Capítulo 1: Entre proteção e liberdade

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O sol já estava se pondo no horizonte, tingindo o céu de tons de laranja e vermelho enquanto Carol caminhava de um lado para o outro na sala de estar da velha casa de caçadores. O som de seus passos ecoava contra as paredes, como se sua mente estivesse igualmente dividida e presa entre os próprios pensamentos. Seus olhos azuis estavam opacos, refletindo o cansaço acumulado de tantos anos vivendo nas sombras do que ela realmente queria.

Dean estava parado na porta da cozinha, os braços cruzados, com seu típico semblante sério, mas dessa vez havia algo mais em seu rosto — uma mistura de preocupação e impaciência. Ele a observava em silêncio, esperando que Carol fosse a primeira a falar. Ele sabia que algo estava errado. Ela não era mais a menina de cinco anos que ele havia resgatado, mas, para ele, Carol ainda parecia frágil demais para o mundo que eles enfrentavam todos os dias.

— Isso é ridículo, Dean. — Carol finalmente quebrou o silêncio, sua voz carregada de frustração. Ela parou de andar e se virou para encará-lo. — Você me proibiu de ir na caçada hoje! Não sou uma criança.

Dean suspirou, esfregando o rosto com as mãos antes de responder.

— Não é sobre ser criança, Carol. É sobre saber o que você pode ou não enfrentar. — Ele deu um passo à frente, sua postura imponente. — Você não está pronta para lidar com o que estava lá fora.

Carol deu uma risada curta, incrédula, enquanto cruzava os braços.

— Não estou pronta? — Ela repetiu, as palavras saindo quase como um desafio. — Eu tenho treinado com você e o Sam desde que me lembro. Já enfrentei monstros, já matei vampiros. O que mais você acha que eu preciso fazer para provar que estou pronta?

Dean estreitou os olhos, o desgosto evidente em sua expressão.

— Não é sobre provar nada. É sobre o que está lá fora. — Ele apontou para a porta como se quisesse enfatizar o perigo. — O que enfrentamos hoje não era apenas um monstro qualquer, Carol. Era algo maior, algo que...

— Algo que você acha que eu não posso lidar. — Carol o interrompeu, sua voz subindo. — Você sempre faz isso, Dean! Sempre decide o que é ou não é bom para mim. Eu sou uma caçadora também!

O silêncio caiu sobre a sala por um momento. Dean olhou para ela, seus olhos verdes carregados de emoções conflitantes.

— Eu só estou tentando te proteger. — Ele finalmente disse, sua voz mais baixa, quase um sussurro.

Carol balançou a cabeça, frustrada.

— Proteger do quê? Da vida que você e o Sam me ensinaram a viver? — Ela deu um passo em direção a ele, seus olhos brilhando com uma determinação que Dean não via há muito tempo. — Você não pode me proteger de tudo, Dean. E, sinceramente, eu não quero que você tente.

Dean ficou em silêncio, sem saber o que dizer. Ele queria protegê-la, sim, mas sabia que as palavras dela tinham um fundo de verdade. Ainda assim, a ideia de deixá-la enfrentar o mundo sozinha era insuportável.

— Eu não posso te deixar ir, Carol. — Ele finalmente disse, sua voz firme. — Não vou te deixar se colocar em perigo.

Carol riu de novo, mas dessa vez havia dor em sua risada.

— Você não pode me deixar? Dean, você não manda em mim. Eu sou uma pessoa, uma adulta. E quer você goste ou não, eu estou indo embora.

Ela se virou antes que ele pudesse responder, pegando sua mochila que estava jogada no sofá. Dean deu um passo à frente, estendendo a mão como se quisesse segurá-la, mas parou no meio do caminho.

— Carol, espera...

Ela se virou para ele, suas mãos segurando a alça da mochila com força.

— Eu preciso de espaço, Dean. Eu preciso encontrar algo além disso. Além de caçadas, monstros e... você me dizendo o que fazer. — Sua voz estava firme, mas havia um tom de tristeza que Dean não conseguiu ignorar.

Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, Carol já estava fora da casa, o vento frio da noite tocando seu rosto enquanto ela caminhava em direção ao carro. Dean ficou parado, olhando para a porta aberta, sentindo-se impotente.

***

Depois de horas na estrada, Mystic Falls finalmente surgiu no horizonte. Carol estacionou o carro em uma rua tranquila, sentindo uma mistura de ansiedade e excitação. A cidade parecia tranquila, mas havia algo nela que a fazia sentir como se estivesse no lugar certo.

Enquanto caminhava pelas ruas, Carol viu três garotas conversando perto de uma praça. Elas riam e pareciam tão despreocupadas que Carol se sentiu deslocada por um momento. No entanto, quando uma delas — uma garota de cabelos castanhos lisos e olhos gentis — a viu, sorriu calorosamente.

— Ei, você está perdida? — A garota perguntou, se aproximando.

Carol hesitou por um momento antes de responder.

— Não exatamente. Estou... chegando na cidade. — Ela disse, sua voz insegura.

— Bem, seja bem-vinda a Mystic Falls. — Disse a garota, estendendo a mão. — Eu sou Elena, e essas são Bonnie e Caroline.

Carol apertou a mão de Elena, sentindo-se um pouco mais confortável.

— Eu sou Carol.

Bonnie, uma garota de cabelos cacheados e um sorriso acolhedor, deu um passo à frente.

— Mystic Falls é pequena, mas cheia de histórias. Tenho certeza de que você vai gostar daqui.

Caroline, a loira de olhos brilhantes, sorriu de forma animada.

— E se precisar de ajuda para se acostumar, estamos aqui. Além disso, qualquer amiga da Elena é amiga nossa.

Carol sorriu pela primeira vez em horas. Talvez Mystic Falls fosse exatamente o que ela precisava. Um lugar para recomeçar, longe das sombras dos Winchester e de tudo o que deixara para trás.

PIERCE- A DUPLICATA Where stories live. Discover now