CAP - 1 Coração Disfarçado

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Os fios longos e sedosos do meu cabelo escorriam entre os dedos enquanto eu o penteava, de frente para o espelho. O tempo lá fora estava nublado, o ar abafado, como se prenunciasse que algo importante estava prestes a acontecer. Meus pensamentos vagavam enquanto as cerdas da escova deslizavam com cuidado. A água da piscina ainda pingava do meu corpo, o banho pós-nado tinha sido rápido, mas o suficiente para me aquecer naquele começo de manhã estranho.

Mais tarde, Ethan, meu irmão mais velho, viria jantar em casa. Os nossos pais estavam animadíssimos, como se o príncipe da família estivesse retornando do reino distante. Fazia meses que não o víamos. Ele saiu de casa aos 25 anos e hoje, aos 30, vivia com sua esposa, sem filhos ainda — mas qualquer hora, eu sabia, seria o momento. Sonho dos dois, sonho de toda a família. Já comigo... bom, era diferente. Eu também queria alguém. Queria amar e ser amado. Ter uma família. Mas... se nem meus próprios pais gostavam de quem eu era, como poderia alguém mais gostar?

Terminei de prender o cabelo em um rabo de cavalo firme e elegante. Suspirei. Hora de ir trabalhar.

Desci as escadas devagar, e antes de chegar ao último degrau, ouvi a voz dos meus pais na cozinha.

— Ele que se arrume direito hoje à noite — dizia minha mãe. — Ethan vai trazer a esposa, e os tios também vão vir. Não quero aquele menino com aquelas roupas ridículas de sempre.

— E vê se prende bem aquele cabelo — completou meu pai, com frieza. — Ou melhor, que corte logo. É uma vergonha.

Parei. O coração apertou. Eles não sabiam que eu estava ouvindo. Que falavam de mim, como se eu não fosse parte da família. Só uma mancha silenciosa na mobília.

— Talvez ele nunca encontre ninguém — disse meu pai, mais baixo. — Com aquele jeito... quem vai querer?

— Mas sabe... talvez... — a voz da minha mãe vacilou. — Aquela proposta da empresa Everhart... Richard está precisando unir as famílias, e o Ethan já está casado. Não temos outra opção. Talvez...

— Ninguém vai querer o Theo — cortou meu pai. — E casamento arranjado precisa parecer real. Precisa ser verdadeiro. Senão não serve pra nada.

As palavras caíram como pedras. Meu estômago revirou. Mas me obriguei a entrar na cozinha, escondendo a mágoa atrás de um sorriso sem graça.

— Bom dia...

Meus pais apenas assentiram com a cabeça. Nenhum sorriso, nenhum "bom dia" de volta. Me sentei, e eles logo saíram da cozinha, me deixando sozinho. O café tinha gosto de ausência. Engoli o choro com o último gole e me levantei.

— Tchau... vou trabalhar.

— Vá direto para casa depois — disse meu pai, sério. — Sua mãe precisa de ajuda no jantar. Se vista de maneira decente, entendeu? Nada de excentricidades.

Assenti. Sem força para discutir. Saí, o frio no ar misturado com o calor abafado da cidade. Peguei o metrô. Estava cheio, abafado, e o mundo ao redor parecia embaçado. Olhares, conversas, cheiros. E eu, afogado nos meus próprios pensamentos.

Na empresa, sentei na minha mesa — era secretário direto do Damien, o filho do CEO. Um homem sério, frio no trabalho... mas lindo, e com um charme que me fazia suspirar desde o primeiro dia.

— Theo! — Suzy, minha colega e amiga, se aproximou com um sorriso caloroso. — Você tá bem?

— Tô sim — menti, forçando um sorrisinho. — Só cansado.

Ela me lançou um olhar desconfiado, mas não insistiu.

Durante o almoço, rimos juntos. Fomos para o café do térreo e, de longe, vi Damien comendo algo em silêncio. Meu coração deu um salto, como sempre. Ele era tão... inalcançável. Suzy me cutucou com o cotovelo e sussurrou:

Meu Chefe, Meu Marido ( Gay ) Những tác phẩm khiến độc giả say mê. Hãy khám phá bây giờ