Dúvidas

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Em tempo longínquo, quando os mares eram dominados por corsários famintos por glória, riqueza,poder e magia, a lenda de uma relíquia inestimável os guiumava por águas traiçoeiras. Não era ouro ou joias que despertava a cobiça desses piratas, mas uma pedra mística, do tamanho de uma simples ervilha, capaz de conceder milagres a quem dela se apoderasse. Diziam os antigos que, ao triturar essa pedra e consumir seu pó, qualquer desejo poderia ser realizado. Poderiam curar doenças e problemaas incuráveis, trazer um amor perdido de volta à vida, ou até mesmo virar a pessoa mais forte desse mundo.

Era essa lenda que guiava piratas bastardos, imbecis e molengas. Pelo menos, era assim que Satoru os via. Ele trabalhava em uma taverna conhecida como a "Casa dos Piratas", pois, todos os dias, homens com chapéus adornados por caveiras surgiam, acompanhados por imensas tripulações barulhentas e beberronas.

- Satoru, pense bem. Você deveria parar de ser tão cabeça-dura com os piratas - dizia o velho Sr. Mikhail, tentando inútilmente convencer o rapaz de que nem todos os piratas eram ruins.

- Isso é o que você pensa - retrucava Satoru, com desdém.

Sua aversão pelos piratas vinha de anos de amargura. Aquela maldita lenda não fazia sentido algum para ele. Salvar sua "amada"? Ou curar um companheiro da própria desgraça de doenças incuráveis? Que piada.

- Isso é ridículo - murmurava, enquanto limpava o balcão com força excessiva.

Para Satoru, piratas não eram nada além de ladrões traiçoeiros, homens sem honra, que jamais deveriam ser confiados. Sempre se gabavam de suas conquistas, competindo entre si para ver quem voltava à taverna com o cartaz de procurado mais valioso ou, no auge da presunção, com a lendária pedra mística em mãos.

Mas, no fim, era tudo mentira.

Nenhum homem jamais retornava depois de desafiar o mar traiçoeiro. Nem mesmo a mãe natureza parecia apoiar aquele ato absurdo de cobiça e loucura. A taverna estava cheia de histórias de bravura, mas vazia de verdadeiros heróis. Satoru, que já estava acostumado a preparar a taberna para a chegada de mais amadores, sabia bem o que os aguardava. Ele mesmo já fora um desses jovens, perdido nas noites de aventura, há muitos anos.

"Tsk, não importa o quanto eu esfregue, essa maldita mancha não sai", pensava ele, frustrado com a sujeira que parecia nunca desaparecer.

Havia algo diferente naquele dia, uma sensação de inquietude que ele não conseguia entender, mas também não se importava. Era só mais um dia de trabalho, e ele sabia como lidar com isso.

Quando abriu as portas da taberna, foi como soltar uma avalanche. Homens com chapéus estranhos e pessoas barulhentas entraram, mais uma vez. Com um suspiro cansado, Satoru se encaminhou para o balcão, pronto para atender aqueles homens famintos.

- Ei, garoto! Traga a bebida mais cara que você tiver! - gritou um homem barrigudo, com pelo menos cinco dentes faltando na frente.

Quando Satoru se virou para ir até a despensa, sentiu um aperto firme em seu braço, tão inesperado quanto desconfortável. Ele girou o corpo imediatamente, o rosto assumindo uma carranca inconfundível, carregada de irritação e cansaço.

- Meus camaradas me disseram que havia alguém aqui que atendia com um rosto sereno e sério - começou a voz grave, carregada de um tom atrevido e provocador. - Mas, vendo uma bonequinha reagir assim, confesso que fez minhas entranhas tremerem de agitação.

O chapéu do estranho caiu no chão com o movimento, revelando seu rosto. Ele era... peculiar, no mínimo. Um homem que exalava algo inclassificável - uma mistura de estranheza e audácia - e que pronunciava aquelas palavras sujas com uma confiança absurda, como se desconhecesse o significado da palavra "vergonha".

A Lenda Da Pedra Mística Stories to obsess over. Discover now