sul do continente a reduzir ou até mesmo cessar o envio de recursos para a linha de frente.

ERA DAS SOMBRASWhere stories live. Discover now