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A tarde morreu cedo naquele dia, dando espaço para a penumbra do anoitecer dispersar os jogadores do ensino médio do 2A e 2B. Era de praxe todos eles irem tomar um sorvete na praça da quadra mesmo e passarem na mercearia antes de seguirem para casa, mas, naquele dia, dois ficaram para trás.

Do time da 2A, Bradley queria treinar um pouco mais para o jogo do dia seguinte. Aquelas manchetes ainda não passavam confiança. Da 2B, Max se despediu e Bobby e PJ, dizendo que queria melhorar o saque. Max era bom em muita coisa no vôlei, o mais entusiasmado, não havia dúvida, mas na hora do saque… a bola sempre saía do seu controle… e da quadra.

Eles tentaram se ignorar a noitinha toda depois das seis, tentando não atrapalhar o treino um do outro. Não porque não queriam atrapalhar, mas porque não queriam ser atrapalhados. Só que tentar ignorar uma pessoa bem do seu lado era a mesma coisa que acabar prestando muita atenção nela. Até porque a bola de Max toda hora atingia o lado de Bradley na quadra. “Opa, foi mal”, ele dizia. E Bradley apenas murmurava e revirava os olhos.

Na quarta vez que o desastrado atravessou a quadra, Bradley se apoiou na grade que a circundava e, pretensioso, sorriu e disse:

— Tô começando a achar que tá fazendo isso de propósito.

— Claro, Brad — Max respondeu irônico, levantando após pegar a bola do chão quase ao lado do outro — Eu estou aqui apenas para ficar errando o saque do seu lado um dia antes do último jogo.

— Parece mesmo — Bradley se aproximou, pegou a bola de suas mãos e continuou: — Faz o seguinte, assiste e anota.

Ainda no mesmo lugar, ele pôs a bola rente em uma mão e, com a outra, deu um soco de baixo para cima, a levando para o outro lado da quadra. Um saque perfeito para um estudante de ensino básico.

— Viu como se faz? Se quiser te ensino.

Max riu com o nariz, sem querer dar satisfação nenhuma ao narizinho empinado daquele idiota.

— Até parece. Se você tá se achando assim tão bom, aceita uma aposta?

Interessado, Bradley ergueu uma sobrancelha e cruzou os braços entre a bola, a abraçando, lançando apenas um “Continua”.

— Amanhã é o último jogo do ano. Simples: quem sacar melhor vence, se sacar para fora da quadra, já era. O perdedor carrega a mochila do vencedor depois da aula.

Confiante, Bradley sorriu.

— Fechado.

Não Conta pra NinguémHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora