Força de comunidade

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Não há maior demonstração de espírito de comunidade do que uma boa e velha  festinha de igreja. Eu e meu pai fomos comprar o que chamamos pirão com linguiça. O valor das e as vendas iam direto aos fundos para reformar uma igreja local do nosso bairro. Nada muito desconhecido, afinal igrejas já venderam muito para custear pinturas e reformas. A questão da vez é que fiquei pensando muito sobre aquela festinha e nosso sentimento de pertencimento a uma comunidade.

Estávamos eu e meu pai, o salão de festas da comunidade paroquial era grande e abrigava muita gente. Uma porção delas estava em pé em uma grande fila, esperando sua vez para se servir de seu delicioso pirão com linguiça. Outra parte permanecia sentada comendo ou conversando. Nada muito fora do corriqueiro, afinal a igreja não era tão pequena e com ajuda de um político local a festa tomou uma grande proporção. Porém pude observar com cuidado que muitas pessoas dali se conheciam. 

Para onde eu olhava tinha alguém se cumprimentando com um aperto de mão ou um abraço. Era sempre um “opa!” ou um “há quanto tempo!”, as pessoas se reviam e falavam de suas vidas, contavam a novidade e até fofocavam. O ambiente era cheio de vida e meio desconexo com a realidade enfrentada durante o dia-a-dia local. Ali as pessoas não tinham pressa, não se xingavam nem praguejavam umas contra as outras. Pelo contrário, estavam ali por um bem maior, comiam não somente para encher suas barrigas, mas para saciar algum desejo maior.

Estando ali naquele ambiente, pude perceber uma felicidade genuína rara nos dias de hoje. Era uma celebração simples, sem muitos luxos e discursos, mas claramente as pessoas inseridas naquele meio puderam se sentir parte de algo maior, algo pouco explicado. Estar ali significava estar com uma grande família, pois era nesse ambiente onde todas as suas frustrações podem ser expelidas, todas as angústias com a cidade, com a casa, com o trabalho pareciam pequenas em relação ao espírito fraternal criado por todos aqueles homens e mulheres.

Onde foi que deixamos de ser parte de uma comunidade? Digo, por que não podemos ser uma comunidade completa? Por que não podemos fazer todo dia ser como aquele dia? Nossa enclausuração de nossos lares e trabalhos não nos permite viver em comunidade. Pelo contrário, somos afastados da comunidade, estamos a cada dia vivendo menos com nossos amigos e amigas e vivendo em futilidades mundanas. E não veja isso como um sentido religioso, mas como metafísico. Estamos cada dia mais deixando com que nossa rotina nos engula, nos devore.

Viver em comunidade é ficar mais forte, não digo que devemos confiar cegamente na comunidade, mas me apazigua o coração em pensar que não estou sozinho, que meus problemas não só pertencem a mim, mas sim a todo. Quero viver mais momentos como esse, quero estar mais inserido na  comunidade e quero me apoiar em meus irmãos, para que nossas histórias também sejam contadas.

Força da comunidade Stories to obsess over. Discover now