Capítulo Único - O que faz mais barulho que uma tempestade?

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Já era tarde demais, e estava chovendo.

Havia um amargor na garganta de Draco que fez com que ele ficasse satisfeito com isso. Com a chuva. Assim, quem sabe, talvez aquele fim de dia ficasse tão ruim para ela quanto estava sendo para ele.

Talvez os pingos cada vez mais grossos de chuva e os relâmpagos inconstantes tenham afugentado os convidados. Talvez, com sorte, tenham até mesmo afugentado os noivos.

Não demorou muito para que esse novo devaneio parasse. Se a festa de casamento terminasse antes, isso significaria que ela partiria antes com ele.

Para onde será que ele a levaria?

Draco pensou em sua mansão na França, cheia apenas de elfos domésticos esperando por uma nova família para orientá-los em suas férias de lua de mel. Ou nas férias de verão.

Haviam vinhedos, pontes sobre lagos com cisnes e até mesmo uma biblioteca que ele podia jurar que ela adoraria, apesar de tudo estar escrito em francês ou sânscrito. Ele não duvidava que ela aprenderia ambas as línguas o mais rápido possível, apenas para desvendar o conteúdo daquelas obras.

Ele ainda tinha lembranças de sua infância, quando visitou aquela casa com seus pais e correu pelos gramados macios e verde-limão. Draco se lembrava de achar a grama mais macia do que qualquer outra grama onde já tenha corrido, e de se jogar sobre o chão para sentir cócegas na nuca.

Ele queria ter um filho um dia, para que ele pudesse sentir o mesmo.

Mas mesmo que tivesse, não seria com ela.

Nada seria com ela.

Ele sentiu uma dor aguda no peito, e então retrocedeu o pensamento para o anterior, um pouco menos angustiante.

Um pouco mais orgulhoso.

Para onde Weasley a levaria?

Ele não recebia muito bem, Draco podia apostar. Um auror tinha lá seus privilégios, mas não era como se, trabalhando uma vida inteira, ele pudesse dar metade do que Draco daria para Hermione em um mês.

Talvez ele tenha guardado dinheiro desde que a pediu em casamento. Talvez tenha economizado tudo que tinha, para levá-la para alguma cabana em algum lugar que com certeza não seria suficiente para ela.

A pela dela era fina demais, delicada demais. Exigia lençóis e fronhas de seda ou linho. Será que Weasley sabia disso?

Será que ela sabia?

Ele sempre pensou que com fronhas de seda, os cabelos dela não amassariam. Eles permaneceriam rebeldes como deveriam ser, mas não amassados pelo tecido áspero das fronhas que ela usava na escola. E provavelmente usaria pelo resto de sua triste vida com Weasley.

Por Circe, quanto alguém precisa se odiar para tomar alguma decisão como a dela?

Quanto alguém precisa se odiar para decidir passar o resto da vida com alguém tão inferior? Alguém que nunca, nem em um milhão de anos, chegaria nem aos pés do que ela poderia ser.

Não que você seja superior a ele, disse uma voz em sua mente já um pouco alcoolizada. Você era um maldito comensal da morte, se me lembro bem.

Sua voz chamando sua atenção doeu em seu peito como um soco, e Draco reagiu a ele enchendo novamente seu copo de firewhisky.

O tempo passou devagar. Dolorido. Rastejando.

Draco não olhou para o relógio em nenhum momento. Ele sabia que o momento estava chegando, e por isso ele não queria olhar.

E então, inadiável, o relógio soou às nove horas da noite.

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⏰ Last updated: Sep 21, 2024 ⏰

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