O recomeço é como uma tela em branco: cheia de possibilidades, mas também de medo do desconhecido. No entanto, não é o futuro que devemos temer, mas a coragem de não tentar, tento me agarrar nessas palavras ditas por minha mãe antes de me despedir para iniciar minha carreira como perita criminal em outra cidade.
Estou seguindo o meu sonho, mas a ansiedade parece pesar como uma pedra no meu peito. Começar algo novo nunca foi fácil para mim, e hoje, no meu primeiro dia na delegacia, essa sensação está mais intensa do que nunca. Mudei de cidade, deixando para trás tudo o que conhecia, e agora moro sozinha em um apartamento pequeno, de um quarto. Cada canto da nova rotina ainda parece estranho, como se eu estivesse testando o terreno antes de me sentir realmente em casa.
A cidade é pequena e pacata, com ruas tranquilas. Por isso, a delegacia não fica longe do meu apartamento. Aqui, não há um instituto de perícia separado; tudo é concentrado. Pelo que me explicaram, provavelmente serei a única perita criminal responsável por analisar documentos, examinar locais de crime e elaborar laudos. Essa responsabilidade me deixa animada, mas também me faz questionar se estou realmente preparada para o desafio.
Passei por muita coisa recentemente. Meu último relacionamento, que durou anos, parecia mais um campo de batalha do que uma parceria. Eu sabia que algo estava errado há muito tempo, mas me agarrava à ideia de que as coisas poderiam melhorar, que ele mudaria ou que eu conseguiria suportar. Não foi o caso. Terminar foi como rasgar uma ferida que eu já sabia que estava ali, mas não tinha coragem de encarar. E, ao invés de aceitar o fim, ele tornou tudo ainda mais difícil. Não aceitou minha decisão e começou a me perseguir, como se cada mensagem, cada tentativa de me encontrar, fosse uma forma de me lembrar que eu nunca estaria completamente livre.
Foi isso que me empurrou para uma nova cidade. Mais do que uma mudança geográfica, essa decisão foi uma tentativa desesperada de me reencontrar, de construir uma nova versão de mim mesma longe de tudo o que me prendia. Aqui, onde ninguém me conhece e ninguém sabe o que passei, sinto como se tivesse uma chance de recomeçar.
Ser perita é uma profissão que sempre foi um sonho na minha vida. Sinto que nasci com um dom para investigação, uma habilidade natural de perceber os detalhes que outros podem ignorar. Além disso, minha intuição é extraordinariamente forte, o que muitas vezes me guia nas situações mais complexas. No entanto, confesso que, em alguns momentos, a insegurança me fazia duvidar da minha capacidade de seguir esse caminho. Eu me questionava se realmente teria o que é necessário para lidar com os desafios dessa profissão, se seria capaz de enfrentar as pressões e tomar as decisões corretas sob tanta responsabilidade, porque ao mesmo tempo que sou forte e determinada, também sou chorona e sensível, o que me fazia temer que essas características pudessem me tornar vulnerável diante das dificuldades. Às vezes, me perguntava se minha empatia poderia me tornar frágil diante de situações intensas e dramáticas, tão comuns na área da perícia. Mas, com o tempo, aprendi a equilibrar essas facetas dentro de mim. A sensibilidade, que eu antes via como uma fraqueza, passou a ser uma aliada na compreensão das pessoas e na análise das evidências de maneira mais profunda e humana.
Eu descobri que, embora minha força e determinação me impulsionam a seguir em frente, a sensibilidade me permite ver nuances e aspectos que outros poderiam deixar passar. O choro, que antes parecia um sinal de fragilidade, se transformou em uma forma de liberar a tensão acumulada e manter minha saúde emocional intacta. Aos poucos, fui percebendo que minhas emoções, longe de me limitar, me tornaram uma profissional mais completa, capaz de lidar com a complexidade e o peso da profissão. Porém, determinadas vezes a falta de confiança vêm à tona, mas já entendi que isso faz parte de mim, ou talvez de coisas relacionadas ao meu passado e minha família. Mas, ao longo do tempo, percebi que esses momentos de dúvida são parte do processo de crescimento. Eles me ensinaram a valorizar o que realmente importa: minha dedicação, minha curiosidade insaciável e minha capacidade de aprender com cada erro.
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Sob o Comando de Ares
ChickLitSelene acabou de sair de um relacionamento conturbado e, com a cabeça cheia de dúvidas e cicatrizes emocionais, tenta recomeçar sua vida. Iniciando sua carreira como perita criminal, ela é transferida para uma nova delegacia onde precisa lidar com u...
