Querido leitor, não sei ao certo quanto tempo me resta só posso dizer que chegar aos 85 anos tem sido muito gratificante. Me arrisco dizer que se hoje fosse meu último dia conseguiria partir leve para o outro lado da vida, mas meu coração tem sentido a urgência de compartilhar algumas memórias antes que chegasse a hora da minha despedida.
Neste momento a casa que eu cresci já não é mais minha, a escola que estudei mudou de nome, a pessoa que um dia chamei de melhor amigo vive bem, bem longe de mim. A mudança é devastadora em certas ocasiões, porém sempre busquei olhar com um certo carisma. Pois, todo fim sugere um novo começo e como um bom sagitariano eu não poderia negar a sensação de querer estar de braços abertos para a próxima etapa da vida.
Não me orgulho de tudo o que fiz durante esses tempos. Na verdade, meus maiores arrependimentos foram aquilo que não tive coragem de fazer. Muitas vezes me coloquei como um espectador dos meus sonhos, outras vezes aceitei o medo de sustentá-los lutando para que pudessem se tornar realidade e assim no acaso também fui surpreendido, quando vivia algo que até então não tinha dimensão do quão especial se tratava.
Neste início gostaria de te adiantar que tenho uma esposa e por mais que ela tenha sido citada só no quarto parágrafo, ela ao lado dos meus amigos mais próximo e minha família são os motivos que me fizeram começar a escrever este livro memorial. Eu não gostaria que após a minha despedida em carne, eles não pudessem mais conversar comigo. Se quando leio algo por aí a fora, conhecendo previamente o autor, consigo "ouvir" sua voz em meus pensamentos durante a leitura. A minha ideia é poder fazer o mesmo e com sorte querido leitor, me tornar seu amigo também.
Antes de continuarmos, gostaria de pedir licença por alguns instantes e dizer que Eu Nohan, sou a criação de um garoto chamado Mauricio. Este tem somente vinte poucos anos, para economizar palavras eu diria que é alguém que pouco viveu mas muito sentiu e ainda sente. Sua maior dificuldade é sobre se aceitar no mundo em que vive, sua maior benção é de poder com frequência atrair boas pessoas ao seu redor. Eu sou um reflexo dele, na medida que ele cresce eu também cresço, na medida que ele se frustra eu também me frustro.
Minhas memórias são uma interpretação do que ele observa e imagina, nem por isso me sinto menos real. De alguma forma sinto que nós somos apenas uma só pessoa e talvez você também consiga perceber isso.
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Sobre o Olhar de um Poeta
PoetryUma conversa com um senhorzinho de 85 anos compartilhando suas memórias poéticas. A cada duas semanas um capítulo novo no mínimo.
