Prólogo - O Herdeiro Indesejado

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Narrador ON

A noite estava fria e úmida em Londres. O céu encoberto por nuvens pesadas escondia a lua, lançando uma penumbra melancólica sobre as ruas. Dentro do imponente castelo Pacagnan, um jovem de cabelos escuros e olhos afiados estava sentado em um dos enormes salões de pedra, encarando sua família reunida ao redor de uma longa mesa.

Tarik Pacagnan Tremere Orlok. O primogênito. O herdeiro ou como ele preferia ser chamado: Pac.

Ele sempre odiou seu nome completo. O peso do título vinha carregado de responsabilidades que nunca pediu. Seu destino já havia sido traçado antes mesmo de seu nascimento: ser o representante da família Pacagnan na Corte vampírica e, um dia, tomar posse do castelo e da liderança do clã. Por anos, ele viveu uma vida dupla, fingindo ser apenas um humano comum enquanto estudava em Londres, mas essa farsa havia acabado. Agora, estava a caminho do Internato Blackwood, onde passaria seus próximos anos ao lado de outras criaturas místicas.

- Você não tem escolha, Tarik. - A voz firme de seu pai, Andrius Pacagnan Orlok, ressoou pelo salão.

- Já deixamos que vivesse tempo demais entre os humanos. Agora é hora de aceitar quem você realmente é.

Pac não respondeu de imediato. Seus olhos se desviaram para sua mãe, Aurora, que mantinha uma expressão impassível, mas ele conhecia aquele olhar. Ela queria que ele fosse, mas também sabia que a situação não era exatamente justa.

- E se eu não quiser ir? - perguntou Pac, mesmo sabendo a resposta

Seus primos, sentados mais abaixo na mesa, soltaram risadas baixas.

- Você já se atrasou uma semana, priminho. - Disse Lucy com os braços cruzados e um sorriso venenoso nos lábios. - Todos já estão comentando sobre sua falta de comprometimento. É realmente assim que quer ser visto?

- Eu acho que ele só está com medo. - Andrea, sua irmã gêmea, inclinou-se sobre a mesa, analisando Pac como um predador estudando sua presa. - Medo de finalmente ter que se provar digno do nome Pacagnan.

Pac rolou os olhos. As provocações deles já não o afetavam tanto. Mas, ao contrário do que aparentavam, aquelas duas escondiam algo muito mais perigoso por trás dos sorrisos debochados.

- Não se preocupe, Lucy, Andrea. Eu vou. - Ele se levantou, ajeitando o casaco. - Alguém precisa representar essa família de forma decente, já que vocês não tiveram essa chance. - Disse ríspido

As gêmeas cerraram os dentes, mas foi Thenkiov quem reagiu primeiro. O mais velho dos três primos, sempre calado e observador, agora fuzilava Pac com os olhos dourados e afiados.

- Você deveria tomar mais cuidado no internato, Tarik. - disse ele, sua voz baixa e carregada de ameaça. - Nem todos lá serão seus amigos. Alguns podem querer ver você... desaparecer -

Tarik manteve a expressão neutra, mas sentiu o peso das palavras. Ele sabia que os primos não haviam aceitado seu nascimento tão facilmente. Antes de sua existência, seriam eles os responsáveis por levar o nome da família adiante na corte vampírica. Mas a linhagem sempre favoreceria o primogênito direto. Desde então, sabia que não poderia confiar neles.

E se eles já estavam deixando as ameaças tão óbvias, era sinal de que algo estava por vir.

- Obrigado pelo aviso, Thenkiov. Eu vou ficar atento. - Pac pegou sua mala e se dirigiu para a saída.

Seus pais nada disseram. Eles sabiam que Pac entendia a responsabilidade que carregava, mas também sabiam que ele era mais inteligente do que aparentava. Se havia algo planejado contra ele, que seus primos tivessem cuidado para não subestimá-lo.

Pac entrou no carro que o levaria ao internato, sentindo a atmosfera sombria daquela noite pesar sobre seus ombros. Ele não sabia o que o esperava no Internato Blackwood.

Mas estava prestes a descobrir.

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