Nas terras intermédias de Runnar existia uma vila bem aconchegante de onde se originava vários dos mais famosos guerreiros, jovens, astutos e corajosos. Porém, em meio a essa criação vivia Arlen, um jovem ferreiro que respirava a forja, sua alma era preenchida pelo calor das brasas que todo dia de manhã se esforçava para acender.
Na região era conhecido por ser muito amigável e não somente como um simples ferreiro, mas como "A mão de Ferro", o maior forjador de armas do reino. Suas armas sempre afiadas, suas armaduras, as mais resistentes. Por mais que era admirado pelo povo, Arlen escondia um fardo muito grande para compartilhar com seus amigos, que nas suas noites o acompanhava pelas sombras sempre sussurrando, palavras muitas das vezes incompreensíveis, mas soando com um ar de dúvida e fracasso. "Você nunca será bom o suficiente", dizia a sombra, "Fracassado".
Essa coisa não tinha uma forma ou cor, muito menos visível. Parecida com trevas. Com o tempo, a forja que era o lugar onde incendiava seu coração com paixão, se tornou um lugar vazio. Suas armas antes afiadas, se tornaram cegas. E com o passar do tempo, aquele ambiente que era cheio de alegria, se encheu com uma pressão desanimadora. O som do martelo antes ouvido de longe, começou a ficar mais fraco.
Seus amigos que antes frequentavam aquele ambiente foram ficando distante! E vendo isso procuraram uma sábia que vivia ao arredor da montanha mais alta do reino, juntaram suas coisas e foram ao encontro dela, enfrentando Goblins e muitas Dungeons para encontrar o caminho até ela.
Chegando lá encontraram uma mulher que mais parecida um monge, em sua cabeça que antes havia cabelo foi preenchido por runas e encantamentos de proteção. "Precisamos de sua ajuda", disse os guerreiros e amigos de Arlen, e contaram com detalhes a ela a situação. Ristra, A monja, por sua vez se prontificou em ajudar após ouvir tal história.
Voltando as terras de Runnar, chegando na vila logo pela manhã, a sábia entrou nos aposentos do ferreiro, o encontrando na cama em um estado deplorável, sentou-se ao lado de Arlen, ele por sua vez se assustou com tal visita, porém o olhar profundo dela parecia ver aquilo que o afligia.
"Eu vejo a sombra que o acompanha", o ferreiro ficou surpreso, pois ninguém havia comentado até então sobre. "Ela é pesada, não é? Ela faz com que até o mais simples dos atos pareça impossível."
Ele apenas assentiu, sentindo um nó na garganta.
"Esta sombra," ela explicou, "não é um inimigo que você deve derrotar. Ela é parte de você, uma manifestação das dores, dos medos e das dúvidas que você tem escondido por tanto tempo. Muitos acreditam que precisam lutar contra ela, expulsá-la. Mas a verdade, Arlen, é que a sombra se enfraquece quando você a aceita."
"Como posso aceitar algo que me arrasta para baixo?" perguntou ele, quase em um sussurro.
Ristra sorriu gentilmente. "Você a aceita ao falar sobre ela. Ao pedir ajuda, ao não lutar sozinho. A sombra cresce no silêncio, mas enfraquece quando é trazida à luz."
Aquelas palavras ressoaram dentro de Arlen como o toque de um sino distante. Pela primeira vez, ele permitiu que as lágrimas que há muito reprimia caíssem. Ao chorar, a sombra não desapareceu, mas pareceu recuar, como se perdesse parte de seu poder. Ele percebeu, então, que não precisava ser forte o tempo todo. Não precisava carregar o peso sozinho.
Nos dias que se seguiram, Arlen começou a falar com aqueles que confiava, compartilhando suas dores e sua luta contra a sombra. E, com o tempo, embora ela ainda estivesse presente, sua influência diminuiu. Ele aprendeu a conviver com ela, a entender que, embora a sombra fizesse parte dele, ela não definia quem ele era.
Arlen nunca mais foi o mesmo, mas essa mudança não foi um fim. Foi um novo começo, um em que ele aprendeu que ser humano, mesmo em terras de fantasia, significa aceitar as sombras e buscar a luz em meio à escuridão.
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A sombra de Arlen
FantasyArlen é um grande ferreiro que enfrenta um inimigo que não pode ser visto, e isso atrapalhará em sua jornada de forjar armas?
