Han Jisung cruzava o corredor principal como quem flutua. A saia plissada branca se movia num balanço ensaiado pelo vento, revelando breves vislumbres de suas coxas bem torneadas. O cropped azul-marinho delineava sua cintura fina com perfeição, e cada passo seu era acompanhado por olhares — dos garotos que o desejavam em silêncio, das garotas que queriam ser como ele, e de todos os outros que orbitavam seu carisma.
Menos um.
Lee Minho.
Ali estava ele. Sentado na mesma carteira de sempre, na segunda fileira perto da janela, com os óculos escorregando sutilmente pela ponte do nariz e os dedos longos segurando uma caneta com uma leveza quase artística. O olhar concentrado, sério, bonito de um jeito absurdo. Tão quieto, tão alheio a tudo... menos aos próprios pensamentos.
Jisung o via. Sempre via. Cada movimento dele parecia uma dança contida, uma linguagem silenciosa que só Jisung parecia entender. E mesmo assim, era como gritar em um abismo. Minho nunca olhava de volta. Nunca desviava o olhar dos livros, das anotações, das equações complicadas que pareciam fazê-lo mais bonito ainda.
E isso o corroía.
Porque Jisung podia ter tudo. Os sorrisos fáceis, os convites para festas, os bilhetes nos armários. Mas nada disso importava se os olhos de Lee Minho continuassem passando por ele como se fosse apenas mais um rosto qualquer na multidão.
Ele se inclinou na porta da sala por um segundo a mais do que deveria. Olhou para Minho. Olhou de verdade.
“Se ao menos você enxergasse o quanto eu te vejo...”
Mas Minho apenas virou a página.
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Minho sentiu. Antes mesmo de ouvir os passos, antes do murmúrio dos colegas no corredor, sentiu a presença dele.
Era como um campo magnético: invisível, silencioso e esmagador. Seu corpo reagia contra a própria vontade — o ar ficava mais pesado, o peito contraía, e o ritmo da respiração tornava-se incerto. Ainda assim, seus olhos não se desviavam da fórmula matemática à sua frente. Sabia exatamente onde Jisung estava parado, encostado no batente da porta, o observando.
Ele sempre sabia.
Minho apertou mais forte a caneta entre os dedos, como se isso pudesse conter o impulso ridículo de levantar os olhos e encontrá-lo. Sabia que Jisung o observava. Não era uma ilusão, nem coincidência. Eram semanas já, talvez meses. Um olhar prolongado no pátio. Uma pausa longa demais na escada. Silêncios cheios de significado quando passavam perto demais nos corredores.
E era cruel.
Porque Minho o via. Deus, como via. Cada curva acentuada pelo uniforme ousado, cada sorriso ensaiado que fazia o mundo girar ao redor de Jisung. Mas também via o que ninguém mais parecia notar: a frustração nos olhos dele quando achava que estava invisível. A solidão escondida por trás do brilho.
Minho queria. Desejava de um jeito bruto, possessivo. Algo primitivo que se revoltava sempre que alguém ousava se aproximar demais. Mas se mantinha quieto. Frio. Intocável.
Porque não podia. Não com todo mundo assistindo. Não quando o simples fato de Han ser quem era já o colocava em tantas bocas, em tantos julgamentos.
Minho agia como se Jisung não existisse — porque era a única maneira de protegê-lo.
Mas no fundo... queria ser visto também.
Minho virou a página.
Ou tentou.
A folha ficou presa nos dedos suados, e ele teve que engolir em seco para não tremer. O perfume de Han — doce, cítrico, provocante — chegava com o vento pela porta, arrastando consigo todas as defesas que ele passara meses construindo. Era sufocante. Queria levantar. Queria fugir. Mas também queria ficar. Queria olhar.
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Swin(Minsung)_ One Shot +18
Fanfiction_______ ''Puta que pariu que nerd gostoso...''
