O Silêncio da Fuga - A origem de Willian

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Terra 0531, Ano 2124
Casa de William, 22:07
Na quietude da noite, o silêncio foi interrompido por uma voz aguda e cheia de frustração. Era a mãe de William, seus olhos flamejando de raiva.

-Você nunca faz nada certo, garoto! Sempre faz tudo errado! — ela gritou, o tom carregado de um desespero contido.

William, sentado à mesa da cozinha, olhou para ela com uma mistura de confusão e exasperação. Levantando a voz em um impulso de desespero, ele respondeu.

-O que mais você quer que eu faça? Eu faço tudo o que vocês pedem! Mas parece que nada é suficiente!— sua voz estava carregada de frustração, o peito arfando. Ele balançou a cabeça, tentando controlar o nervosismo. — "Não posso nem mesmo ter um pouco de paz! Quando tento, vocês reclamam!"

A mãe o encarou com uma expressão de indiferença, como se suas palavras fossem apenas mais uma irritação.

-Eu só quero que você seja normal. Quero que você tenha amigos, que faça coisas que as outras crianças fazem. Você não pode continuar assim.

William olhou para ela, os olhos cheios de dor e angústia. Ele sentiu um peso imenso se formando em seu peito.

-Eu sou normal... mas tem tanta coisa na minha cabeça. Tanta coisa acontecendo... E vocês me pressionam, sempre pedem mais de mim.

Ela o encarou, sem compreender de fato o que ele queria dizer, seu olhar um misto de raiva e incompreensão.

-Pressionado? De que? Eu não vejo nada disso.

William suspirou, uma sensação de cansaço profundo tomando conta de seu corpo. Ele se levantou, sentindo o calor da frustração se tornando insuportável.

-Esquece. Não dá pra conversar com você.

-Vai para o seu quarto agora! — a mãe ordenou, a voz cortante, a raiva visível. — "Quando seu pai chegar, nós vamos conversar. Isso não vai passar."

Sem uma palavra, William se afastou da cozinha e subiu as escadas, o coração batendo forte, os punhos cerrados. A raiva o consumia. Ele sentia-se cada vez mais preso dentro daquela casa, dentro daquelas expectativas que nunca podiam ser atendidas.

Mais tarde, 22:45
Na sala, o ambiente estava tenso. A mãe de William, agora com os braços cruzados, olhava pela janela com uma expressão dura, seu rosto fechado.

- Aquele garoto está saindo dos limites! — ela murmurou para o marido, a frustração tornando-se cada vez mais evidente.

Magnus, o pai de William, suspirou, tentando manter a calma.

-Acalme-se. Ele é só uma criança. Nosso filho, lembra?-

Mas a mãe, já no limite da paciência, não estava disposta a ouvir. Ela virou-se para ele, seus olhos cheios de desdém.

-CHEGA, Magnus! Eu não aguento mais. Aquela aberração não é meu filho. E eu vou resolver isso do meu jeito!-

Naquele instante, William, que havia escutado tudo escondido em seu quarto, sentiu um gelo no estômago. O medo e a dor invadiram seu peito, mas algo mais surgiu. Uma necessidade de fuga, de escapar de tudo aquilo.
Ele caminhou até a janela de seu quarto, sentindo o peso das palavras de sua mãe martelando em sua mente. Sem pensar duas vezes, ele se jogou na escuridão da noite, saltando para o lado de fora e desaparecendo na rua.
Do lado de fora, na rua
William correu, o vento cortante batendo contra seu rosto. Ele não sabia para onde estava indo, mas não importava. Apenas sentia que precisava ir. Algo o observava, algo que ele não podia ver, mas sentia sua presença, como uma sombra que o seguia de perto.
Enquanto isso, dentro da casa, a mãe de William entrou no quarto dele e imediatamente percebeu que ele não estava mais lá. O vento frio entrava pela janela aberta, como uma lembrança de sua fuga.

-Magnus, ele fugiu!— ela gritou, a voz repleta de pânico.

A noite caiu sobre a cidade, e William, com o coração disparado, seguiu seu caminho pelas ruas vazias, sabendo que algo dentro de si mudaria para sempre.

