O Destino em Las Vegas

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...
Las Vegas brilhava sob o céu noturno, um paraíso artificial de luzes e excessos, onde tudo parecia possível e o impossível se tornava rotina. Matteo Russo, o temido Don da máfia italiana, estava no centro dessa tempestade de luxúria e decadência. Rodeado por seus "amigos" mafiosos, ele apostava altas quantias no cassino mais exclusivo da cidade, bebendo muito mais do que o necessário para manter a cabeça no lugar.

As risadas ecoavam pelo salão, as taças de champanhe se erguiam, mas por trás de cada sorriso, escondia-se a avidez de homens que esperavam pelo menor sinal de fraqueza. Matteo era um predador entre predadores, mas naquela noite, ele estava vulnerável.

Depois de horas jogando e bebendo, Matteo decidiu sair para tomar um ar, cambaleando pelas portas do cassino. Ele precisava se afastar daquele ambiente sufocante, sentir o vento noturno bater em seu rosto. Ao se ver sozinho na rua, começou a andar, desnorteado, pelas calçadas de Las Vegas, sem rumo.

Enquanto Matteo vagava, seus pensamentos se embaralhavam, e a noite estrelada acima parecia girar ao seu redor. Mal sabia ele que um de seus "amigos", um homem chamado Lorenzo, o observava de longe, aguardando a oportunidade perfeita para agir. Matteo, normalmente alerta, estava agora perdido em sua própria confusão, uma presa fácil para aqueles que o desejavam ver cair.

Do outro lado da cidade, Lúcia estava encerrando um longo dia de trabalho. A loja de flores em que trabalhava havia recebido uma grande encomenda para um casamento importante, e ela precisou ficar até tarde organizando os arranjos. Exausta, mas satisfeita com o resultado, Lúcia finalmente fechou a loja e começou a caminhar para casa, carregando consigo a leve fragrância das flores que trabalhara o dia todo.

No meio do caminho, ela avistou uma figura cambaleante, quase tropeçando nas próprias pernas. Seu instinto a fez parar. Algo estava errado. Ao se aproximar, ela reconheceu Matteo, ainda que de forma vaga – seu rosto, sempre presente nos noticiários, era inconfundível. Ele parecia completamente perdido, os olhos vidrados e a respiração pesada.

Lúcia, hesitante, mas movida por uma compaixão inata, se aproximou.

— Senhor, você está bem? — ela perguntou, sua voz suave cortando o silêncio da noite.

Matteo levantou a cabeça, seus olhos verdes fixando-se nela. Por um momento, ele ficou em silêncio, encarando-a como se não acreditasse que uma visão tão doce pudesse estar diante dele. Seus lábios se curvaram em um sorriso torto.

— Um anjo... Você é um anjo, não é? — Ele murmurou, sua voz arrastada pelo álcool. — Nunca vi uma mulher tão linda... em toda a minha vida.

Lúcia franziu a testa, sem saber se devia se sentir lisonjeada ou preocupada.

— Você está bêbado, senhor. Deveria voltar para casa, descansar.

Matteo riu, um som rouco que soou mais como um gemido. Ele deu um passo em direção a ela, quase tropeçando.

— E se... minha casa fosse onde você estivesse? — Ele tentou segurar a mão dela, seus dedos quentes e trêmulos. — Venha comigo... Eu posso te dar... tudo o que você quiser... dinheiro, joias... Só me deixa te olhar... te tocar...

Lúcia se afastou suavemente, tentando evitar seu toque sem ser rude.

— Não precisa de nada disso, senhor. Só precisa descansar. — Ela olhou ao redor, preocupada que alguém pudesse aparecer e causar problemas, especialmente se soubessem quem ele era.

— Não fuja de mim... — Matteo sussurrou, sua voz mais suave agora, quase implorando. — Eu só quero... você...

Lúcia sentiu o coração disparar, não pelo desejo dele, mas pela situação estranha e potencialmente perigosa. No entanto, havia algo no olhar de Matteo que a fez hesitar. Ele estava quebrado, apesar de toda sua postura ameaçadora. Ela não sabia o que fazer, mas uma coisa era certa: não podia deixá-lo ali, vulnerável.

— Tudo bem, vou te ajudar a voltar para o seu hotel, mas nada mais que isso, entendeu? — Ela disse com firmeza, tentando manter o controle da situação.

Matteo apenas sorriu, um sorriso de quem sabia que, de alguma forma, tinha conseguido o que queria.

Enquanto Lúcia o guiava pelas ruas, Lorenzo observava das sombras, seus olhos cheios de intenções sombrias. Ele viu a aproximação da jovem e notou como Matteo estava entregue à sua presença. Um sorriso malicioso surgiu em seu rosto. Aquela noite prometia ser muito mais interessante do que ele imaginava.

Sous le Regard du DonHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora