Sábado.
Final de tarde. O sol já começava a se esconder atrás das arquibancadas do Allianz Parque, e a Micaela do meu lado parecia uma criança no parque de diversões. Eu? Bom, eu estava ali mais pela empolgação dela do que pelo jogo em si.
— Karina, você tá entendendo que a gente tá aqui, tipo... de verdade?! — ela praticamente gritava, com o cachecol do Palmeiras enrolado no pescoço.
— Tô, tô sim. Inclusive ainda tô tentando entender como você conseguiu esses ingressos.
— Contatos, né, querida. Contatos e sorte. Eu te disse que seguir páginas de torcida vale a pena!
A verdade é que, mesmo não sendo fanática por futebol, eu sempre admirei a vibe do estádio. A energia das pessoas, o barulho da torcida, aquele sentimento de "todo mundo junto" — era impossível não se contagiar, mesmo que eu não entendesse metade das regras. E, convenhamos, a camiseta personalizada que Micaela fez questão de me dar até que me deixava estilosa.
— Quem é mesmo o jogador que você não cala a boca desde que acordamos? — perguntei, mais pra provocar.
— Karina! Como você pode esquecer? Richard Ríos! O colombiano mais lindo que já pisou nesse gramado. Me recuso a acreditar que você ainda não decorou o nome dele.
— Ah, o metido?
— Metido? O cara é humilde, talentoso e ainda por cima gato. Você vai ver, hoje ele vai marcar um golaço só pra mim.
Revirei os olhos, mas não consegui segurar o riso. A Micaela era assim mesmo — intensa, sonhadora, e completamente apaixonada por tudo o que envolvia o Palmeiras.
O jogo começou, e eu fui me deixando levar pela emoção da torcida. A cada jogada, a arquibancada explodia. A cada chance de gol, Micaela me agarrava pelo braço como se o mundo fosse acabar. E quando Richard finalmente entrou no segundo tempo... bom, até eu tive que admitir: o cara chamava atenção.
Ele era diferente dos outros. Pele bronzeada, cabelo claro com mechas platinadas em um corte estiloso que destacava o rosto, e um sorriso largo, daqueles que iluminam o ambiente mesmo sem querer. O uniforme apertado deixava à mostra os braços tatuados, e o jeito como ele corria pelo campo mostrava não só técnica, mas confiança.
— Vai, Richard! — Micaela gritava.
— Tô começando a achar que você vai jogar uma aliança no campo.
— Não me tenta...
O jogo terminou 2x1 pro Palmeiras, com direito a assistência do tal Richard. E, claro, a Micaela já estava arrastando meu braço em direção ao portão onde os jogadores passavam pra dar autógrafos depois das partidas.
— Você falou que a gente ia só ver o jogo — reclamei, mesmo já sabendo que era inútil.
— Eu menti. E você veio, então agora aguenta!
Ficamos no meio da multidão, rodeadas por gente gritando nomes, segurando camisas e canetas. Eu deixei Micaela na frente e fiquei um pouco pra trás, só observando. Vários jogadores passaram, simpáticos, dando autógrafos, sorrisos, algumas fotos.
E então ele apareceu.
Richard Ríos.
Mais bonito ainda de perto. O cabelo molhado do suor caía um pouco na testa, e o sorriso dele era tão aberto que por um segundo eu esqueci de onde estava. Os olhos brilhavam, mesmo cansados, e havia algo no jeito como ele andava... leveza, talvez. Como se estivesse exatamente onde deveria estar.
Micaela congelou na hora, o celular tremendo na mão.
— Vai lá — eu empurrei ela de leve.
— Eu não consigo. Eu tô... eu tô tremendo.
— Micaela, você fez cartaz, gritou, pulou, chorou. Vai agora e pega esse autógrafo!
Ela deu um passo hesitante, e eu fui atrás, mais pra dar apoio moral do que qualquer outra coisa. Richard assinou a camisa dela, trocou algumas palavras em português com sotaque fofo e já ia virando para o próximo, quando os olhos dele cruzaram com os meus.
— E você? Não vai querer um autógrafo também? — ele perguntou, olhando direto pra mim.
Eu congelei por um segundo. Ele estava falando comigo?
— Eu? Ah, não, eu nem sou tão fã assim, tô aqui mais por causa da minha amiga...
— Mesmo assim — ele sorriu, e estendeu a mão. — Richard.
— Karina — respondi, apertando a mão dele. Foi rápido, mas firme.
— Nome bonito.
Micaela, do lado, parecia prestes a desmaiar.
— Valeu, Richard! — ela conseguiu dizer, puxando meu braço logo depois. — Karina, você apertou a mão dele! Ele sorriu pra você! Ele disse que seu nome é bonito! AI MEU DEUS!
— Calma, louca! Ele deve dizer isso pra todo mundo.
— Mas ele olhou só pra você!
Fingi que não me importava, mas confesso: o jeito como ele sorriu ficou ecoando na minha mente por mais tempo do que eu gostaria. Era só um jogador famoso sendo simpático, certo?
Certo?
Ah, e só pra constar: eu usava calça jeans e um top branco tomara que caia, com meu cabelo liso e castanho escuro solto, do jeito que eu mais gosto. Nada demais. Mas, pela forma que ele me olhou, por um segundo, eu me senti única.
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O jogo do destino - Richard Ríos
FanfictionKarina Moretti nunca imaginou que um simples jogo de futebol mudaria sua vida. Fã apaixonada por Richard Ríos, ela sempre acompanhou suas partidas, mas tudo parecia um sonho distante... até que seus olhares se cruzaram. Após uma vitória emocionante...
