- "Durante a Guerra, batalhas são travadas não com fé ou raiva, mas com homens e mulheres."
- Historiador Gaeano desconhecido.
Durante a razia de Èlanor, governadora de metade do mundo antigo, pouco permaneceu em pé...
Nossos avós falaram, como eu vos digo, para assim vocês passarem a seus filhos:
- "Não se sabe da índole de um homem, até que as leis caiam, até que as bordas imaginárias que nos dividem em mapas queimem, juntos dos castelos e fortalezas, levantados do chão, pelas mãos que os derrubam. No tempo de Èlanor, a ruína e o desespero, permeavam todas as planícies de Vãrnör, o vento não trazia o refrescar das brumas, mas o cheiro de sangue, das batalhas que eram travadas em todo cume, monte ou declive. O céu foi, assim como na terra, vermelho...". Filhos, eu e sua mãe já lhes contamos a história de Ada, certo? Assim como outros pais, já contamos como devem ser fortes e resilientes como a Unificadora de Higla, mas nunca lhes contamos de onde veio sua força, portanto, é neste momento de crise, ao lado desta fogueira que eu peço sua atenção.
Higla era uma vila costeira, sustentada pela pesca e comercio com cidades e algumas caravanas que raramente passavam pelo povoado. Como esperado de uma pequena vila costeira, não existiam muitas oportunidades em Higla, nem muitos recursos. Existia apenas um médico em toda a vila, este que era responsável desde ovelhas, até chefes do território. Por ser o único farmacêutico, Hermo vivia sobrecarregado e só encontrava descanso ao chegar em casa e ser recepcionado por sua esposa e filha, Ixa e Ada.
Ixa costumava sentar-se na areia e confeccionar cestos de bando, para ajudar seu marido a sustentar a casa, os pescadores diziam adorar seus cestos, falavam que nenhum peixe ousaria pular para fora, não só pela qualidade, mas também porque o cesto seria mais confortável que o próprio mar. Ada Alexandra, possuía uma curiosidade invejável e mesmo nova, com 10 anos de idade, já tinha mais proficiência com o arco e flecha, além da adaga, que qualquer caçador da vila, estes que a ensinavam, como forma de agradecer a Hermo por tratar incessantemente das mordidas causadas por lobos ou arranhões, pelas dríades.
Certa vez, Ixa confeccionava cestos na areia, quando de repente viu algo incomum flutuando na água salgada, "Homem ao mar!!!", ela berrou, com todo o ar de seus pulmões, Hermo, que estava tratando das assaduras, causadas pela corda do arco, ao braço de Ada, veio correndo até a areia e imediatamente furou as ondas, junto de outros três marujos que estavam no píer. Depois de trazer o afogado à areia, constataram seu óbito, recente, como Hermo apontava."
- "Mas este não é um homem qualquer, veja pelas vestimentas, não se veste como pescador.", apontou um dos três marujos.
- "De que serve a cota de malha, a um homem que vive à mercê da maré.", pontuou o caçador.
O brasão melancólico em seu peito, era conhecido a Hermo, que viajou o mundo em busca de sua formação, mas não fazia sentido, a nação de Èlanor nem mesmo ficava naquele continente.
Pouco tempo se passou, até que os corpos começassem a chegar. Soldados e mais soldados apareciam, todos inchados de sal, com os olhos vermelhos como o orgulhoso segundo Sol de Vãrnör, chegavam com as ondas e traziam consigo o mau cheiro e incertezas. Hermo, preocupado, mandou prepararem um cavalo e disse que Higla deveria enviar um mensageiro até Elleon, cidade capital, para informar da situação, "Soldados Èlanos nesta parte do mundo? Selem um cavalo e achem um voluntário, Informemos Elleon da possível invasão". Assim que a palavra "invasão" saiu da boca de Hermo, os olhos de todos os cidadãos de Higla, que estavam na areia, se arregalaram. Por ser conhecido e respeitado, a ordem e Hermo foi imediatamente acatada e um jovem, cheio de provisões, saiu a galope.
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A Ruptura.
FantasyEm meio ao caos da Guerra, onde vidas são desmanteladas e a esperança se desfaz como pó, emerge a história de Ada, uma jovem destemida que, após perder sua família para a tirania da Imperatriz Èlanor, se transforma em um símbolo de resistência e bra...
