Um despertar cruel

4 0 0
                                        

Alexia acordou com uma inebriante luz que insistia em despertá-la, era uma manhã ensolarada de terça-feira, a claridade invadia o cômodo adentrando por debaixo da porta e, diferente do dia anterior que tivera sido de um intenso frio e ventos gélidos, esse estava morno e agradável.
Todos já haviam acordado e cada um fazia coisas distintas, Mike permanecia deitado, já havia trocado de roupa e estava com uma regata azul e um short de verão, tentava ler um livro para Scott, o qual prestava atenção em cada palavra pronunciada pelo irmão, e, logo, ela percebeu que sua mãe não estava presente.
Levantou-se e avistou um prato ao lado de sua cama contendo um copo de suco e um pão, aparentemente seu café-da-manhã. Devia estar tarde para terem comido sem ela. Alexia caminhou até a cama de Mike, seus pés tocando o mármore aquecido ate chegar perto da cama do irmão, onde os dois deveriam estar muito concentrados para não vê-la chegando, cumprimentou-os com um alegre "Bom dia", deu um beijo na testa de Scott e direcionou seu olhar para Mike, seus olhos verdes-turmalina pregaram-se nos olhos cinza de Alexia, ate que ela disse:
- Mike, cadê nossa mãe?
E ele respondeu com um enorme sorriso no rosto, seus olhos não e estavam mais nos de Alexia e sim no livro que era o segundo que ele estava lendo para Scott, quase como se estivesse interessado em um livro para crianças de cindo anos e então disse:
- Ela foi falar com a Octávia, já deve estar voltando.
Então Alexia lembrou-se o que sua mãe devia estar conversando com a Octávia, da conversa do dia anterior, isso fez um enorme tremor vagar pelos seu corpo.
- Lexie? Eu acho melhor você se aprontar. A Callie já veio aqui duas vezes e ela disse alguma coisa sobre hoje ser terça-feira e ser dia de ir para a biblioteca que eu não entendi muito bem, mas ela também falou que se tivesse eu vir aqui uma terceira vez e, se você estivesse dormindo, seria com um balde d'água.
Scott deu um risinho abafado, imaginando a ideia de sua irmã acordar com Callie a jogando um balde de água e logo em seguida voltou sua atenção para Mike. Alexia deixou os dois e foi para o banheiro, entrou no box ligou o chuveiro no máximo e foi para debaixo d'água. Ela estava gelada como o dia pedia. O líquido escorria pelo seu corpo tão rapidamente quanto seus pensamentos em sua cabeça, ela pegou seu sabonete com cheiro de lavanda e o passava pelo seu tronco sem preocupação, como se aquela fosse a última coisa que faria, mesmo sabendo que Callie deveria estar sentada no sofá resmungando por ela ainda não ter aparecido, mas ela entenderia.
Após criar muita espuma, Alexia saiu do box, pegou sua toalha, colocou o seu short predileto, uma blusa florida e seu all-star e penteou seus cabelos volumosos, que pingavam quase encharcando toda sua blusa. Saiu do banheiro e avistou os meninos já lendo outro livro enquanto sua mãe que havia chegado estava sentada na ponta da cama observando-os. Um olhar de inquietação estava evidente em seu rosto, Alexia passou por eles enquanto se despedia e andava em direção a porta que adentrava para dentro da casa.
Alexia passou pelos corredores até chegar à sala principal onde Callie a esperava, sentado no sofá como ela a imaginara, estava com um vestidinho verde, um saltinho e uma mochila que Alexia supôs que haveria diversos tipos de livros.
Assim que Callie a viu se levantou no mesmo tempo em que dizia:
- Finalmente! Pensei que eu teria que ir lá mais uma vez! Ok, não quero mais falar de como fiquei aqui lhe esperando. Preparada para ir a biblioteca? Essa semana aprendemos algumas coisas, como: a historia do governo das Fadas, os tempos sombrios, a escala da divisão trabalhista e como identificar e eliminar os híbridos. -Callie fez uma pequena careta após falar isso - Mas essa podemos pular. Então por qual você quer começar?
