Confesse

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O silêncio é notável, mas carrega algo consigo.
Um esboço nos cantos escuros da sua parede, apenas um borrão...
Existe algo na linha do visível e invisível, não pode ser vista com clareza, mas sentida.
Aquela sensação de ser vigiado, o frio subindo a sua espinha, os ruídos feitos por algo que, definitivamente, não foram por você.
No calar da escuridão se moldam sons, passos, alguém chamando o seu nome, os estalos de alguns móveis durante à noite, os olhares de algo que espera e anseia por você.

É perturbador saber que no meio da penumbra nunca estaremos completamente sozinhos.
Eles provam o que você procura dizer que não é real, mas mesmo assim, encolhe seu pé do lado de fora da cama.
Há algo que te observa e se fortalece na sua incerteza, do seu medo, nada transformará isso no contrário.
Nesses momentos você se torna vulnerável, as almas escondidas observam isso, anotaram cada fraqueza sua.
A escuridão é um convite para que algo se revele, para que se mostre ali.
Você só vê e escuta o que eles permitem que você consiga absorver.
Nunca entenderá se pode fechar os olhos sem que algo te olhe fixadamente até que se faça presente nos seus pesadelos.
Por que desfaz a pilha de roupas que se parece com algo, ou melhor, alguém?
Por que se cobre na tentativa falha de se proteger?
Por que fecha por poucos segundos os olhos quando vai enxaguar o cabelo ou lavar o rosto por medo de algo aparecer na sua frente?
Por que apaga a luz e sai correndo?
Você borbulha o que chamamos de medo, pavor e horror.
Infelizmente sinto muito em dizer que: se eles quiserem você, não hesitaram um segundo para te buscar.

Continue lendo, não volte o olhar para o lado, atrás do celular e muito menos para o que se mantém pelas suas costas.

  O dono dos cabelos rubros desperta dos desvaneios quando o vento de outono bate fortemente a janela contra a parede. Ouvindo o sussurro da brisa gélida que, misteriosamente, chamava o seu nome.

Será que realmente havia cometido um pecado grave? Não queria ter que viver condenado ao inferno. Sua alma não é a da mais pura, mas há aqueles que cometem o do mais imperdoável pecado e que continuam vivendo. Talvez devesse pedir perdão e se arrepender de toda a sua essência e coração.

Seus pés encostam no chão de madeira, caminhando pela casa conhecida rumo ao seu banheiro. O ambiente era frio, levava suas mãos ao rosto, molhava o mesmo na tentativa de se libertar de tais pensamentos.

De repente, se pôs a ouvir um barulho atrás de si. Tentava não olhar para trás, queria pensar que talvez fosse o rangido do chão de madeira. Mas para ser feito o som, era preciso de algo sobre ele.

Tomou coragem para se virar, mas quando o fez... nada.

Não tinha nada atrás dele, além da sua toalha pendurada em um gancho qualquer daquele banheiro de azulejos azuis.

As coisas estavam assim durante um tempo. Escutava algo como se fosse alguém andando, mas quando se ia conferir, não havia nada e nem ninguém, um silêncio se instalava de repente. Aquilo tudo o fazia duvidar de sua própria sanidade. Será que estava enlouquecendo? Será que seria perturbado até o dia de sua morte?

A sensação de olhares em si sempre voltava mais forte, como se tudo aquilo ganhava mais força a cada dia que se passava. Sempre parecendo que há algo à sua espreita, se fazendo satisfeito da sua dúvida e vulnerabilidade.

— Santo Deus, clamo pelo senhor.

Em uma pressa, voltava para seu quarto com urgência. Estava decidido ir à igreja. Vestiu seu casaco grosso e botas peludas, esperando que aquilo amenizasse o frio que se intensificava a todo momento.

Perdão - NaruSasuPříběhy, které tě pohltí. Začni objevovat