hábitos

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Hábitos são simplesmente as ações de uma pessoa que se repetem com alguma frequência e regularidade. Todos nós temos hábitos, seja um ou, muito provavelmente, mais que isso, bom ou ruim, até mesmo imperceptível a nós próprios.

Ter um hábito é comum, completamente normal.

Depois que entrei num relacionamento sério, notei que facilmente adquirimos novas manias, envolvendo diretamente nossos parceiros ou não, e percebi as do meu namorado conforme passávamos mais tempo juntos, apreciando algumas e não compactuando muito com outras, mas faz parte. A questão é que, dentre tantos novos hábitos dele que envolvem diretamente a mim e o indispensável contato físico entre nós dois, cheguei a conclusão de que não posso viver sem quatro deles, como se precisasse percebe-los e senti-los todos os dias ou com alguma constância, eles me faziam amar mais e mais o meu gatinho siamês.

Em quarto lugar deixo o primeiro que notei e que, na verdade, já existia até mesmo antes de oficializarmos, por vezes ele pegava minha palma e deitava sobre a sua também estendida, traçando linhas imaginárias por toda a extensão até o dorso, como se estivesse lendo o mapa confuso das estações de metrô. Por mais que eu tenha consciência de que, no início, ele fazia isso por puro nervosismo de não saber como continuar uma conversa comigo ou o que fazer a seguir, aprendi a apreciá-lo e amá-lo tanto hoje porque, mesmo depois de já estarmos juntos, ele não deixou essa mania para trás, mas sim a intensificou, não mais só traçando linhas inexistentes nervosamente, como também passou a desenhar formas com agilidade. Formas que se mostravam ser caracteres, que formavam frases curtas, para que assim eu pudesse adivinhar com  facilidade. Se tornou comum ler nas linhas invisíveis que Riku desenhava em minhas mãos um "eu te amo" ou "eu gosto muito de você" Ou até mesmo "Honey" que é como ele me chama desde que a nossa relação evoluiu de só amizade pra algo mais. E sempre que ele fazia isso, eu sentia seu carinho em cada um das pequenas frases e palavras escritas.

Meu terceiro lugar fica para uma mania também não tão recente assim dele, mas que só apareceu após começarmos a nos relacionar intimamente. Em um dia qualquer, me dei conta dela e no mesmo instante cheguei a conclusão de como é melhor usar bermudas e calções invés das calças de sempre. Notei que, além dos contatos de carinho mais comuns que tínhamos, como dar as mãos e acariciar os cabelos, Riku gostava de me massagear em lugares específicos, massagens quase que inconscientes, como uma reação automática dele sempre que minhas pernas estão expostas, era como se suas mãos ganhassem vida e se movessem sozinhas. Todos os lugares em que notei essas fricções manuais gostosas e ao mesmo tempo carinhosas, eram espalhados por minhas pernas; coxas, joelhos, tornozelo. Era tão natural que até eu mesmo demorei a perceber, mas assim que me dei conta, passei a amar. E não vou admitir isso para ele tão cedo, mas andei usando menos calças desde então, principalmente em casa, só para que as mãos do meu gatinho explorem minhas pernas livremente, em fricções contínuas e suaves, sem qualquer intensão — mas, se por acaso houver, eu a conheceria com muito prazer.

No segundo lugar, fica o cumprimento pela manhã. Desde que passamos a morar juntos, nos tratamos como recém casados, principalmente meu namorado, que sempre me cumprimenta com um beijinho no nariz quando um novo dia começa. Se ele acorda primeiro, faz café da manhã e depois me cumprimenta, e se eu acordar primeiro, assim que ele acorda, vem até mim como um zumbi sonolento e fofo, e me cumprimenta, para então ir tomar banho e fazer suas coisas. É como se esse ato fosse o combustível que ele precisava para começar o dia, e eu me sentia amado todas as vezes, apenas com esse pequeno ato que se tornou rotina, me peguei estando completamente acostumado com ele, chagando ao ponto de estranhar sua ausência. Certa vez, ele precisou passar três dias na casa do irmão mais velho, e foram os piores três dias da minha vida, porque toda vez que eu acordava, ele não estava lá para me cumprimentar com seu beijinho em meu nariz... Definitivamente horrível! Concluí que o cumprimento do meu amor todas as manhãs é o meu combustível também.