Desconhecido:

-Briga de família, isso é ótimo...-

A risada ecoou na escuridão, um riso baixo e debochado, como se alguém estivesse acompanhando cada movimento do garoto.

O caos estava em toda parte. A cidade, que já foi um lugar vibrante, agora parecia um campo de batalha silencioso. William, sem saber para onde ir, caminhava pelas ruas vazias, o coração acelerado e a respiração ofegante. Ele tentava entender o que estava acontecendo, mas sua mente estava confusa.

O que eu faço... para onde eu vou? — Ele murmurava para si mesmo, enquanto olhava em volta, buscando qualquer sinal de resposta.
Foi então que uma voz surgiu, quebrando o silêncio opressor.

Garoto? — a voz chamou, firme, mas não ameaçadora. — Você parece perdido. Precisa de ajuda?

William se virou rapidamente, vendo um homem parado a uma curta distância, olhando para ele com um semblante calmo. Por um momento, ele hesitou. A cidade estava em ruínas, e ele sabia que não podia confiar em qualquer um. Tentou afastar-se.

Ah... não, obrigado... — disse, com a voz um pouco trêmula, tentando esconder seu medo.
O homem não se afastou. Ele deu um passo em direção a William, que sentiu o instinto de continuar caminhando, mas a voz insistente veio novamente.

Espera, deixe-me te ajudar!
A figura se aproximou mais, e, antes que William pudesse reagir, o desconhecido tocou seu braço. William se encolheu, seu corpo reagindo por conta do medo.

P-por favor, me solta! — Ele pediu, um pouco apavorado, tentando se afastar.

O homem olhou para ele com uma expressão de calma, como se tentasse tranquilizá-lo.
Eu não vou te machucar. Só quero ajudar. — A voz foi reconfortante, mas William, em seu estado de pânico, não conseguia confiar.

Eu não preciso de ajuda... mas, m-muito obrigado... — Tentou se esquivar mais uma vez, forçando um sorriso, mas sentindo o coração disparado.

O homem suspirou, mais como se se resignasse do que por raiva, e falou com uma calma quase irritante.
Eu não vou te ajudar... Eu já te ajudei, você querendo ou não.
E, sem mais palavras, o homem fez um movimento rápido para nocautear William, tentando desacelerar o pânico do jovem. Ele não o matou, mas a pressão física foi suficiente para que William ficasse tonto e desmaiasse em um instante.

Teria sido mais fácil se você tivesse colaborado... — murmurou o homem, com um tom quase cansado, enquanto segurava o corpo de William.

Com cuidado, ele o colocou no banco de trás de um carro e seguiu, sem pressa, enquanto fazia uma ligação. Sua voz foi firme e objetiva.

Senhor, encontramos mais um... — Ele disse, como se estivesse apenas relatando um fato.
A voz que respondeu era controlada e autoritária.

Ótimo. Traga-me para mim, Steven.
Como desejar... — respondeu Steven, desconectando a ligação.

A viagem foi curta, mas longa o suficiente para William ainda se sentir desorientado ao acordar. O local ao seu redor era sombrio, sem muitas características que o ajudassem a entender onde estava. Ele tentou se levantar, mas uma leve dor de cabeça o impediu.
Antes que pudesse se mover mais, ouviu uma voz grave e estranha, como se estivesse sendo observando de longe.


Uma criança? Interessante... — a voz falou, ecoando no ambiente como se estivesse medindo algo, mas William não conseguiu entender o significado.
Steven, sem pressa, colocou William no chão de maneira cuidadosa. Quando a figura à frente se aproximou, uma presença fria e calculista preencheu o ambiente. A voz novamente falou, clara e precisa.
Essa criança... parece ter algo. — A voz soou como se estivesse analisando cada detalhe de William.
O jovem mal conseguia processar as palavras, seu corpo ainda fraco e a mente turva pela confusão. Ele só sabia que estava em algum lugar distante, e algo muito maior estava acontecendo ao seu redor.

Desconhecido:
Resumo rápido... — começou, sem pressa. — Após passar por dificuldades extremas e ter contato com algo que mudou sua percepção, William pode ter desenvolvido poderes... talvez telepáticos. Mas isso, você entenderá com o tempo.

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