1 ▶️ Can't Help Fall In Love

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Pilar

Fui criada em um lar onde as regras competiam com o amor, e acredito que isso tenha influenciado em boa parte da minha vida. Todas as minhas decisões eram minimamente calculadas, imaginando qualquer possibilidades e consequências caso algo desse errado.

Até o dia em que saí com meus amigos para comemorarmos meu aniversário. Deixei a razão de lado e me permiti relaxar um pouco - talvez tenha sido a bebida, mas isso não vem ao caso -, afinal, que mal teria em me divertir uma vez na vida?

Os dias passavam tranquilamente, tudo ia bem e eu me concentrava apenas no meu trabalho como professora - confesso que, vez ou outra, me pegava pensando nele e naquela noite, mas logo tratava de espantar esses pensamentos, já que nunca mais nos vimos ou conversamos.

Até que, um mês depois, tudo mudou. A sensação de leveza e despreocupação começou a dar lugar a uma inquietação que eu não sabia explicar. Meu corpo estava diferente, e meu coração disparava de uma forma estranha. Me lembro perfeitamente do dia em que resolvi fazer aquele teste, sozinha no banheiro de casa, trêmula e nervosa. A linha rosa apareceu tão rápido que eu não tive tempo de me preparar para o impacto.

Grávida. Uma palavra que pesava tanto quanto mil perguntas que começaram a surgir na minha cabeça. Como eu deixei isso acontecer? O que eu ia fazer? E, principalmente, como contar para minha família e amigos, que sempre esperaram de mim um comportamento exemplar?

Aquele momento foi um choque. Era como se tudo o que eu havia planejado para o meu futuro estivesse desmoronando diante de mim. E o pai... bom, eu mal o conhecia. Nossa noite havia sido divertida e inesperada, mas, depois disso, seguimos nossas vidas. Eu sabia que não podia contar com ele, mas também não sabia se estava pronta para enfrentar isso sozinha.

Passei dias escondendo a gravidez de todos. Cada olhar me deixava paranoica, imaginando se alguém já sabia, ou desconfiava. Mas o pior era o silêncio dentro de mim, aquela voz constante que repetia que eu havia falhado.

Minhas mãos suavam enquanto eu revirava a bolsa, procurando por aquele pedaço de papel amassado com o número dele. Havia guardado como uma memória vaga de uma noite divertida, sem qualquer expectativa de precisar dele novamente. Quando finalmente o encontrei, respirei fundo e, com dedos trêmulos, enviei a mensagem.

Você: Olá! Pilar aqui, espero que
lembre-se de mim. Será que podemos
nos encontrar? Precisamos conversar.
[às 13:28]

O tempo parecia se arrastar enquanto eu esperava por uma resposta, e suspirei aliviada quando recebi uma confirmação do rapaz. Marcamos um encontro no dia seguinte, e agora, enquanto o espero, minhas pernas se movem sem parar, denunciando a ansiedade que me corrói por dentro.

Após longos dez minutos esperando, o vi passar pela porta do café. Pude notar como era bonito, acredito que a bebida não me tenha deixado reparar no dia.

— Pilar? — ele me chamou, com um misto de surpresa e confusão no rosto.

— Oi, Nicolas. — me levantei para cumprimentá-lo, tentando manter a compostura, embora meu coração batesse descompassado. — Como está?

— Estou bem. — ele deu um meio sorriso, ainda sem entender muito bem o que estava acontecendo. — Fiquei surpreso quando recebi sua mensagem. Achei que nunca mais fôssemos nos encontrar.

Eu sorri de canto, nervosa.

— É, nem eu... mas precisava falar com você.

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