12/09/2024, 10 da manhã
O dia que iniciou a minha universidade. Direito, clássico rapaz com sonho de ser advogado e ajudar os outros.
Sempre fui mais produtivo durante a manhã, mas assim que entrei no edifício arrependi me de escolher o turno da manhã. Ter de acordar cedo, perder-me nos primeiros minutos em que estou aqui dentro e ter de lidar com um cheiro a tabaco da miséria, é uma dor de cabeça atrás da outra.
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Quando finalmente me meti no caminho certo, aí sim entrei dentro da minha sala, realmente achava que seria maior e com mais pessoas, mas comparado com o que me diziam que era a universidade isto é um giro de 180 graus.
Assim que me sentei num dos únicos lugares livres o professor entra e sem "Olá" ou "bom dia" começou a remexer numa pilha de papéis em cima da mesa. Até que finalmente falou numa voz séria e alta.
- Bem vindos ao que será o resto dos próximos 5 anos se aguentarem. Eu sou o professor Conan Silveiros. Não gosto de alunos barulhentos, de escândalos ou de idiotices, pelo menos não na minha presença! - Disse o professor no seu tom sério enquanto pegava numa folha em cima da sua secretária. - Quando ouvirem o vosso nome só levantem a mão e mencionem a vossa data de nascimento!
O professor começou a chamar os nomes e pouco a pouco fui descobrindo o mínimo sobre os meus colegas.
1. Afonso - 17/10/2005
2. Ana Maria - 23/06/2005
3. Bela - 06/09/2005
4. Charlie - 28/02/2005
5. Clara - 11/12/2005
6. Finn - 30/05/2005
7. Gaby - 08/10/2005
8. Helena - 01/09/2005
9. Kevin - 03/08/2005
10. Leandro - 28/01/2005
11. Mário - 14/02/2005
12. Mark - 30/06/2005
13. Melanie - 05/12/2005
14. Naomi - 12/04/2005
15. Paulo - 9/01/2005
16. Rafael - 1/04/2005
17. Sandra - 14/11/2005
18. Taylor - 23/07/2005
Estava tão concentrado que nem percebi pelo professor a dizer o meu nome.
- Vincent... Vincent!
Eu rapidamente levantei a mão quando ele chamou por mim pela segunda vez.
- 22/01/2005... - Eu disse um pouco nervoso enquanto ajeitava o colar que trazia ao pescoço.
O professor acenou com a cabeça e procedeu a explicar as regras da universidade e da sala de aula.
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Após uma longa hora de blah blah blah, finalmente, saimos da sala, andei por aqueles corredores desconhecidos e quando saí da porta bati contra alguém.
- Oh caralho! - Disse o rapaz agressivamente enquanto se virava para mim.
Eu mantive a cabeça baixa e falei calmamente.
- Peço desculpa... - Eu disse enquanto tentava afastar me para continuar o meu caminho, mas rapidamente fui puxado pela gola da minha camisola.
- Desculpas assim não aceito, olha para mim! -Ele disse enquanto puxava me os cabelos para me fazer olhar para ele. - Olha para mim e pede desculpas como deve ser!
Eu continuei a evitar contacto visual mas acabei por me desculpar novamente.
- Peço desculpa. - Eu disse um pouco mais alto antes de levar um soco. - Ei! Para que é que foi isso? Eu pedi desculpa!
Ele empurrou me para trás para fazer me cair e depois aproximou se a olhar diretamente para mim, eu mais uma vez desviei o olhar.
- Conheço pessoas como tu quando vejo uma... O típico rapaz que se faz de calado e tímido para as gajas enlouquecerem com a sua fofura. Adivinha príncipe, isso já não funciona. - Ele disse enquanto se abaixava para me agarrar pela gola da camisola outra vez.
- Mas que merda é que estás para aí a dizer? Estás mocado ou o quê? Tu não deves bater bem! - Eu disse irritado. - Que tipo de gajo é que faz uma cena toda só por alguém ter esbarrado contra ti?
- Olha lá, o pito está a armar se em galo! Até admira alguém assim ter as bolas para resmungar com um gajo que nem conhece... Diz-me, como te chamas? - Ele disse antes de largar a gola da minha camisola.
- Vincent... - Eu respondi lentamente.
- Vincent. Soa bom o suficiente... Escuta, Vincent, agora tu és dos meus! - Ele disse enquanto se afastava. - Só uma dica, da próxima vez não apareças de skinny jeans, estás ridículo. - E com isso ele saiu junto dos seus amigos.
Eu ainda fiquei ali parado por mais uns minutos, que caralhos acabei de presenciar? Espera...
Eu levantei-me o mais rápido que pude e corri atrás dele.
- Espera, espera... - Nós dois paramos, ele de costas para mim e eu ofegante. - Como te chamas?
Ele olhou para mim por cima do ombro e riu.
- Henry, não te esqueças disso, a partir de amanhã terás uma vida nova, uma vida em que eu sou o teu Deus. - E com isso ele mais uma vez afastou-se junto do seu grupinho.
Eu fiquei ali parado a vê-los afastar se... Ele? Deus? O quê? Ficaram-me muitas perguntas a rondar o cérebro, mas ele parecia ser do tipo de gente com que não se pode argumentar sem ser com os punhos então rapidamente as afastei.
Nova vida, disse ele?
