Quando as Baleias Cantam

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O relógio marcava exatamente oito e vinte e três da manhã quando Woo Young-woo atravessou os portões do edifício da Hanbada. Os sapatos cuidadosamente alinhados, o cabelo penteado com precisão quase científica e a pasta marrom clara pressionada contra o peito — tudo nela permanecia meticulosamente igual. E, ainda assim, havia algo diferente.

A jovem advogada havia mudado. Não de forma abrupta, mas lenta e sutil, como as marés que ela tanto admirava. Um ano havia se passado desde que pisara naquele tribunal onde, com coragem e uma peculiar doçura, enfrentara preconceitos, verdades jurídicas e, acima de tudo, a si mesma. Agora, seus passos ainda eram firmes, mas traziam consigo o peso do tempo — e da experiência.

O escritório não apresentava novidades gritantes. A equipe jurídica continuava em movimento constante, como uma engrenagem bem lubrificada. Estagiários passavam apressados com arquivos em mãos, advogados murmuravam estratégias nos corredores e, no centro de tudo, o brilho tranquilo de Young-woo pairava como uma presença constante. Ela era respeitada. Era admirada. Mas, principalmente, era observada.

Ao entrar em sua sala, encontrou sobre a mesa um envelope azul escuro, com seu nome escrito à mão por Su-yeon, sua amiga e colega de trabalho. Era uma convocação para um novo caso — mais um entre tantos. No entanto, bastou abrir o primeiro parágrafo para que seus olhos se detivessem. As palavras pareciam se mover lentamente, como se quisessem ser sentidas com profundidade:

“Empresa de turismo marítimo é acusada de práticas abusivas envolvendo a aproximação forçada de cetáceos durante excursões oceânicas.”

Seus dedos pararam de deslizar. Por alguns segundos, a sala ficou em silêncio, interrompido apenas pelo som distante de um telefone tocando no corredor. Seus pensamentos, porém, estavam longe dali — estavam submersos, nadando ao lado de uma baleia jubarte, envoltos em um azul profundo e reverente.

Woo Young-woo respirou fundo.

— Baleias... — murmurou para si mesma, os olhos fixos na janela, onde o céu de Seul se estendia claro e limpo como o horizonte de um oceano sem fim.

Naquele instante, ela não era apenas uma advogada diante de mais um caso. Ela era uma defensora das vozes que ninguém escuta. E as baleias, ainda que gigantes, muitas vezes eram silenciadas.

[...]

A sala de reuniões da Hanbada estava impecavelmente organizada, como sempre. A mesa oval de madeira clara reluzia sob a luz do teto e as pastas estavam dispostas com precisão matemática, cada uma marcada com o selo da firma. Woo Young-woo entrou devagar, seus olhos vagando pelas cadeiras ainda desocupadas, até encontrar um assento próximo ao final da mesa.

Ela não estava sozinha por muito tempo.

A porta se abriu com suavidade, revelando a figura serena de Jung Myung-seok, vestindo um terno cinza escuro e exibindo o mesmo olhar calmo que sempre transmitia segurança. Após o período de afastamento por tratamento de saúde, ele havia retornado ao trabalho com uma serenidade renovada, quase como se cada palavra agora tivesse ainda mais peso e intenção.

— Advogada Woo — disse ele, com um breve sorriso ao se sentar ao lado dela. — Como se sente com o novo caso?

Young-woo respondeu com um aceno leve, mas não disse nada. Seus olhos ainda carregavam o som invisível das baleias.

Logo em seguida, Choi Su-yeon entrou com passos firmes, um tablet em mãos e o cabelo preso em um coque elegante. Seus olhos, ao encontrarem os de Myung-seok, brilharam por um instante. Um leve sorriso escapou antes que ela retomasse a postura profissional.

— Bom dia. Vamos começar — disse, posicionando-se ao lado oposto da mesa.

Kwon Min-woo apareceu por último, ajeitando a gravata e sentando-se com a habitual expressão de autoconfiança.

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⏰ Last updated: Apr 09, 2025 ⏰

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