Alexia amava as terças-feiras, mesmo sabendo que era o dia de ir com Callie a biblioteca aprender tudo que ela estudou durante a semana na escola das fadas, pois elas passavam o dia juntas, riam e no final da tarde iam ver o pôr-do-sol enquanto tomavam um sorvete.
Só podia entrar e estudar na escola das fadas quem tivesse em seu braço a marca do governo e, como Alexia não a tinha, sua opção era estudar com Callie e em seguida passar o que aprendeu para seus irmãos.
Elas saíram de casa e foram andando calmamente cerca de sete quadras, nessas em que Callie conversava tão animada que parecia que estava indo para uma festa. Após um longo tempo de Callie contando sobre toda sua semana, Alexia avistou, não muito longe, uma larga e ampla casa que se estendia da ponta de uma esquina até a outra que ela estava se aproximando. A biblioteca tinha se tornado o único lugar em que não havia vistoria, ou seja, qualquer pessoa, mesmo os que não tinham a marca podiam entrar, pois segundo o governo das fadas: "Híbridos tem o direito de aprender antes de morrer".
Alexia já havia cansado de escutar essa frase todas as vezes que vinha para a biblioteca, mas valia a pena.
Aproximaram-se da entrada onde havia um grande portão que rangeu quando Callie o empurrou, entraram na biblioteca e como de costume não havia quase ninguém. Callie a puxou para uma mesa perto do ar condicionado e as estantes de livros que Alexia supôs que Callie os usaria. Logo que se acomodaram Callie disse:
- Bem por qual você prefere começar, Lexie? - Callie sempre chamava Alexia daquele jeito, desde que eram pequenas e brincavam com as bonecas de Callie.
Quando Alexia demorou a responder ela continuou:
- Eu gosto dos tempos sombrios - Callie cantarolou uns sons esquisitos, com a intenção de dar medo em Alexia, logo em seguida deu uma risada alta, o que fez a bibliotecária olhar para elas e murmurar um pedido de silêncio.
Logo, Callie parou de brincar e retirou um grande e grosso livro da sua mochila, na capa tinha escrito "Escola das Fadas" e logo abaixo o título do livro: "Os Tempos Sombrios". Ela se levantou, procurou u mpouco pela estande até achar um exemplar do seu livro e o entregou para Alexia.
- Lexie, abre na página cinco, pega um marcador de texto na minha bolsa e vamos começar. - Alexia fez tudo como ela mandou, enquanto Callie já começava:
- Então vamos lá, os Tempos Sombrios ocorreram em todo o periodo antes de 1930, e foi quando todas as espécies mágicas viviam misturadas, sem nenhuma fiscalização, e nesse período havia um grande número de Híbridos.
- Que tipos de criaturas? - Alexia perguntou enquanto Callie levantava arqueava os ombros.
- Eu também não sei, já procurei em todos os livros, e nunca achei. Só falam como criaturas, sem nomes.
Nem Alexia e, aparentemente, nem Callie entendiam o porquê esconder os nomes das outras espécies. Será que elas ainda existiam? Ou as fadas eram as únicas? Essa dúvida teimava na cabeça de Alexia, mas ela resolveu ignorá-la e voltar a prestar atenção no que Callie dizia, enquanto o tempo passava.
Assim que o enorme relógio no topo da sala bateu quatro horas, Callie fechou o livro, e abriu um enorme sorriso.
- Foi um dia e tanto! Vamos sair daqui, aquela bibliotecária não para de olhar para cá, já está me irritando. - Alexia deu uma risada, e se levantou seguindo a amiga porta a fora.
Após andar algumas quadras, chegaram a uma barraca de sorvete.
