No silêncio das páginas brancas,
a tinta preta desenha resistência.
Sou mulher, sou negra, sou lei,
sou escrita viva da existência.
Minhas tranças carregam histórias,
de mães, de avós, de batalhas.
Cada fio, um manifesto,
cada passo, uma vitória que nunca falha.
No tribunal, meu tom ressoa,
forte como o tambor ancestral.
Minha presença, um ato de justiça,
um grito contra o abismo racial.
Aprendi a dobrar o aço do mundo,
e fazê-lo dançar sob meu comando.
Minha eloquência é afiada como lâmina,
mas meu coração é puro e brando.
Carrego nas mãos a caneta,
que antes negaram à minha gente.
E com ela, redesenho o futuro,
para que nunca nos tratem como ausentes.
A beleza de ser mulher e negra,
não está só na força que resplandece,
mas na coragem de existir em um espaço,
que muitas vezes nos desconhece.
Sou advogada, sou guerreira, sou sonho,
sou o ontem que venceu o açoite.
E na pele que brilha sob o sol,
sou o amanhecer de um novo horizonte.
Que cada jovem negra que me vê,
encontre a força no espelho da vida.
Pois ser mulher, negra e advogada
é ser poema, escudo e guarida.
