Nas vésperas do meu aniversário de 21 anos não consigo parar de pensar na passagem do tempo. 20 anos se passaram e espero que mais 20 estão por vir e então uma incógnita. Quando relembrei meu pai sobre minha idade ele disse em um tom de ironia, “tá ficando velho hein” e deu uma risada bem gostosa de pai. A questão é que realmente, comparado a ele eu ainda sou bem jovem (não digo criança pois acho que já passei da fase). Entretanto, mesmo que suas palavras soassem como uma piada, elas carregavam um inegável fio de verdade.
Não sou mais tão jovem e esperançoso quanto a alguns anos atrás, tenho hoje uma visão muito diferente da vida do que tinha quando terminei meu ensino médio. O que de certa forma é normal, afinal, todos tendem a mudar sua percepção do mundo quando amadurecem e ficam mais velhos. Essa é uma diferença muito distinta para mim, amadurecer e ficar velho são coisas distintas. Devemos sim respeitar os mais velhos, mas acho que endeusá-los por sua idade seja um exagero, já encontrei muitos jovens tão maduros e sábios do que qualquer ancião.
O que me incomoda nisso tudo é o quanto banalizamos nosso passar do tempo, afinal, quantos grãos de areia precisamos amontoar para serem considerados um punhado, ou um monte? E quantos anos são necessários para percebermos que não somos tão jovens quanto o ano passado. A diferença de um ano é tão ínfima quanto somos jovens e saudáveis, mas é só invertermos o papel e percebemos que cada ano, cada bolo, cada vela soprada contou e que carregamos em nossas costas.
Assim como no romance de Erico Verissimo, O Tempo e o Vento, onde vemos o passar gradual do tempo para a família dos Terra-Cambará. No romance os personagens aparecem e somem uns mais rápidos que os outros. Nos três livros vemos a intensidade que o tempo provoca mudanças na terra e nos personagens que aos poucos são esquecidos pelo leitor nas inúmeras páginas do livro.
Por isso não acho que o passar do tempo seja algo que deva nos atormentar tanto assim. Claro que não sou simplista ao ponto de exclamar que não tenho medo do tempo, que não tenho medo de envelhecer e morrer e pior de envelhecer e não deixar meu “legado” assim como Ana Terra fez no romance de Verissimo. Estou apenas dizendo que não temos muita escolha a não ser aceitar nossa sina de mortais. Eu comentei sobre legado, mas ao meu ver não precisamos dessas coisas tolas para vivermos uma boa vida. Viva para si e para o que é importante para você e estará vivendo bem.
Como eu disse, não quero ser simplista ao ponto de lhe dar uma fórmula fácil de como viver sua vida. Só estou dizendo que isso funciona para mim, caso discorde desse pobre cronista então vá em frente, eu não controlo ninguém com minhas palavras.
Obviamente eu tenho minhas próprias questões e imagino que todos tenhamos. Eu mesmo tenho momentos que quero esquecer de tudo, esquecer do que tenho, esquecer da faculdade, esquecer de escrever. Mas então volto a mim e percebo que preciso viver de um jeito que me autodestrua. E novamente, essa é uma percepção pessoal minha, não deixe se abalar. O que eu não quero é perceber tarde demais que o tempo escorreu pelas minhas mãos, ao mesmo tempo que não quero ficar contando os dias como um lunático. Acho que o que eu quero de verdade é achar meu equilíbrio e viver bem, só isso.