- O que você vai querer hoje? Eu acho que vou pedir um de menta. - Callie disse e logo em seguida Alexia respondeu:
- Acho que vou querer um de chocolate. - Callie pegou os dois sorvetes e tirou do seu bolso duas notas do governo e as entregou para o vendedor. Elas foram para um muro que dava para ver o sol deixando o horizonte. Alexia olhou para Callie, seus cabelos loiros estavam bem distribuídos pela sua face, o sol os iluminava destacando suas orelhas pontudas. Assim que acabaram sorvete, foram caminhando até estar de volta a casa de Callie onde Octávia estava sentada nos degraus de entrada, como de costume, porém dessa vez ela estava com um olhar preocupado, e... chorava? Callie deve ter percebido, pois Alexia a sentiu pegar em seu braço e a puxar para perto e sua mãe.
Callie sentou de um lado e Alexia do outro, ambas a abraçaram sem dizer uma palavra, e quando Alexia se afastou olhou para sua mão, percebendo um líquido vermelho e gosmento. Sangue? Ela deu um pulo, e disse:
- Meu deus, Octávia você está machucada? O que aconteceu? Onde está minha mãe? - Os olhos de Callie se arregalaram ao ver o desespero da amiga e sem seguida olhou para o ferimento de sua mãe, um largo corte da lombar, sua camisa estava encharcada de sangue. Ela se levantou e posicionou-se ao lado de Alexia na frente de Octávia.
- Mãe o que aconteceu? - e sua mãe olhava para as duas aparentemente sem saber o que dizer, em seguida ela começou a falar:
- Os guardas invadiram nossa casa, e pegaram sua mãe, Alexia, e Scott... - as palavras saiam de sua boca como se a estivesse machucando, porém ela prosseguiu - Eu falhei Alexia, falhei em proteger sua família, e agora estou tendo que lhe contar isso. Tentei impedir e um guarda me interfiriu enfiando uma adaga em mim. Desculpe-me... - as palavras pareciam um choramingo.
Alexia sentiu suas pernas tremerem, lágrimas escorriam em seu rosto sem parar. Isso não podia estar acontecendo com ela, logo agora, ela não estava preparada. Milhões de pensamentos invadiram sua cabeça, fazendo-a doer e só uma palavra ousou sair de sua boca:
- Mike? - ele tinha que estar bem, tinha que estar escondido, qualquer coisa menos nas mãos do governo.
Sentiu os braços de Callie a rodear, enquanto Octávia dizia:
- Ele não estava, havia saído, e ainda não voltou. - uma esperança, era isso que Alexia precisava, tirou os braços de Callie de seu pescoço e falou, fazendo um enorme esforço:
- Eu vou procura-lo. - Callie imediatamente abriu a boca, para provavelmente dizer que ia com ela, mas Alexia impediu - Callie, por favor, fique com sua mãe, ela precisa de ajuda. Eu vou voltar.
Antes que houvesse mais protestos, tanto de amiga quanto de Octávia, Alexia seguiu em direção ao porão, mexeu em baixo de seu travesseiro até encontrar o que procurava: sua adaga; a havia ganhado quando era bem nova, de sua mãe, mas nunca a usara, porém talvez hoje fosse preciso. Andou o mais rápido que podia pelas ruelas, suas pernas tremiam, procurando seu irmão.
Ele não estava em lugar algum onde passara. Até que chegou a uma praça onde uma multidão estava reunida. Mike podia estar no meio daquelas pessoas. Alexia se infiltrou, ficou de ponta de pé procurado Mike sobre todas aquelas cabeças, até avistar o centro do palco, onde oficiais do governo estavam posicionados e, logo ao lado deles, estavam uma fileira de pessoas, entre eles Alexia pode ver sua mãe com Scott encolhido entre suas pernas, ela alisava seus cachos enquanto falava algo. Alexia quase conseguia ouvir ela cantando a música que sempre acalmava Scott quando estava escuro, ou quando Mike contava alguma história de terror para ele.
