1.Laura

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"Ela tava enjaulada, agora ela tá solta."
Enjaulada - Luan Santana

Eu tinha apenas dez anos quando vi minha família se desfazer diante dos meus olhos.Meus pais nunca foram exatamente o tipo de casal que demonstrava carinho um pelo outro. Não havia grandes declarações de amor, beijos inesperados ou aquele tipo de cumplicidade que eu via nos filmes. Mesmo assim, durante muito tempo, acreditei que eles se amavam. Ou, pelo menos, que existia alguma coisa forte o bastante para mantê-los juntos.Hoje, pensando melhor, acredito que eles sustentavam aquele casamento por mim e pela minha irmã caçula.Até que minha mãe descobriu a traição do meu pai, e não foi uma traição qualquer, ela descobriu que ele mantinha um caso com o vizinho.Confesso que, olhando para trás, algumas coisas faziam sentido. Talvez meu pai nunca tivesse sido exatamente hétero e minha mãe simplesmente não tivesse percebido. Ou talvez tivesse percebido e escolhido ignorar.

Afinal, quando se tem duas crianças pequenas para criar, algumas verdades parecem mais fáceis de empurrar para debaixo do tapete.Mas depois de anos vivendo em um casamento infeliz, acredito que, no fundo, minha mãe tenha sentido até certo alívio quando finalmente descobriu a verdade.Eles se separaram.Eu tinha dez anos.Julie, minha irmã, tinha apenas seis.Talvez por isso ela tenha demorado tanto para aceitar o fim do casamento. Na cabeça infantil dela, nossos pais ainda se amavam. E, de certa forma, eu não podia julgá-la por isso.Agora, quinze anos depois, as coisas estavam completamente diferentes.Depois de uma coleção considerável de relacionamentos fracassados, encontros desastrosos e decepções amorosas, minha mãe finalmente parecia ter encontrado alguém de verdade.AndréEle era um cara legal. Paciente, divertido e, acima de tudo, fazia minha mãe feliz. Nunca havia visto minha mãe sorrir daquela maneira antes de conhecê-lo.Eu era imensamente grata a ele por isso.Julie, entretanto, não parecia compartilhar da mesma felicidade.Ela não gostava da ideia de vê-los se casando.Na cabeça maluca da minha irmã, nossos pais ainda pertenciam um ao outro.

Ela acreditava que, em algum momento, eles iriam perceber que sentiam falta um do outro e voltariam a ficar juntos.Eu não tinha coragem de destruir completamente aquela fantasia.Talvez porque, apesar de tudo, uma pequena parte de mim também quisesse acreditar que algumas histórias de amor podiam simplesmente ser consertadas.Mas não aquela, meus pais haviam seguido em frente.E agora minha mãe também estava prestes a começar uma nova história.O casamento aconteceria dali a seis meses, na fazenda dos meus avós, localizada a poucos quilômetros da cidade. O lugar era lindo, cercado por árvores enormes, um lago pequeno e um gramado que parecia não ter fim.Minha mãe estava completamente envolvida com os preparativos, e eu também, ou, pelo menos, tentava estar, minha cabeça estava tão cheia de pensamentos que nem percebi quando a campainha tocou.O som me arrancou dos meus devaneios, corri até a porta, já imaginando quem poderia ser.Assim que abri, encontrei Pamela do outro lado, ou melhor, encontrei uma montanha de sacolas.

- Nossa, esse trânsito está uma loucura! - reclamou ela, entrando praticamente se arrastando pela porta.

Comecei a rir enquanto segurava algumas das sacolas para ajudá-la.

- Pam, que coisas são essas?

- Apenas algumas comprinhas para a viagem.

Ela largou tudo no chão e se jogou no sofá como se tivesse acabado de atravessar um deserto.

- Afinal, vamos passar alguns dias por lá, não vamos?

Franzi a testa.

- Uma viagem de fim de semana? Eu nem tenho certeza se a gente vai.

Meu erroStories to obsess over. Discover now