14 𝙙𝙚 𝙖𝙗𝙧𝙞𝙡, 2017
Trabalhar numa sorveteria não é nada fácil, ainda mais quando é o único estabelecimento de sorvetes no bairro.
Moro nesse bairro desde que me entendo por gente e nunca vi uma outra sorveteria ficar aberta mais de três meses, todas elas assim que abrem fecham por causa da concorrência de Ice Cream. É freguesia o tempo inteiro, de manhã até à noite de domingo a domingo.
Estou trabalhando aqui há mais de um ano, desde que minha mãe me expulsou de casa por que me viu nos amassos com uma garota que tinha o triplo da minha idade. Agora, é apenas eu e meu carro vermelho. Meu carro vermelho e eu.
- Aí meu Deus, não estou achando nenhum gatinho para me fazer companhia nesse feriado - essa é Loreta Bailey, minha melhor amiga. Ela quem me acolheu no dia em que minha mãe me expulsou de casa, ela tem esse jeito apimentado, e vai por mim ela é bem apimentada! Mas é uma ótima amiga. Moramos juntas e todos os fins de semana ela está com alguém diferente em casa.
- Por favor, Loreta. Não quero escutar seus escândalos felizes durante a madrugada. Muito obrigada! Tenha um ótimo dia - falo entregando um picolé para mais um cliente.
- Qual é, Grace? Estou solitária e outra...- ela ia pronunciar mais uma coisa, só que a interrompo.
- Não, você não está solitária, Loreta. E faz um favor de descer do balcão...- faço uma pausa - Se Ava vir isso ela te mata. - empurrei a mesma que não disse nada, pois estava olhando para a entrada da sorveteria. Quando vejo, Loreta já está indo atender a cliente.
- ABBY!!! - acabo levando um susto com o grito estérico. Portanto, olho em direção a quem Loreta está se referindo - Quanto tempo, cada dia que passa mais você cresce.
- Como você é exagerada! - Abby fala depositando um tapinha nas costas de Loreta.
- Exagerada nada! Acho que logo, logo você vai estar namorando - Abby revira o olho para Loreta e continua.
- Me vê o mesmo de sempre, por favor.
- Pode deixar - enquanto Loreta vai fazer o pedido, Abby já me paga. Sorrio para ela que retribuiu meu gesto - Como estão às coisas?
- Estão indo...- ela sorri mas sem muita alegria.
- Já entendi, ela ainda está batendo em você, Abby? - não conheço muito Abby, mas uma vez Loreta me contou que Abby tem problemas com a mãe.
Pelo que sei, Abby infelizmente apanha de sua mãe. Fico me perguntando: como que ninguém nunca há denunciou? Além de que ela quase nunca sai de casa. Uma criança como Abby com certeza deveria estar se divertindo com outras crianças e não presa em casa. É bem raro ela aparecer aqui na sorveteria, por isso a reação eufórica de Loreta assim que ela viu a mais nova.
- Acho que você deveria denunciar essa vagabunda...- sussurro baixo, mas Abby acaba escutando e me olhou de relance - Me desculpa, não quis ofender.
- Não ofendeu, vou indo nessa. Tchau! Loreta...- ambas fazem um toque no ar - Tchau! Grace.
- Para uma menina da idade dela, acho que ela já está muito madura.
- Jura! Você deveria ficar mais calada. Amiga, tu chamou a mãe dela de "Vagabunda" - olho para Loreta arqueando a sobrancelha e querendo perguntar se estava mentindo.
☆
Havia acabado meu expediente e já estava voltando para casa, estava agradecendo aos céus que Loreta iria sair e só voltaria no dia seguinte. Ou seja, ficarei em casa sozinha.
Vou começar meu fim de semana bem. Como estava dirigindo devagar, eu mantinha minha atenção nas ruas do bairro de "Strange" até que algo me chama atenção.
Uma menina ou uma mulher, se encontrava sentada no meio fio da calçada, com a cabeça baixa, seus cabelos eram pretos e longos.
