Um domingo melancólico.
Me encontro nas entrelinhas dos poemas que você nunca entendeu, nas palavras difíceis da poesia.
Comum ver-me nas brechas deixadas pelos filmes mal feitos.
Costumo me esconder nas frases doloridas da tristeza, nas palavras amorosas dos apaixonados e nas risadas mais gostosas da felicidade.
Sendo assim não tem porque me procurar nas coisas simples da vida.
Basta me procurar no que não pode ver, o que não tem explicação, o que não pode entender.
Gostaria de dizer que sou fácil, mas tenho um começo no complicado e um fim no indecifrável.
Sou barro seco. Moldar vai me fazer quebrar e esfarelar... Talvez deva ser assim. Tem coisas que não mudam.
Assim como um rio, as vezes raso, as vezes profundo. Tudo depende das estações.
Emoções nubladas, forçadas ou inexploradas.
Sou ausente, assim como presente. Não posso ficar, não facilmente.
Vou embora, mas deixarei um marco, um legado, assim como amoras secas em um pano branco.
Odeio segundas-feiras, meias molhadas e frases interminadas.
Amo os sábados, terra molhada e conversas intensas.
Se fui penso em ficar, se fiquei penso em ir.
Inimigo do tempo e do momento.
A tristeza me acolhe, a felicidade me assusta.
Astuto sou eu que nada quero além de uma noite chuvosa e uma cama confortável.
Inabalável é aquele que não precisou conhecer o desastre que sou.
Estou em prantos, o futuro me assusta, o presente me insulta e o passado...
O passado me fez perder a conduta, por mais que eu não tenha culpa.
Preteritamente moldado, sou a sombra do que já fui, se é que fui.
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Rësatite - Memórias ântumas.
PoesiaMe encontro nas palavras difíceis da poesia, aquelas que você nunca entendeu. • • • É dessa escuridão que eu falo. A escuridão que a tristeza trás quando não temos mais vontade de chorar e de sorrir, de viver e de morrer. • • • E então, nossas almas...