Alexia sentia as lagrimas escorrendo pela sua face até chegar em seu peito. Tinha vontade de ir lá e matar todos aqueles soldados que a estavam fazendo passar por isso, pegar seu irmão nos braços passar os dedos por seus cabelos, leva-lo para casa e ler um livro até ele dormir. Esquecer tudo isso. Contudo ela sabia que isso não seria possível, ódio a dominava até que ela viu um guarda alto pegar um microfone, tirar a arma do cinto e dar um tiro para cima, todos calaram-se e olharam imediatamente para ele, que deu um sorriso satisfeito enquanto prosseguia:
- Hoje encontramos cinco Híbridos, no qual viviam escondidos por nossa cidade, sabemos que eles são uma vergonha para a nossa sociedade de fadas, então vamos dar a eles o que merecem: serão executados! Bem aqui, para que todos vejam o que acontecerá com aqueles que se escondem.
Alexia se sentia tonta, não iria conseguir ver isso, não podiam fazer isso, ela estava entrando em desespero, não podia fazer nada, ela olhou para cima e viu o guarda que havia falado fazendo um gesto para que levassem os primeiros da fila até ele e lá estavam caminhando em direção ao núcleo, sua mãe e Scott, que foram separados, Scott indo para esquerda enquanto sua mãe para o outro lado, o olhar de Alexia se encontrou com o da sua mãe, ela deu um sorriso, querendo como sempre parecer forte para sua filha, piscou os olhos cinco vezes, aquele era o sinal que tinham combinado quando Alexia era pequena para se comunicarem. Cinco vezes queria dizer que ela estava bem, mas Alexia sabia que ela não estava, pelo menos ela mesma não estava, e, logo em seguida, um tiro soou, e Alexia viu sua mãe caindo imóvel no chão, sangue escorria para todo lado, e ela se ouviu dando um grito, ninguém pareceu notar.
Scott chorava, ele também viu Alexia, e ela leu em seus lábios: "Por favor, me tira daqui. Estou com medo", o que fez seu coração apertar ela retribuiu com um "Eu te amo", o que o fez assentir e então outro tiro soou.
O pequeno e frágil corpo de Scott caiu, seus cachos loiros se espalharam pelo chão agora vermelhos, Alexia sentiu uma ânsia de vômito, seu rosto continuava totalmente encharcado, diferente da maioria das pessoas ali que parecia estar até se divertindo, como se matar pessoas fosse perfeitamente normal, em seguida as outras pessoas da fila foram chamadas, e mais tiros, mais sofrimento, até que quando tudo acabou o mesmo guarda voltou ao centro e disse:
- Obrigado por testemunharem nossa ação.
Ação? Era isso que eles pensavam sobre matar pessoas? Uma simples ação?
- Então se antes de sair vocês terão que passar por uma vistoria para garantir que não tem nenhum Híbrido aqui.
Vistoria? Isso não podia estar acontecendo, como Alexia iria sair dessa? Ela também iria morrer. Guardas estavam em todos os lugares, se posicionando aos poucos ao redor da multidão. Alexia queria fugir, mas sabia que não conseguiria e ainda pareceria suspeita que era última coisa que ela queria parecer agora, tinha que parecer imparcial, mais nada disso parecia que ia funcionar para ela, olhou para o centro novamente os corpos continuavam lá, imóveis, ela tinha que fazer isso, por eles, então escutou um guarda gritar:
- Híbrido - e, logo em seguida, um tiro soou.
Alexia sentiu um guarda tocar em seu braço, ela olhou para ele, pois sabia o que viria a seguir, quando ele abriu a boca para falar o mesmo que o anterior havia dito Alexia deu um chute nele e saiu correndo em meio à tantas pessoa, ela escutou um tiro e se abaixou, rastejou entre os pés o mais rápido que podia, até chegar perto de uma cerca, ela estava rodeada de guardas mais teria que tentar, levantou-se e continuo a correr o mais rápido que podia.
