Ī. Infância

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Eu me lembro como se fosse ontem.

Você estava em uma mesinha afastada, longe dos outros ali. Era menor que as outras criança, e estava sempre quieta.

Diferente de você, sempre fui agitada e extrovertida, queria fazer amizade com todas as crianças. Inclusive, com você.

Me aproximei lentamente, aos poucos puxando assuntos bobos de criança, te chamando para brincar juntos aos outros, ou fazendo alguma bobagem para chamar a sua atenção.

De pouco a pouco, nos tornamos amigas, e eu sempre fazia de tudo para estar perto de ti, seja durante as aulas com a tia juju, na hora do lanche, e até quando íamos para o pátio esperar alguém ir nos buscar.

Você era linda aos meus olhos, sua pele bem branquinha, que sempre ficava rosada quando eu me aproximava e te abraçava, seus cabelos curtos e pretos, assim como seus olhos. Era a menina mais linda do primário.

Um dia enquanto brincávamos, percebi que seus pequenos braços tinham alguma manchas vermelhas. Não entendi ao certo, eram machucados certo?

– Lisa. – Uma de minhas mãos puxou levemente seus braço, tirando a sua atenção dos brinquedos.

Você me olhou não muito expressiva, apenas esperando que eu voltasse a falar.

– O que é isso? – Toquei uma das manchas que tinha em seu braço, puxando suavemente a manga de sua blusa para cima, dando mais acesso a outras marcas.

– Foi a mamãe. – Falou como se não fosse nada, se soltando da minhas mão, voltando a mexer nos brinquedos em sua frente, se encostando levemente em mim.

– Sua mamãe? Por que?

– Eu não sei. Ela estava bem brava ontem, e disse que a culpa era minha. Então ela fez outros machucados em mim. – Seus olhos encontraram os meus novamente.– Sua mamãe não faz isso quando está brava com você, Emi?

Tombei minha cabeça para o lado, confusa com isso. As mamães faziam isso quando estão com raiva?

– Não. Minha mamãe não faz isso comigo. – Toquei seus braços novamente. – Você está com dodoi, Lisa..

Vi seus olhos ganhar um brilho triste, aquilo deveria doer.

– Já sei o que pode te ajudar! – Falei animada de repente, lisa se assustou um pouco, e olhou curiosa.

– Mamãe disse que esse dodois se curam com um beijinho, então não dói mais. – Olhei para seus braços e estendi minha mão. – Me mostre seus machucados, vou curá-lo com um beijinho.

Suas bochechas ficaram vermelhas, e seus olhos se arregalaram brevemente. Realmente uma criança adorável.

Você levantou um pouco as mangas de sua blusa, e me mostrou o braço com machucados, o estendendo em minha direção. Enquanto virou seu rosto para o lado, tentando se esconder.

Beijei todos os machucados ali, fazendo o mesmo em seguida, agora no outro braços, acreditando fielmente nas palavras de minha mãe.

– Prontinho, lisa. Agora vai sarar. – Um sorriso radiante se fazia presente em meu rosto, como se realmente tivesse curado todos seus machucados.

Seu rosto de voltou para mim, e um sorriso apareceu em seu rosto. Aquilo me deixou feliz. Eles eram tão raros de aparecer, mas eu achava lindo.

– Obrigada, emi..– Você olhos para seus braços como se aqueles machucados não se fizesse mais presente ali. E então voltou seus olhar para meu rosto, me surpreendendo com um leve selar em minha bochecha.

Fiquei surpresa, e achei adorável como você me olhou nervosa, esperando sobre o que eu iria fazer.

Puxei seu rosto e deixei também um selar em sua bochecha agora rosada, e a abracei em seguida.

– Você é minha melhor amiga, lisa..

Você não retribuiu meu abraço de imediato, mas depois senti suas pequenas mãos tocar levemente minhas costas, para aí então me apertar em seus braços.

– Você também é minha melhor amiga, emi..

Os dias se passaram normalmente, nos falávamos todos os dias, brincando sempre juntas.

Mas você começou a ficar mais triste a cada dia que se passava. Não vi mais seus sorriso, e você estava estranhamente quieta, diferente do normal.

Com blusas sempre de mangas longas, e não me deixava ver o que tinha em baixo delas, sempre se afastando.

Não estava te vendo sempre na escolinha, você estava faltando com frequência. Até que chegou um tempo em que você não veio mais.

A última coisa que você fez, foi me abraçar, um dia antes de sumir e não dar notícias.

Soube pela tia juju que você tinha se mudado do bairro, e que provavelmente não iria mais estudar ali.

Fiquei tão triste, minha melhor amiga sumiu, sem se despedir de mim como deveria.

E assim eu cresci, longe de você e sem notícias suas.

Os anos se passaram, e eu fui te esquecendo aos poucos. Apesar da saudade, eu encontrei outras amigas. Fui para outra cidade, e você, passou a ser apenas uma lembrança vaga de uma amiga de infância, a qual não imaginava encontrar nunca mais.

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⏰ Last updated: Aug 15, 2024 ⏰

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