I won't let you go

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And if there's love just feel it
And if there's life will see it
This ain't no time to be alone, alone yeah
I won't let you go

Eddie se lembra do sorriso brilhante de Chris, por cima da armação azul dos óculos, com aquele peão vermelho na mão, era um brinquedo infantil que ele deu de presente para Christopher no aniversário dele de quatro anos.

Desde quando Shannon foi embora, tudo se tratava de apenas eles dois, aniversários, compromissos da escola e consultas no pediatra, dos mais descontraídos até os mais difíceis compromissos.

Christopher o olhava com tanto amor e admiração, como se ele fosse o super-herói mais famoso do mundo, como se ele pudesse voar e alcançar a estrela mais reluzente do céu só para deixar guardada em um pote na cômoda do quarto.

Christopher sempre foi tudo que Eddie tinha de melhor, todo o amor, toda a empatia e a gentileza eram fruto e consequência de ter um menino tão gentil e sorridente o esperando em casa.

Ele era uma parte de Eddie, a genética dele corria por tudo o que aquele garotinho representava. O sorriso gentil, os olhos fechados e aquele humor ácido de quem não suporta acordar pela manhã, Eddie amava aquele garoto mais do que qualquer coisa.

Eddie teve Shannon por um tempo. Eles foram um casal precoce de adolescentes que viraram pais cedo demais, como consequência de um relacionamento irresponsável. Quando se conheceram, no ensino fundamental secundário, tudo parecia inocente, e então, alguns anos depois, Shannon estava grávida.

Ele foi embora, serviu ao exército por tempo o suficiente para perder etapas importantes da vida de Chris, mas ainda não tão ruim assim, ou pelo menos não parecia ser. Ele voltou com uma medalha de honra, coisa que no fundo ele sempre soube que não compensaria todo o trauma de ver seus amigos serem baleados bem na sua frente. Mas seus pais estavam orgulhosos, e era aquilo que mais importava até então.

Ao menos até eles voltarem a julgar suas decisões e a criação de Christopher, afinal de contas, um bebê com paralisia cerebral não era exatamente capaz de muita coisa, pelo menos era o que eles diziam:

"Não o deixe sozinho, você sabe o quanto ele precisa de apoio"

"Você precisa ser mais atento Eddie, sabe como Chris é frágil"

Quando Shannon foi embora tudo parecia errado, a rotina era totalmente desafiadora.

Eddie odiava admitir, mas ele foi um pai ausente até o final dos três anos de Chris, se escondendo em brigadas do exército americano com a desculpa de que tudo era pelas contas médicas do bebê, mas ele sabia que a culpa disso era o medo de ter uma criança para cuidar, uma criança com necessidades especiais.

E quando ele se viu sozinho em casa, com Chris ao seu lado, ele percebeu que teria que dar o melhor de si para ser o mínimo que aquele garotinho merecia.

Os pais de Eddie detestaram a ideia de que ele criaria uma criança sozinho, por muito tempo eles só iam os visitar para dizer o quanto Shannon era irresponsável e a escolha errada de Eddie para ser a mãe de seu filho, mas ele ainda fez.

Ele criou Christopher com todo o melhor que ele podia oferecer, ele não se arrependeu de dar ao seu filho a criação que ele não teve, com amor e confiança.

Eddie sabia que aquele garotinho era exatamente a única coisa que importava o suficiente, ele não tinha dúvidas de que o bem estar de seu filho sempre estaria acima de qualquer um, mesmo que fossem seus pais.

Christopher era o único motivo para Eddie acordar todos os dias às cinco da manhã, ele era o motivo de Eddie ter se enfiado em dois empregos para conseguir arcar com tudo, todas as despesas e contas médicas e ele sempre fez tudo isso com um grande sorriso no rosto.

The end is hereWhere stories live. Discover now