Black Cat

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Não estava nos planos de Cellbit se tornar um criminoso procurado, foi apenas algo que aconteceu com ele.

Bom, quando você faz parte de um grupo que quebra regras e zomba da lei, as pessoas eventualmente ficarão bravas com você e irão querê-lo na cadeia. Ao menos algumas pessoas. Outras irão te tratar como uma celebridade. Cellbit realmente não se importava com a fama. Por outro lado, Black Cat adorava se exibir.

Essa era sua persona — e não, ele não escolheu esse nome por causa dos quadrinhos, era uma das histórias mais conhecidas de Edgar Allan Poe, mas tanto faz , se Roier queria acreditar que foi em homenagem ao personagem da Marvel, não seria Cellbit que quebraria seu coração o contrariando. E Cellbit havia lido a história do autor estadunidense quando ele era bem mais jovem, agora não sabia se gostava tanto assim do conto então talvez o personagem da Marvel fosse uma melhor explicação... De qualquer forma , ele era Black Cat apenas um dia ao mês, quando ele e seus amigos se juntavam, pegavam suas motocicletas escondidas na casa — mansão — de Foolish e se aventuravam através da cidade. Era sempre na última Sexta-Feira do mês e sempre com um novo itinerário feito pelo The Crow, o líder do grupo.

Todos os outros dias ele era apenas Cellbit, sócio de uma pequena cafeteria chamada Starbobby . E ele gostava de sua vida simples, confortável e calma ao lado de seu lindo namorado e incríveis amigos, mas por um dia, apenas um único dia, ele deixava a adrenalina e instinto e alguns pensamentos insanos controlarem seus movimentos e brincarem com sua própria vida.

Através do fone em seus ouvidos, podia ouvir seus amigos rindo e gritando uns com os outros. Eles eram tão loucos quanto ele era. Eles amavam a emoção de correr entre carros, ultrapassar viaturas e pular nas calçadas, fazendo pessoas gritarem com pavor e empolgação. E Black Cat conseguia ouvir também The Crow falando com Green Thing.

— Green, por favor , não pare pra tirar fotos! — Disse o líder, frustrado.

— Desculpa, desculpa! Apenas uma última selfie , ok? — Green disse, talvez para The Crow, talvez para um de seus fãs, quem poderia dizer.

Black Cat podia ouvir Blue Jay avisando Shark que haviam viaturas se aproximando dele pela sua direita, mas Black Cat permaneceu em silêncio porque sabia que estava chegando perto de onde seu amor o esperava.

Ele podia ver através do visor de seu capacete os múltiplos flashes de celular, todos queriam ter uma foto dele, mas, naquele momento, Black Cat apenas se importava com um fotógrafo específico que estava no topo de um prédio próximo da ponte no qual atravessava.

Cellbit conseguia quase perfeitamente visualizar o sorriso no rosto dele quando levantou a roda da frente, a tirando do asfalto. Roier provavelmente tirou algumas ótimas fotos. Ele era o melhor no que fazia.

— Ei, Black Cat? — Duck disse e ele sabia que ela diria para fazer alguma coisa estúpida. E estava certo, isso era exatamente o que ela fez. — Eu duvido você dirigir na contramão!

— Que porra é essa?! Cell- Quero dizer, Black Cat, não! — Disse The Crow, mas ao mesmo tempo, Black Cat concordou:

— Ok!

Ele pulou com sua moto para a outra faixa, obrigando um caminhão a desviar no último segundo. Os carros indo em sua direção começaram a buzinar para que ele saísse dali, mas Black Cat permaneceu, dançando em meio aos carros até eles abrirem caminho, como se a pista fosse dele. E, para ser honesto, realmente era dele .

— Você é MALUCO! — Tiger gritou, rindo. Shark logo começou a latir e as garotas se juntaram a ele.

— Já chega! — Disse o líder e todos fizeram silêncio. — Sigam o itinerário. Vocês podem fazer o que quiserem, apenas sigam o caminho que tracei para nós!

— Sim, pa- Quero dizer, The Crow. Desculpa. — Black Cat respondeu, se sentindo um pouco culpado.

Ele pulou de volta para a faixa correta, se juntando aos seus amigos. E o resto da noite seguiu como planejado. A polícia poderia tentar pegá-los, mas os Bolas Rojas eram mais rápidos e, bom, mais espertos.

Enquanto passavam através dos portões da mansão de Foolish, toda a animação da noite acertou em cheio Cellbit e ele passou a se sentir exausto. Ele estacionou sua motocicleta e, assim que tirou seu capacete, sentiu braços fortes rodeando sua cintura.

— Eu te odeio, sabia disso? Meu coração quase saiu pela boca achando que o caminhão ia te acertar, pendejo . Idiota idiota idiota.

— É bom ver você também, guapito . — Cellbit envolveu o pescoço de Roier com seus braços e o beijou.

— Arranjem um quarto! — Foolish gritou, levando sua motocicleta para o esconderijo.

Shut up, man . — Roier respondeu. Ele passou delicadamente seus dedos através dos fios de cabelo encharcados de suor de Cellbit. — Precisa tomar um banho, gatinho. Você tá fedendo.

— Eu sei, eu sei — Cellbit disse, encostando sua cabeça nos ombros de Roier.

— Cansado?

— Sim...

— Vamo lá, vou levar a gente pra casa. Tem tacos te esperando no carro.

— Eu te amo. Muito muito mesmo. — Cellbit disse, seguindo Roier.

— É bom mesmo, meu bem.

Eles rapidamente se despediram dos amigos e Roier abriu a porta do passageiro para Cellbit, que praticamente se jogou no assento.

Ele pegou os tacos de dentro do pacote e passou a comê-los enquanto Roier dirigia. Eles permaneceram em um silêncio confortável e, quando Roier pensou em falar sobre todas as incríveis fotos que tirou, reparou que Cellbit estava encostado na janela, dormindo. Roier pegou sua mão e entrelaçou seus dedos.

— Boa noite, mi amor .

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