Essa aqui é uma estória que está sendo criada com muito carinho em conjunto com a AutoraRenataSilveira
O lago sempre foi o refúgio de Valentina. Desde pequena, ela fugia para lá quando queria um momento de paz, longe do barulho da vila e do seu trabalho nos campos. O reflexo da água refletia o céu com poucas nuvens, e o vento das árvores a refrescava do calor que fazia aquele dia.
A água parecia mais convidativa do que nunca, ela se agachou e mergulhou os dedos brincando com as ondas suaves. Uma sensação estranha de que estava sendo observada chamou sua atenção, mesmo sem ouvir nenhum barulho ela virou seu rosto para o lado, Valentina pensou estar vendo uma miragem, uma garota alta de cabelos castanhos caídos sobre os ombros em ondas desarrumadas mantinha os olhos fixos sobre ela, sorridente, se aproximava devagar, as roupas simples sugeriam que não era uma nobre mas também não parecia pertencer a vila
Valentina não se assustou com a aproximação, muito pelo contrário, sentia, sabe-se lá porque que já conhecia aquela garota
— Ola — Ela saltitava sobre as pequenas pedras para se aproximar, o tom de voz gentil fez o estômago de Valentina revirar —- O lago é seu ? —- Valentina sorriu com sua pergunta
— De certa forma, venho aqui desde que era criança, mas ele não pertence a ninguém — A desconhecida sorriu
—- Me chamo Luiza —- Ela estendeu sua mão
Hesitante, Valentina segurou a ponta do seu dedo —- Valentina
As pontas dos dedos se tocaram, e naquele instante, algo aconteceu. Não um trovão, nem uma visão profética, apenas um arrepio sutil, como se um fio invisível tivesse sido atado entre elas.
— Você não parece ser daqui — Valentina disse.
—- Não sou, eu moro em uma vila vizinha, minha família e eu estamos a procura de novas terras para plantar, já andamos bastante, confesso que já fui a lugares muito bonitos, mas eu nunca vi um lago tão lindo assim
— Talvez seja por causa da companhia — Valentina brincou e Luiza sorriu, desviando o olhar por um instante, o sol começou a se pôr, as duas ficaram lado a lado encarando o céu tingindo de cores alaranjadas
— Talvez seja mesmo — Luiza falou
— Deve ser legal já ter estado em vários lugares, eu nunca saí daqui, nem consigo imaginar as várias coisas que existem nesse mundo
— Eu posso te contar algumas histórias se quiser — Valentina a encarou com empolgação
—- De verdade? Eu quero sim —- Luiza arqueou a sobrancelha e sorriu, segurou o braço de Valentina e a levou para baixo de uma árvore
Enquanto passavam o resto da tarde conversando à beira do lago, Valentina percebeu algo estranho, ela não queria que Luiza fosse embora. Cada palavra dela fazia parecer que o tempo corria mais depressa, que o sol se movia rápido demais no céu.
Quando o horizonte já queimava em tons dourados, Luiza se levantou — Eu volto amanhã .Valentina concordou, sem entender por que aquela promessa fazia seu coração bater tão forte.
Ela não sabia. Não sabia que aquele instante marcaria o começo de algo que mudaria tudo. Que partiria seu coração e costuraria sua alma a outra para sempre.
E que, um dia, ela daria tudo para voltar àquele momento, antes de conhecer a dor, antes da maldição, antes de perder Luiza mais vezes do que poderia suportar.
Ali, sentada sobre a grama, observou Luiza se afastar ate que não a visse mais, o rosto de Luiza, sua voz e seu sorriso tomavam conta da sua mente. Suspirou, abraçada com as mãos sobre o joelho, não entendia o que estava acontecendo, porque esse sentimento de inquietude por uma estranha?
Não era apenas atração. Não era apenas curiosidade.
Era como um fio invisível puxando-a para perto.
Ela se levantou devagar, alisando o vestido simples que usava. Precisava ir para casa antes que escurecesse. Sua mãe já deveria estar preocupada, e seu pai... bem, ele nunca gostava que ela passasse tempo demais sozinha.
Mas amanhã.
Amanhã, Luiza voltaria e Valentina não sabia por que, mas isso a fazia ficar ansiosa pelo amanhecer como nunca antes.
Manha seguinte.
Valentina despertou antes mesmo dos galos cantarem, algo que raramente acontecia. Os primeiros raios de sol atravessavam as janelas da pequena casa. Ela tentou seguir sua rotina normalmente, ajudar a mãe com a comida, alimentar os animais, varrer a entrada da casa, mas sua mente estava distante, o dia parecia estar mais demorado do que de costume
Quando o sol atingiu seu ponto mais alto no céu, Valentina sorriu largando o cesto de grãos que carregava, passou correndo pela mãe e gritou que ia sair por um tempo, ela não perguntou para onde, Valentina sempre foi uma garota reservada e sua mãe sabia que quando ela queria ficar sozinha, não adiantaria insistir.
Seu coração batia acelerado enquanto caminhava até o lago, sentindo o calor do sol aquecer sua pele. O caminho era familiar, mas, naquele dia, parecia diferente.
Quando chegou, Luiza já estava lá. Ela se equilibrava sobre uma pedra na margem, as mãos na cintura, a expressão concentrada. Assim que viu Valentina, sorriu.
— Quase achei que você não viria
— E perderia a chance de te ver cair na água? — Valentina cruzou os braços, fingindo desinteresse, mas algo no sorriso de Luiza a fez perder o fôlego por um instante.
Luiza riu e saltou da pedra para a grama — Eu não cairia, mas talvez eu te empurre
O tom brincalhão aqueceu algo dentro de Valentina. Ela se aproximou e sentou sobre a sombra de uma árvore, e fez um gesto para que Luiza fizesse o mesmo.
Assim como no dia anterior, conversaram por horas. Sobre a vila de Luiza, sobre as histórias que os viajantes contavam, sobre as pequenas coisas que faziam seus dias mais leves.
Valentina descobriu que gostava de ouvi-la falar. Gostava da maneira como seus olhos brilhavam quando contava algo que a entusiasmava, O tempo passou rápido demais.
Quando o sol começou a descer no horizonte, Luiza deitou sobre a grama, olhando para o céu avermelhado.
—- Você ja pensou em sair daqui ? — Luiza perguntou enquanto encarava as nuvens
— Hum, pra onde?
— Pra qualquer lugar, alem das florestas.... O mundo é tão grande, porque passar o resto da vida apenas em uma vila onde nada muda?
Valentina hesitou. Nunca havia pensado nisso. Sua vida sempre foi ali, entre os campos e as pequenas casas de madeira, entre os rostos conhecidos e os costumes de sempre. Mas Luiza falava daquilo como se houvesse algo maior, algo esperando por elas além do que seus olhos podiam ver.
— Eu não sei — admitiu desviando o olhar —- Talvez se eu tivesse um bom motivo
Luiza virou o rosto para encará-la, e por um momento, Valentina sentiu que o mundo ficou em silêncio. Então, Luiza sorriu — Talvez a gente encontre esse motivo juntas.
E foi naquele instante que Valentina soube. Ela não podia mais escapar. Mas, ali, à beira do lago, deitada sob o céu escurecendo, ela sentiu pela primeira vez que pertencia a algum lugar.
E esse lugar era ao lado de Luiza.
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VaLu - Maldição do amor eterno
FanfictionSinopse Luiza e Valentina estão presas a um ciclo sem fim. Em suas primeiras vidas, foram vítimas de uma terrível maldição lançada por um bruxo vingativo: Valentina sempre se lembraria de suas vidas passadas, enquanto Luiza seria inevitavelmente at...