E para o último, o meu favorito de todos, o meu primeiro lugar. Um ato tão meigo e genuíno que me faz sentir como se estivesse derretendo, acontece quando estamos deitados juntos, depois de alguma relação apaixonada, nossos corpos sempre estão quentes e eletrizantes pelo esforço, como se soltassem faíscas, ele se deita em cima de mim, com a cabeça em meu peito e ouve o retumbar do meu coração, que sempre bate mais forte nesses momentos porque me dou conta do quanto sou apaixonado por ele, ele conta as batidas, e eu sempre sorrio porque seu hálito quente e cabelo em contato direto com meu peito desnudo me fazem cócegas. Minha mão direita sobe até sua orelha livre, e eu massageio o lóbulo, um carinho que sei que ele gosta, que o faz se aninhar mais em mim, como um verdadeiro gatinho. Talvez esse não seja um hábito só dele, no fim das contas, mas sim nosso.

— Meu bem, o que você está fazendo? — Ouço o timbre grave numa voz mansa, que me fazia tremer às vezes, começo a recobrar a consciência sobre onde estava e o que estava fazendo antes de me perder em pensamentos. O que ele diz em seguida me faz pensar que talvez eu namore um adivinho. — Perdido em pensamentos de novo? — Ele dá uma risadinha, completamente certo do que diz, deitando ao meu lado no carpete da sala, onde estávamos pintando uma parede de lilás alguns minutos atrás.

Eu olho para ele, seus cabelos negros, os olhos bonitos que iam do atrevido ao amável com uma rapidez difícil de acompanhar, mas que sempre me diziam o quanto ele gostava de mim. O nariz desenhado, os lábios que me mostravam o sorriso mais lindo que eu já vi e me faziam ir ao céu sempre que os tocava, seu rosto era um emaranhado de detalhes airosos e gentis, que balançavam meu coração e me fazia sentir sortudo todos os dias, por saber que aquele homem tão bonito e tão incrível retribuía meus sentimentos.

— Estava pensando em você. — Digo sincero, após um tempo o admirando de perto, observando quando um sorriso grande começa a nascer nos lábios bonitos, seus olhos diminuindo de tamanho no processo, assim como suas bochechas ganham um tom mais aparente de rosa.

— Pensando em mim? de que jeito? — Ele pergunta, chegando mais perto, numa falha tentativa de me intimidar com a aproximação, apenas porque sabia que eu ficava sem jeito quando ele fazia isso. — Posso saber?

Solto uma risada soprada, sentindo o calor de sua presença abraçar meu corpo. Continuo sorrindo pequeno quando levo minha mão até a altura de seu rosto, deixando que apenas meu indicador contorne cada traço, desde sua sobrancelha até a ponta do queixo, onde parei e olhei em seus olhos, os fitando como se pudesse gritar que o amava só com esse ato, porque era isso mesmo que eu sentia.

Honey-ah — Ele chama por mim, seus olhos tão escuros brilhavam na minha direção, descendo por meu rosto, até chegarem em meus lábios. — Eu quero beijar você

E eu prendo a respiração assim que ele diz isso, era tão engraçado que, mesmo com quase dois anos de namoro, eu ainda agisse como no início do relacionamento, e ele parecia de divertir muito com isso. Riku me deixava completamente perdido quando dizia com todas as letras o que queria fazer comigo, sem nenhuma hesitação. Ele se aproxima mais, acabando com o único centímetro de distância entre nós e agraciando meus lábios com os seus, tão suaves como sempre, o leve gosto cítrico da limonada que havia tomado chegando ao meu paladar quando nossas línguas se chocam, numa dança de movimento serenos, o nosso ritmo.

Minha mão, antes em seu queixo, agora estava espalmada em sua nunca, tentando o trazer para mais perto, mesmo que isso não fosse fisicamente possível, parecia que o máximo de contato possível entre nós era o mínimo se comparado ao quanto eu queria senti-lo. Perdido no emaranhado de sentimentos que ele me fazia sentir, o puxei para cima do meu corpo, sentindo todo o peso dele ser descarregado em mim quando ele se posicionou ali com uma perna de cada lado, sem quebrar o contato, fazendo com que minha cabeça levantasse para o alcançar, até que não conseguisse mais e nosso fôlego faltasse, tornando impossível de continuar, por mais que eu desejasse o beijar por muito tempo.

Separados, nos fitamos intensamente, meu peito subia e descia rapidamente, e Riku podia ver e sentir isso, por estar com as mãos espalmadas em meu peito. Eu achei que pudesse morrer naquele momento, sem ar, toda vez que tentava me recompor, o rosto acima de mim voltava a tirar meu fôlego, me olhando com aquele olhar brilhante e penetrante. Sem querer perder tempo, e sentindo a necessidade de dizer isso a ele, eu digo com a voz cortante, mas cheia de certeza.

Eu te amo pra caramba, gatinho

— Fim.

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