Mundo desconhecido.

15 2 2
                                        

Era uma noite como qualquer outra. O vento frio cortava as ruas mal iluminadas enquanto um garoto caminhava de volta da escola. Ele gostava de andar por ali, mesmo que a escuridão tornasse a paisagem um pouco assustadora.

No meio do caminho, ele viu algo estranho. Uma velha, de aparência cansada e roupas gastas, estava parada no portão de uma casa abandonada. Seus olhos fundos pareciam penetrar na alma dele, e um sorriso quase imperceptível curvou os cantos de seus lábios.

O garoto hesitou, mas continuou andando. Quando passou pela velha, ela sussurrou algo que o fez congelar:
— Está próximo...

Ele parou e olhou para trás.
— O quê? O que está próximo?

Mas a velha já não estava mais lá.

Confuso e inquieto, ele apressou o passo até chegar em casa. Tentou ignorar o ocorrido, convencendo-se de que era só sua imaginação pregando peças. No entanto, aquela frase continuava ecoando em sua mente: "Está próximo."

Mais tarde naquela noite, quando deitou para dormir, o sono veio rápido. Porém, ele acordou em um mundo idêntico ao seu — a mesma cama, o mesmo quarto. Só que algo estava diferente. Ele não conseguia se mover.

Preso à cama, ouvia sons aterrorizantes vindos do lado de fora: gritos, metal se chocando, rugidos de criaturas que ele nunca tinha ouvido antes.

O que significava tudo aquilo? E o que a velha sabia sobre ele?

Ele tentou se mexer, mas era inútil. Seus braços e pernas estavam como presos por correntes invisíveis. O esforço apenas o fazia suar frio, enquanto a angústia crescia em seu peito. Ele estava ali, imóvel, por horas.

O ambiente ao redor parecia idêntico à sua casa, mas algo estava errado. Tudo estava vazio. Sem os sons familiares de sua família, sem o conforto das luzes acesas. Era como se alguém tivesse arrancado a alma do lugar.

A cama onde estava deitado ficava de frente para a porta do quarto, que estava entreaberta. Pela fresta, ele conseguia ver um pedaço da cozinha e, mais ao fundo, a varanda. Tudo estava mergulhado na escuridão, exceto por uma luz fraca que entrava da rua, criando sombras que pareciam dançar nas paredes.

O silêncio era assustador, mas não durou muito. Logo, sons vindos de fora da casa começaram a preencher o ar. Passos pesados, como se algo enorme estivesse caminhando por ali. Em seguida, ele ouviu o que parecia ser metal se chocando — como espadas ou armas —, seguido por gritos de dor.

Seus olhos estavam fixos na porta. Cada ruído fazia seu coração disparar. A porta parecia tremer levemente, como se algo do lado de fora a pressionasse, tentando entrar.

Ele quis gritar, mas sua voz também estava presa. Tudo que podia fazer era assistir e ouvir, enquanto sua mente tentava desesperadamente entender o que estava acontecendo.

De repente, um som diferente se destacou: passos leves, quase silenciosos, mas próximos. Eles vinham da cozinha.

O garoto estava apavorado. Seu coração batia tão forte que parecia ecoar pelo quarto vazio. Ele não sabia o que fazer, então fechou os olhos com força, como se isso pudesse afastar o terror.

Os passos continuavam, agora claramente vindo da cozinha. Algo estava ali. Ele ouvia objetos sendo arrastados e o som de gavetas sendo abertas e fechadas bruscamente. Parecia que a criatura estava revirando tudo, como se procurasse alguma coisa.

A tensão era insuportável. Ele tentou não respirar muito alto, temendo que aquilo pudesse ouvi-lo.

De repente, o barulho parou.

O silêncio era ainda mais assustador. Ele abriu os olhos, apenas uma fresta, e viu uma sombra gigantesca projetada na parede. O que quer que fosse, estava parado no meio da cozinha.

O problema do mundo sem fim.Stories to obsess over. Discover now