Viu mãos a tocando mas ela não parou até que estivesse do outro lado da cerca, outro tiro e dessa vez ela sentiu uma dor fina e insuportável, havia sido atingida, seu braço latejava, sangue manchava sua camisa, ela olhou para trás e avistou guardas já vindo ao seu encontro.
Tentou voltar a correr, a dor a fazia tremer, achando que iria desmaiar, mas não podia se dar a esse luxo se quisesse se manter viva. Correu algumas quadras até não aguentar mais, até que viu um caminhão do governo, que estava a poucos metros dela, era sua última chance, esses caminhões saiam da cidade, ninguém sabia para onde eles iam,porém dentre as opções de Alexia essa era a melhor.
Caminhou o mais rápido que pode até chegar próximo o suficiente para pular dentro dele, tomou impulso até segurar no ferro que pendia no caminhão, colocou as pernas dentro dele até está totalmente dentro, escutou outro tiro, os guardas ainda deviam está por perto, mais ela não estava mais se preocupando, se sentia exausta, encostou - se na parede do caminhão e deslizou até está sentada. Seu braço ainda sangrava muito, ela estava perdendo muito sangue e sentia que a qualquer momento poderia desmaiar, rasgou uma parte de sua blusa, para enrolar ao redor de seu ferimento, o que deixou uma boa parte de sua barriga de fora, e a fez se sentir nua, mais não tinha cabeça para pensar nisso, colocou o pano ao redor do seu braço e prendeu o mais forte que pode o que a fez gemer, e logo em seguida se amaldiçoar por isso, se quisesse não chamar atenção dos motoristas não poderia fazer barulho algum. Logo em seguida ouviu um portão rangendo e Alexia deduziu que estavam saindo da cidade, ela esperaria até que estavam tivesse longe o suficiente da cidade então desceria do caminhão.
Alexia encostou sua cabeça em uma pilha de caixas a sua direita e se permitiu chorar baixinho, pensou em tudo que havia acontecido naquele dia, à morte de Scott, a de sua mãe, e pensou se Mike estaria bem, ela esperava com todas suas forças que sim, e como Callie ficaria quando visse que ela não voltava, mas tudo ficaria bem, não ficaria? Ela tinha que pensar positivo, iria voltar e fazer de tudo para ter uma vida próxima a de antigamente, ela iria ficar bem.
Alexia percebeu que o caminhão estava diminuindo a velocidade e resolveu descer antes que eles a descobrissem ali dentro, ela pulou do caminhão tentando fazer o mínimo barulho possível, ela caiu de bruços o que fez seu braço pulsar, ele não havia parado de sangrar a viajem inteira. Alexia olhou para cima, já era noite, e a única iluminação da rua era a da enorme lua que pairava no céu. Ela estava parada em meio a uma estrada e a sua volta estava cercada de árvores, e logo percebeu que estava em uma floresta. Alexia caminhou por um bom tempo até que ela avistou um grande lobo preto, seus pelos reluziam a luz da lua e seus olhos de gato eram extremamente negros, que chegavam a se misturar com a escuridão da noite, e Alexia percebeu que ele estava chegando cada vez mais para perto dela, ela pegou em sua adaga e logo a sentiu gelada, o que fez seus dedos tremer, e a lançou entre os galhos, e para sua sorte certou uma das patas do lobo, o que a daria tempo para correr.
Depois de muito tempo correndo suas pernas já não aguentavam, então ela parou perto de uma árvore, encostou sua cabeça em uma pedra e como se aquela fosse a primeira vez em muito tempo, fechou os olhos e se permitiu dormir.

You've reached the end of published parts.

⏰ Last updated: Jul 13, 2015 ⏰

Add this story to your Library to get notified about new parts!

6th PatrolWhere stories live. Discover now