O aeroporto estava uma bagunça. Pessoas correndo para pegar voos, famílias se despedindo, o som incessante de malas rolando e anunciadores falando sobre embarques. Isabella puxava sua mala com uma mão enquanto segurava o celular com a outra, tentando confirmar pela terceira vez o portão de embarque. Suas amigas, Ana e Júlia, andavam à frente, rindo sobre a viagem que planejavam há meses.
Eu deveria estar mais empolgada... pensou Isabella. Eu sempre quis fazer uma viagem assim, apenas eu e as meninas, sem preocupações. E, no entanto, só consigo pensar em tudo o que está me esperando quando voltar. Como se essa viagem fosse apenas uma distração temporária.
A cada passo, ela sentia uma pressão no peito, como se o momento estivesse pedindo para ela ser algo que não era. Ela sabia que precisava se desligar um pouco, viver o agora. Não, eu vou aproveitar isso ao máximo. Não vou deixar que o trabalho ou a rotina me sigam.
— Bella, anda logo! — Ana gritou de longe.
— Já tô indo, calma! — Isabella respondeu, tentando se forçar a acelerar o passo.
Finalmente, o trio passou pela segurança e seguiu para o avião. Quando chegaram à porta do embarque, Ana e Júlia logo acharam seus assentos, enquanto Isabella caminhava pelo corredor procurando o número no bilhete. A pressão sobre os ombros parecia aumentar à medida que ela se aproximava da poltrona marcada.
Ela parou abruptamente quando viu o assento ao lado da janela ocupado por um rapaz, que estava olhando fixamente para o seu bilhete. Ele era alto, com cabelos castanhos bagunçados e uma jaqueta preta. Quando ele levantou os olhos e a viu, um sorriso fácil apareceu em seu rosto, o que fez Isabella engolir em seco.
Ok, respira, Isabella. Só uma viagem, só uma viagem... Mas por algum motivo, seu coração começou a acelerar.
— Oi, parece que você vai sentar aqui — disse ele, levantando-se para dar espaço. A voz dele era suave, e o sorriso parecia genuíno.
Eu... Eu não sabia que ainda existiam pessoas tão... simpáticas assim — pensou ela, tentando não parecer nervosa demais.
— É, isso mesmo. Obrigada — respondeu, esforçando-se para manter a calma.
Isabella guardou a mala no compartimento superior e, enquanto lutava para posicioná-la corretamente, sentiu o rapaz estender a mão.
— Deixa que eu ajudo — disse ele, com um tom natural, sem pressa.
Isso é um pouco... demais? Ou ele está apenas sendo educado? Isabella hesitou por um momento, mas logo se deu conta de que era apenas uma ajuda simples.
— Ah, obrigada — disse, tentando se controlar, mas não conseguindo evitar o calor que subia pela sua face.
Ela finalmente se acomodou na poltrona, e o rapaz se sentou ao lado dela, ajeitando sua mochila no chão. Ele parecia confortável, mas havia algo nela que não conseguia deixar de observar. Aja naturalmente, Isabella. Ele não vai morder...
— Sou Griffin, a propósito — disse ele, quebrando o silêncio, com um sorriso tímido, mas confiante.
Isabella piscou, momentaneamente surpresa com a introdução. Ela não costumava ser muito boa em interações espontâneas.
— Isabella.
Griffin deu uma olhada na tela do celular, que ele estava segurando, e, em seguida, a olhou novamente, como se tentasse descobrir algo. Isso é estranho... pensou Isabella. Ele parece estar me observando mais do que o normal. Por que ele não olha para o celular como todo mundo?
— Então, está indo de férias ou trabalho? — perguntou ele, tentando dar continuidade à conversa.
Vacas no trabalho, férias maravilhosas... Não, espera, não é isso que ele quer saber. Isabella forçou um sorriso.
— Férias — respondeu ela, com um tom leve, tentando parecer relaxada. — E você?
— Trabalho... mas vou tentar aproveitar ao máximo. — Griffin sorriu, parecendo completamente à vontade.
Por que ele parece tão... descontraído? Como se estivesse em casa aqui? Isabella se sentiu um pouco mais tensa, mas logo tentou se acalmar. Não havia razão para se preocupar com isso, certo?
A conversa foi interrompida pela voz do comissário de bordo pedindo para que todos apertassem os cintos. Isabella olhou pela janela, sentindo aquele nó na barriga que sempre aparecia durante a decolagem. O avião começou a rolar na pista, e o som do motor ficou mais forte.
Por que esse nervosismo nunca vai embora? Isabella fechou os olhos por um momento, respirando fundo. Talvez eu precise de uma distração. Por isso mesmo o Griffin está ali, não é? Para que eu me distraia e não pense em nada que me deixe tensa...
— Você não gosta de voar? — perguntou Griffin, percebendo sua expressão tensa.
Isabella hesitou, mas, de alguma forma, se sentiu à vontade para ser honesta com ele.
— Não muito — admitiu, sorrindo de lado.
Griffin deu uma risada baixa e cheia de compreensão.
— Bom, eu sou meio viciado em voar. Me ajuda a pensar nas coisas que estão por vir...
Que tipo de pessoa... gosta de voar? Isabella não sabia se ele estava brincando ou sendo sério, mas sua risada era boa o suficiente para que ela se sentisse mais à vontade.
— Como assim "pensar nas coisas que estão por vir"? — Isabella perguntou, curiosa.
Griffin deu um meio sorriso e olhou para frente.
— Ah, sei lá... Eu fico pensando nas possibilidades. O que vou fazer quando chegar no meu destino, como será o dia. Para mim, é como... uma pausa para organizar meus pensamentos.
Isso soa... calmo. Ele consegue ser calmo. Eu preciso aprender a ser mais calmo. Isabella sorriu de volta.
— Ah, é interessante. Acho que eu me distraio mais com... tudo o que está acontecendo no avião. Não consigo focar nas "possibilidades".
Griffin olhou para ela com um sorriso divertido, como se estivesse captando a sutileza de suas palavras.
— Talvez você precise de um pouco de café. Aí quem sabe as possibilidades venham até você.
Ele chamou a comissária de bordo e pediu dois cafés, oferecendo um a Isabella.
— Considere um brinde à nossa viagem compartilhada — disse ele, com um sorriso caloroso.
Brinde? Bem, não custa tentar. Isabella aceitou o café, seus dedos tocando levemente os dele ao pegar o copo. O toque foi rápido, mas ela sentiu algo ali. Um pequeno choque de energia. Ela não conseguia deixar de se perguntar o que isso significava.
— Brindemos, então — respondeu, sentindo uma sensação de calma pela primeira vez desde que entrou no avião.
O resto do voo foi tranquilo. Enquanto conversavam sobre viagens, lugares e até sobre os destinos que eles ainda queriam explorar, Isabella não conseguia deixar de pensar como aquele encontro, que parecia tão casual no início, estava se tornando algo mais. Algo... inesperado. Algo que ela não sabia se estava preparada para explorar.
Mas quem diria? Um simples voo, e tudo isso já está acontecendo...
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Flerte nas alturas
RomanceIsabella uma moça de 20 anos,só queria aproveitar uma viagem inesquecível com as amigas, mas tudo muda quando conhece um rapaz chamado Griffin,irresistivelmente charmoso, que se senta ao seu lado no avião. Entre conversas que começam com brincadeira...
