único

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— Vocês acharam mesmo que seria uma boa ideia dizer ao Gojo que Geto estava passando mal no banheiro, apenas para a aula ser cancelada? — perguntou o diretor Yaga.

— Mas foi o Yuji quem fez isso, não eu, diretor! — Megumi exclamou, visivelmente alterado. Ele só deu risada do desespero do professor, apenas isso.

— Você também vai ser punido, justamente por não ter impedido seu colega.

— Por favor, diretor, não nos faça limpar o banheiro como fez com o Sukuna. Se descobrirem vão passar bosta nas paredes como fizeram ano passado. — Itadori suplicou com os olhos lacrimejando e as mãos juntas.

— O quê!? Isso realmente aconteceu? — indagou o adulto, surpreso. Yuji concordou com a cabeça. — Eu não sabia disso... Enfim! Então vocês devem catar as folhas do pátio, a não ser que prefiram ir para a detenção.

Itadori e Fushiguro se entreolharam e sorriram.

— Pode deixar conosco, diretor, o pátio vai ficar limpinho!

(...)

— Se eu soubesse que tinha tantas folhas assim, teria escolhido ir pra detenção. — Megumi comentou, suspirando alto. Logo após, passou as costas da mão na testa para secar o suor e se apoiou no pequeno catador que o diretor forneceu.

— Relaxa, estamos quase terminando! — Yuji encorajou o amigo com um sorriso radiante.

Tão radiante quanto os raios solares que torravam os neurônios deles.

— Quer tomar uma água antes de continuarmos? — Itadori perguntou.

— Pode ser.

— Vamos para a sombra descansar um pouco.

Megumi concordou com a cabeça e jogou o catador de folhas no chão, que era somente um pau com um espeto na ponta. Em seguida, ele seguiu Yuji até a grande árvore de cerejeira e ambos se sentaram atrás dela.

Estava mais calor do que o normal.

— Foi aqui onde a gente se conheceu, lembra? — Itadori, com um sorriso tímido, indagou.

— Lembro... Você me salvou do Mahito e do Junpei.

As lembranças daquele dia caótico invadiram as mentes dos garotos. Se não fosse por estar sofrendo bullying, Megumi jamais teria conhecido Itadori. Quer dizer, eles estavam na mesma sala, mas não tinha como saber se seriam amigos caso não tivesse ocorrido aquela briga.

O coração de Itadori acelerou por um instante. Desde a primeira vez que viu Fushiguro até agora, ele sempre acelerava. Sempre que via o emo depressivo, sentia uma pontada de amor em seu peito. No começo não era amor, ou talvez fosse e Yuji apenas não soubesse identificar, mas sempre sentiu admiração pelo moreno.

Yuji abriu a garrafinha de água e deu um gole no líquido, que já não estava tão gelado quanto gostaria. Logo depois, a entregou para que Megumi pudesse fazer o mesmo.

Quando o moreno colocou os lábios na boca da garrafa, Yuji deu uma risadinha, chamando a atenção do amigo.

— Tá rindo de quê?

— Você acabou de me beijar indiretamente. — A voz de Yuji saiu divertida e calma, assim como sempre saía. Megumi admirava isso.

As bochechas de Fushiguro ficaram vermelhas e ele tossiu um pouco.

— Se você quiser, não precisa ser só indiretamente… — sussurrou, mas de uma forma que Itadori conseguisse ouvir.

— An? — perguntou o rosado, só para ter certeza de que não ouviu errado.

— Eu disse que pode me beijar... Mas só se quiser. — Megumi repetiu. Ele olhou para o lado e colocou a mão nas orelhas a fim de esconder a vermelhidão que se formava no local.

Novamente, o coração de Yuji voltou a acelerar, desta vez mais rápido do que antes.

— Posso mesmo?

Megumi acenou com a cabeça e logo foi pego de surpresa pelo rosado, que segurou em sua nuca e o virou para si.

Ambos ficaram cara a cara.

Yuji deu o primeiro passo ao se aproximar lentamente do rosto alheio e um arrepio percorreu-lhe a espinha quando os lábios macios de Megumi roçaram nos seus. Quando se tocaram completamente, foi como se o mundo ao redor tivesse desaparecido, só restando eles dois e as folhas da cerejeira.

As bocas se chocaram em um selinho singelo e ambos fecharam os olhos e aproveitaram a sensação de estarem juntos. Mas, para a surpresa de Yuji, Megumi começou a mover a boca lentamente, abrindo-a para que pudessem aprofundar o beijo.

E assim fizeram. Nos instantes seguintes eles já compartilhavam da mesma saliva, suas línguas brincavam entre si e os movimentos circulares que Itadori fazia fizeram com que Megumi o agarrasse pelos cabelos, puxando-o para si o máximo que podia.

— O que estão fazendo? — A voz autoritária do diretor Yaga os assustou e eles se separaram rapidamente, ambos corados.

Eles se entreolharam.

— Nada! — disseram juntos.

Em seguida, os garotos se levantaram desesperados e correram para catar as folhas.

Masamichi deu uma risadinha e balançou a cabeça.

“Não importa quantos anos se passem, essa árvore sempre será o melhor encontro para casais”, pensou Yaga recordando os tempos passados, quando vira muitos outros casais namorando debaixo da grande árvore de cerejeira.

Cerejeira (ItaFushi)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora