Início da Noite

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Eu havia escutado o som de um relógio que estremeceu meu corpo e mesmo assim não tinha forcas para sair daquele pesadelo. Sentia que estava deitada e um sono profundo me mantinha presa.
Finalmente, após relutar com angustiantes flashs e cenas estranhas em minha mente, tive forças para abrir os olhos e entao senti que havia acordado.
Abri os olhos e observei a minha volta. Uma confusão em minha mente me deixara imóvel. Por alguns segundos me dediquei ao porque, quando, como e onde eu estava. Porém, quando me dei conta que nem mesmo sabia meu próprio nome, tive certeza que um pesadelo maior e ainda mais assustador estava apenas começando.

O quarto era enorme, com muitas beliches e livros. Havia grades na única janela do comodo. Ao tentar me sentar, uma forte dor no estômago me tirou o ar, e deitei novamente.

Ouvi a porta abrir e alguém se aproximar.

- A bela adormecida acordou.

Olhei a minha frente e vi uma mulher forte, aparentava uns 47 anos. Era ruiva e sua expressão muito séria.
Em seu olhar vi raiva e muito desprezo.

- Onde estou? Oque aconteceu?

- Qual seu nome? - Ela me respondeu com uma pergunta.

Senti uma dor horrível ao forçar minha mente a buscar qualquer informação sobre mim.

- Eu não sei...eu...quem sou eu?

A mulher riu com desdém e disparou:

- Você está em uma escola, juntamente a outras meninas. Não se preocupe em saber quem é, até porque ninguém vai te responder. Você está aqui para seguir ordens e apenas isso.

Uma confusão e angústia tomou conta de mim e mediante aquele tom agressivo não pude me conter:

- Por favor, como vim parar aqui? Eu não consigo lembrar de nada, você tem que me ajudar...

- Calada! Estou aqui para ditar as regras mas, também posso te punir se ousar choramingar.

Engoli as palavras e fiquei imóvel apenas sentindo meu coração bater forte. Mesmo que quisesse falar não conseguiria porque senti um grande nó em minha garganta.

A mulher joga em mim um uniforme surrado e ordena:

- Tome um banho e vista seu uniforme. Não se atrase para sua primeira aula.

*****

Ela ia a minha frente e percebi que era melhor apertar o passo se não quisesse desagrada-lá. Era uma escola enorme e antiga, com muitas garotas que visivelmente estavam tão assustadas quanto eu.
Ela andava tranquilamente e cantarolando batia os dedos nos azulejos antigos e decorados na parede.
Como ela podia agir tão naturalmente enquanto eu estava assustada e com medo?

- Pegue seu almoço e não ouse reclamar. Você tem sorte de ter oque comer aqui.

Era muita informação para quem acabara de acordar. Não consegui sequer tomar uma gota de água. Percebi as outras garotas me olhando curiosas mas, quando eu olhava de volta, todas desviam o olhar, assustadas.

Uma senhora sobe ao ao palco presente no refeitório e fala ao microfone:

- Todas em pé!!

Todas se levantam com tanta rapidez que mesmo antes da mulher finalizar, a maioria já havia se levantado com sua presença.

- Temos uma aluna nova, 09. Espero que mantenham a ordem e obediência de sempre. Contudo, por precaução irei lembra-las de que estão no meio de uma imensa selva perigosa. Se quiserem se unir para fugir, servirão de comida para as feras. Mas, caso sejam apanhadas com vida, serão severamente punidas, como algumas já foram. Fui clara?

Filhas da NoiteWhere stories live. Discover now