Ana Castela é uma estrela em ascensão nos palcos, encantando todos com sua voz doce e seu jeitinho único. Mas o que ninguém imagina é que, por trás da artista brilhante, existe uma menina sensível que carrega traços de infantilidade encantadora. Qua...
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As luzes da cidade entravam pelas janelas do pequeno teatro onde eu me apresentava naquela noite. Eu me sentia em casa. A plateia estava animada, e a energia deles me envolvia como um abraço apertado. Minha voz saía cheia de emoção, doce, sincera... como sempre. Cada palavra das músicas parecia ganhar vida, como se eu não estivesse só cantando, mas contando histórias de dentro do meu coração.
Depois do show, exausta, fui direto para o camarim. Meus cabelos estavam todos bagunçados, o suor ainda brilhava na minha testa, e minha equipe tagarelava animada ao meu redor. Aos poucos, os gritos dos fãs do lado de fora iam se apagando. E então... a porta se abriu.
Quando vi quem era, meu coração deu um pulo.
Gustavo Mioto.
Sim, o Gustavo Mioto.
Ele entrou com aquele sorriso iluminado que parecia acender todo o camarim.
- Olá, Ana! - ele disse, e parecia genuinamente feliz em me ver.
Virei para ele, tentando manter a compostura. Por dentro? Eu tava surtando!
- Olá! - respondi, com um sorriso meio sem jeito. - Você é o Gustavo Mioto, certo?
Ele assentiu e deu um passo na minha direção.
- Sim, sou eu. Sou um grande fã do seu trabalho. Seu show foi incrível!
Corei um pouquinho, confesso. Ainda não me acostumei com esse tipo de elogio, especialmente vindo de alguém como ele.
- Obrigada! Fico muito feliz que tenha gostado. É sempre um prazer ouvir isso de alguém tão talentoso quanto você.
Ele fez uma careta divertida.
- Talento é algo que todos nós temos. Às vezes, só precisamos de uma pequena ajuda pra descobrir. E me diz... o que você costuma fazer pra relaxar depois de um show tão intenso?
Dei uma risadinha.
- Normalmente, eu gosto de conversar com meus amigos, comer alguma coisa gostosa e assistir desenhos animados. Eu sei, parece meio infantil, mas eu adoro!
Ele riu junto comigo, e foi aí que percebi como era fácil conversar com ele.
- Não tem problema nenhum nisso! Eu também adoro desenhos animados. Qual é o seu favorito?
- Aventuras da Pequena Estrela. É tão fofo! E o seu?
- Os Guardiões do Espaço. Sempre gostei da ideia de heróis espaciais lutando contra o mal.
A gente se perdeu na conversa. Falamos sobre tudo: música, infância, medos, sonhos... Eu me sentia leve com ele. A presença dele me deixava sorrindo à toa.
Nos meses seguintes, a gente começou a se ver com frequência. Viramos melhores amigos. Ele era meu apoio nos dias difíceis e minha companhia nos momentos bons. E cada vez que ele estava por perto, eu me sentia... em paz.
Lembro até hoje de um dia no estúdio. Eu estava gravando, totalmente concentrada, e ele sentado no sofá, me observando. Quando terminei, virei pra ele.
- E aí, o que achou?
Ele se levantou e veio até mim.
- Incrível. Sua voz tem uma forma única de tocar as pessoas. Você tem um talento especial.
Corei de novo. Sempre fico sem graça com elogios assim.
- Obrigada. Às vezes fico insegura, sabe? Não sei se as pessoas vão gostar do que eu canto.
Ele pegou minha mão, com tanto carinho que meu coração acelerou.
- Não se preocupa. Você é maravilhosa do jeitinho que é. Eu me sinto sortudo por poder acompanhar sua jornada.
Aquele momento ficou gravado em mim. A cada dia que passava, eu sentia algo mudar dentro de mim. Aquela amizade estava virando outra coisa.
E então teve aquele dia no café.
A gente falava sobre sonhos, futuro, coisas bobas... e aí eu soltei, meio sem pensar:
- Gustavo, você já teve a sensação de que conhece alguém há muito tempo, mesmo tendo conhecido ela recentemente?
Ele me olhou. Aqueles olhos diziam tudo.
- Sim. É como se essa pessoa completasse uma parte sua que você nem sabia que faltava.
Senti meu coração esquentar. E sorri.
- Eu sinto isso com você. É estranho, mas eu acho que a gente sempre esteve destinado a se encontrar.
Ele sorriu também, mas ficou visivelmente nervoso. E aí, ele começou:
- Ana, eu...
- O que foi, Gustavo? - perguntei, curiosa e com o coração na boca.
Ele respirou fundo.
- Eu preciso te dizer uma coisa. Com o tempo, percebi que meus sentimentos por você mudaram. Não é só admiração. Eu estou apaixonado por você.
Fiquei em silêncio por um instante. Meu coração tava explodindo.
- Eu... eu também sinto algo especial por você - confessei, com a voz baixa. - Só não sabia como dizer isso. Mas... tô feliz que você sente o mesmo.
Ele sorriu daquele jeito que só ele tem, e naquele instante, soubemos que algo lindo tava nascendo ali. Algo verdadeiro. Algo raro.
Nosso caminho juntos tava só começando. E mesmo sem saber o que o futuro reservava... eu sabia que tinha encontrado alguém que me enxergava de verdade.
Alguém que me amava... exatamente do jeitinho que eu sou.