Capítulo 1

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Sinto o fresco cheiro de recém limpo do elevador, 18° andar, térreo. Vejo meu colega Alexandre adentrar o elevador, parecia abalado. Damos um leve aperto de mãos.
"O que foi?" Sem delongas, "Estou trabalhando igual um cão para esse novo projeto maluco, desde que me transferiram estou miserável.".

Respirei fundo, sinto pena dele. Poderia dar um discurso sobre como não é tão ruim assim mas, de fato ele está numa péssima situação. Eu tive a sorte de ser uma peça fundamental na minha equipe e muito precioso para o meu chefe pra não ser transferido. "Deve estar sendo difícil". Falei por fim, estupidamente.
"Não me dê esse papo, não sabe quanta inveja sinto de você, Kaleb, você é verdadeiramente apreciado nesta empresa".

Fico em silêncio pelo resto da viagem, apreciando o cheiro frio de escritório, o chão recém limpo, o cheiro dos homens e mulheres do escritório, sérios e elegantes, cada um em seu posto.

Já no térreo, eu passo pela recepção para     saudar a moça no balcão, que sempre sorri para mim quando entro pela manhã. "Está elegante como sempre Sr. Kaleb." Diz ela, educada e charmosa.
"Obrigada, Amelie, boa noite para vocês." Aceno e vou em direção às grandes portas de vidro da saída do enorme prédio.

O vento frio sopra o rosto, o céu está um azul cinzento raivoso. Olho brevemente meu celular em busca de alguma notificação importante, nada. Arrumo meu blazer, puxo meu cabelo para trás com a mão, penteando os fios com os dedos, arrumando o que o vento bagunçou e ando decido em direção ao meu carro. Uma Mercedes toda no preto fesco. Respiro fundo mais uma vez, ligo o carro e parto.

Moro meio afastado, num lugar quieto e calmo, não conheço meus vizinhos, apenas reconheço alguns que vejo quando saio para caminhar.
Estaciono meu carro na garagem, sinto meu sapato raspar contra o chão grosseiro indo em direção a entrada da casa. Viro a chave e entro em silêncio, não ouço um som, nem mesmo um sopro ou respiração.

Vou tirando meu blazer e o penduro no cabideiro, tiro o cinto, o sapato, as meias, vou desabotoando a camisa, tiro a calça, e ando em direção ao banheiro.
Uma grande chuveiro quadrado, cinza, que banha o corpo inteiro. Água fria e cortante, me dou um instante, apenas um instante para sentir aquele leve desconforto, aquela pulga atrás da orelha te dizendo que tem algo de errado.

Ponho a toalha em volta da cintura e saio do banho, meu cabelo molhado pingando pelo chão, sem me importar.
Ao pisar para fora do banheiro e adentrar o corredor casa, ouço a porta abrir e o farfalhar de chave.
É Nicolle, minha esposa, com um grande sobretudo preto tirando por um segundo a atenção da roupa elegante e sensual por debaixo, ela se aproxima de mim com um olhar sério e posso sentir um cheiro quente de álcool com as frutas vermelhas, é uma mistura de seu whisky favorito com o Burberry Her que a presenteei, combinando com seu rosto impactante e batom vermelho escuro.

"Por onde você esteve?" Pergunto tentando não parecer muito abalado.
"Eu saí." Ela passa por mim, sem me olhar uma segunda vez. Nem sei o que pensar. Eu espero um pouco antes de entrar no quarto junto a ela, pra por minha roupa, me deparo com uma cena um tanto impactante.

Minha esposa apenas com suas roupas íntimas, as peças que vestia jogadas pela cama, renda preta, ela vira pra mim, seus olhos me fitando profundamente me fazendo mergulhar no seu castanho, me deixando desconcertado, inseguro. Ela se vira novamente e volta a se trocar, como se dizendo, "Esta é sua casa. Por que me olha com tanto pavor? Faça o que veio fazer."

Chego ao seu lado, com certa distância, desenrolo a toalha do meu corpo, ficando completamente nu ao seu lado, visto a cueca e faço minha rotina diária, Nicolle ao meu lado, parece completamente desinteressada, passo meu hidratante e desodorante. Agora, me sinto meio perdido, não sei o que fazer na sua frente, mas vou para cozinha fingir que tenho algum propósito.

Sirvo um copo gelado de água, encho até  o topo, bebo em goles grandes, sentindo a água gelada descer pelo meu corpo, quero estar perto dela de novo.

Me sento no largo e espaçoso sofá, sozinho, e ligo a televisão na TV aberta, passando algum jogo de futebol, não dei muita importância por não se tratar do meu time de coração, alvinegro.

Ouço o som de um chuveiro ligando, e depois de um tempo fingindo ver a TV ouço ele desligar, e mais nenhum sinal dela. Vou em direção ao quarto me planjenado para dormir, e sinto o cheiro gostoso de morango do hidratante da minha esposa espalhado agradavelmente pelo quarto, vejo ela terminado de por o pijama.

Me forço a dar um passo para frente e por trás seguro com as minhas duas mãos os lados de seus quadris, beijando sua nuca exposta. Ela puxa meu rosto e me dá um beijo rápido na bochecha antes de se virar e ir para a cama.

Me sento na beirada da cama, de costas para ela, buscando sentir seu olhar queimando minhas costas malhadas.
Depois de um tempo, aceito a situação e me deito ao seu lado, encarando o teto. De canto de olho sinto seu olhar, já não tão sério, analisando todo meu rosto. Ela suspira e se vira para o lado oposto ao meu, se cobre com o cobertor até a metade do rosto.

Eu sinto uma onda forte embrulhar meu corpo e minha consciência me deixar.

Tempestade Where stories live. Discover now