CAPÍTULO 1

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Num dia ensolarado de verão, a aula de matemática parecia estar fritando meu cérebro. Me sentia presa dentro da sala de aula ouvindo o professor Robison explicando o que quer que seja enquanto pela janela eu avistava intime de futebol da escola treinar no campo de futebol da escola.

- Perdeu os olhos lá? - num sobressalto saio do transe, com a voz de Deise em meu ouvido.

Deise é minha melhor amiga há anos e estudamos juntas desde o primeiro ano do fundamental, quando seus pais se mudaram para uma casa em frente a minha. Desde o primeiro dia em que nós conhecemos onde eu estava andando de bicicleta pela rua e Deise a tomou de mim, não nos desgrudamos mais.

- Eu só... Essa aula está me matando. Quero ir embora. - respondo na defensiva. Deise sabe que mal me importo com os atletas da escola, mas assisti-los enquanto teriam é melhor do que tentar resolver cálculos.

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No fim da aula, enquanto arrumo meu material com todo cuidado na mochila, Deise fecha seu caderno com lápis e  a caneta ainda dentro dele e o põe em sua mochila de qualquer maneira. Tão rebelde e impaciente. Arruma seus longos cabelos ruivos num coque bagunçado e o prende com uma de suas canetas que sobrou em nossa mesa. A observo de canto de olho enquanto termino de recolher meus materiais.
- Você deveria tratar seu cabelo com mais carinho já que não faz com  seu caderno. - digo ao fechar minha mochila e a ajeitar nos ombros.
- Anotado senhora. Agora vamos logo  pois preciso falar com Samuel antes de ele correr pro vestiário. - ela diz ao mesmo tempo em que faz o gesto de continência e me arrasta porta a fora. 
- Não seja boba, só estou cuidando de você. - afirmo e saimos da classe.

Pelos corredores só se ouve falar sobre a competição de futebol da próxima semana, o time da  nossa escola irá competir com o time da escola do bairro vizinho.
Samuel, o namorado de Deise é o capitão do time da nossa escola, mesmo com seus quase 1,90 de altura e seus músculos que o fazem parecer um armário, parece uma criança quando está com medo e precisa da mãe por perto,  Deise precisa motivá-lo todas as vezes em que vai treinar ou jogar. Sabe-se o que ela diz ou faz ou promete fazer a ele, mas funciona. Nunca perdemos um torneio.

Depois de Deise fazer sabe -se lá o que para acalmar seu namorado, voamos para minha casa, para fazer o trabalho de história que deveríamos ter feito há dias semanas mais Deise estava ocupada demais de revesando em assistir as aulas, ajudar do restaurante da sua família e acompanhar Samuel nos treinos. Bati o pé em protesto me negando a fazer sozinha mais uma vez uma um trabalho que é mais importante para ela do que pra mim, já que tenho bota o suficiente para passar de ano. Nosso último ano. Depois de uma semana discutindo todos os dias pelo bem de suas notas, Deise concordou em ir a minha casa realizar o trabalho.

Duas horas mais tarde, estamos cansadas de ler e escrever sobre o feudalismo. Estou tão exausta que nem se quer consigo responder as mensagens que chegaram no meu celular.
Debruçada em cima da mesa, Deise me promete que não ficará triste em não participar da nossa formatura do ensino médio, mas que jamais voltará a se dedicar tanto em um trabalho.

Meu celular vibra insistentemente, e pela tela, vejo que é Fernando  e decido responder.

(Caramba, finalmente! O que tanto faz com sua amiga que não consegue tirar uns minutos para me responder?)

(Oi, trabalho de história, requer tempo, pesquisa, escrita e dedicação. Desculpe, estou mesmo envolvida no trabalho.)

Fernando é super insistente quando o assunto é dar atenção a ele. Gosta de exclusividade sem se importar com mais nada além dele. Já estou acostumada. Respiro fundo e solto o ar pela boca, tentando esvaziar minha cabeça com essa situação rotineira. Deise percebe.

- Deixa eu adivinhar? Fernando exigindo sua atenção? - Deise revira os olhos e continua a escrever

- Sim, mas você faz a mesma coisa com Samuel, não é?

- Nem sempre, Rebbeca. Respeitamos o espaço um do outro. Hoje é o treino dele e eu vim fazer a tarefa com você. Nas outras vezes estou no meu trabalho e ele no dele. É diferente. - Deise se levanta - Curtimos a atenção um do outro quando nos encontramos. É assim que deveria ser com todos. - ela se explica enquanto alonga seus braços e pernas.

- Mas Fernando respeita meu espaço, ele apenas é preocupado. - eu o defendendo na tentativa de limpar a barra do meu namorado com a minha melhor amiga que as vezes é mais exigente que minha mãe.

- Ser preocupado é diferente de  ser controlador. Tenta tirar sua atenção da realidade até de longe. - ela diz, fitando o caderno. - Surreal.

Fico em silêncio analisando sua última fala.

Minha mãe preparou  o almoço, macarrão a bolonhesa, paramos para a refeição e logo retornamos para o meu quarto a fim de não perder tempo. Passamos o resto da tarde falando apenas de feudalismo. Deise percebeu meu desconforto após falar do meu namorado, mas não voltou no assunto novamente.

Anoiteceu, me despedi de Deise, voltei para meu quero e organizei meu material para o dia seguinte, decidi ir para o banho e descansar um pouco na cama, antes do jantar. Normalmente costumo ajudar minha mãe no preparo dos jantares e comer com meus pais, mas depois da tarefa escolar de hoje, não me restam mais forças para nada. Caio na cama. Acordo com uma brisa fria invadindo o quarto pela janela aberta. Checo meu celular, vejo duas mensagens de Deise avisando que chegou e dez mensagens de Fernando incluindo mais três ligações.
Ignoro quando vejo que já se passa de meia noite e ambos não irão responder.
Vou até a cozinha pois estou faminta, deixo o celular na mesa e vejo o bilhete de minha mãe na geladeira, meu jantar estava no microondas.

Meu celular toca e vejo o nome de Fernando na tela. Rapidamente atendo no segundo  toque, antes que meus pais possam acordar.

Depois de atender, e ele permanecer em silêncio, noto sons ao fundo e ouço vozes de mulheres.

Tudo Mudou Opowieści tętniące życiem. Odkryj je teraz