Fiquei aflita podia ser alguém precisando de ajuda ou só uma drogada que se esqueceu onde mora. Algo muito comum de acontecer neste bairro.
Com a pulga atrás da orelha, desço do carro e caminhei lentamente em direção dessa pessoa. Há cada passo que eu dava mais essa pessoa ficava pequena, só então que eu percebi que se tratava de uma CRIANÇA!
- Olá, está precisando de ajuda? - que burra eu, provavelmente ela está precisando - Cadê seus pais? E por que você está sozinha aqui há essa hora? - me sento ao seu lado
- Me deixa sozinha, por favor - sua voz saiu um pouco abafada por estar com a cabeça baixa, mas eu reconhecia essa voz.
- Abby? - seguro seu queixo, levantando seu rosto e me certificando de que era ela - Por que você está a essa hora da noite sozinha? O que é isso no seu braço? - toco no mesmo, só que a mesma foi mais rápida e o puxou de volta.
Ele estava avermelhado, como se ela tivesse batido em algum lugar, ou melhor! Alguém batido nele.
- Qual parte você não entendeu? Eu quero ficar sozinha! - Loreta, cadê você nas horas que eu preciso?
- Não vou te deixar aqui sozinha... Vem, vamos. Eu te levo para casa - seguro em sua mão.
- Eu não quero ir para casa, me deixa em paz! - nessa hora eu já estava puxando ela para dentro do carro - Se alguém te ver puxando uma menor de idade para dentro do seu carro com certeza irá achar que você é uma estupradora de menores e com certeza marcará a placa do seu carro! E espero que você se foda depois disso. AGORA ME LARGA! - isso foi uma ameaça?
- Estou apenas querendo te levar para sua casa e te deixar segura. Pelo menos eu não estou te batendo, igual alguém dá sua família... - sinto uma ardência insuportável assim que me pronuncio. Na hora que vejo, Abby havia arranhado meu braço.
☆
- Muito obrigada! Grace. Fiquei preocupada com minha pequena - a mãe de Abby falava olhando para sua filha - Ela foi diagnosticada como bipolar, por isso esse temperamento explosivo dela - sei muito bem quem tem transtorno bipolar aqui.
- Não tem de quer senhora Brown...- olho para Abby, que se encontrava sentada na mesa da cozinha - Só acho que a senhora deveria limpar à boca de sua filha com sabom - Abby lança um dedo do meio para mim - Tenha uma boa noite - vou andando em direção ao meu carro, que estava estacionado na frente da casa da família Brown.
Quando adentro nele soco o volante com toda a minha força. Como pode, uma mãe fazer isso com a própria filha? E aqueles braços avermelhados? Mais é claro que foi ela quem os machucou daquela forma.
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DUCHESS
Romance"𝙀𝙪 𝙩𝙚 𝙖𝙢𝙤 𝙢𝙞𝙣𝙝𝙖, 𝙙𝙪𝙦𝙪𝙚𝙨𝙖. 𝙄𝙧𝙚𝙞 𝙩𝙚 𝙡𝙞𝙜𝙖𝙧 𝙩𝙤𝙙𝙖𝙨 𝙖𝙨 𝙣𝙤𝙞𝙩𝙚𝙨 𝙙𝙪𝙧𝙖𝙣𝙩𝙚 𝙚𝙨𝙨𝙚𝙨 𝙙𝙤𝙞𝙨 𝙖𝙣𝙤𝙨 𝙚𝙢 𝙦𝙪𝙚 𝙫𝙤𝙘𝙚̂ 𝙚𝙨𝙩𝙞𝙫𝙚𝙧 𝙛𝙤𝙧𝙖. 𝙀, 𝙦𝙪𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙫𝙤𝙘𝙚̂ 𝙫𝙤𝙡𝙩𝙖𝙧, 𝙚𝙨𝙩𝙖𝙧𝙚𝙞 𝙩...
