Prólogo

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A chuva caía torrencialmente naquela noite, envolvendo a cidade em um manto de escuridão e mistério. Relâmpagos iluminavam brevemente os corredores do hospital, onde Isabella Conti embalava seu recém-nascido, Matteo. Cada raio de luz que entrava pela janela parecia abençoar o pequeno com uma promessa de futuro.

Isabella estava sozinha no quarto, absorta na perfeição do rosto de seu filho, quando a porta se abriu silenciosamente. Uma figura sombria deslizou para dentro, seguida por outras duas. Eles se moviam como sombras, suas intenções ocultas por máscaras escuras.

Um pavor gelado percorreu a espinha de Isabella. Antes que pudesse gritar, uma mão rude cobriu sua boca, silenciando seus protestos. Ela lutou, desesperada, mas foi inútil. Um dos homens tomou Matteo dos seus braços com uma facilidade assustadora, envolvendo-o em um cobertor grosso.


- Matteo!- Isabella tentou gritar, mas seu grito foi sufocado pela mão que a segurava.

 Seus olhos se encheram de lágrimas enquanto observava seu bebê ser levado para fora do quarto, desaparecendo na escuridão. Os homens saíram tão rapidamente quanto haviam chegado, deixando Isabella em um desespero silencioso, com o coração despedaçado e a alma vazia.

Três dias depois, Isabella Conti entrou na imponente mansão dos De Luca, sua aparência desgastada pela falta de sono e pela angústia. Os capangas da família a conduziram através do luxuoso hall de entrada até uma sala de estar ricamente decorada, onde Don Vittorio De Luca a aguardava.Don Vittorio levantou-se de sua cadeira ao ver Isabella, seu olhar duro suavizando por um momento. 

- Isabella, -ele disse, sua voz grave e autoritária, - sente-se. Conte-me o que aconteceu.

- Don Vittorio,- Isabella começou, sua voz trêmula, -eles levaram meu bebê. Matteo foi sequestrado do hospital. Eu não sei o que fazer. Eu... eu preciso de sua ajuda.

Don Vittorio franziu a testa, um brilho perigoso surgindo em seus olhos. 

- Quem ousaria tocar em um filho da família Conti?

 Ele se virou para seu filho, Lorenzo, que estava ao seu lado. 

- Lorenzo, você ouviu isso?

Lorenzo, alto e imponente, assentiu. 

- Sim, pai. Vou encontrar o garoto e trazer justiça a quem fez isso.

- Faça o que for necessário,- Don Vittorio ordenou. -Não deixe pedra sobre pedra. Esgote o dinheiro da família se for preciso.

Lorenzo aproximou-se de Isabella, suas mãos firmes tomaram as delas e olhos determinados fixaram-se nos dela. 

- Prometo que encontrarei Matteo. Não descansarei até trazê-lo de volta!

Anos depois, Lorenzo De Luca segurava uma fotografia envelhecida de um bebê desaparecido. Seu rosto era uma máscara de determinação. Ele havia prometido a seu pai que encontraria Matteo, e essa promessa havia se tornado sua obsessão.Agora, Lorenzo estava diante de um orfanato isolado, oculto pelos anos e pelo destino. Ele entrou no prédio com passos firmes, cada fibra de seu ser alerta. Seus olhos se fixaram em Sofia Ricci, a diretora, que tentava esconder seu nervosismo sob um semblante calmo.

-Senhor De Luca, não sei do que está falando,- Sofia começou, sua voz trêmula.

Lorenzo caminhou pelo orfanato até encontrar Matteo, agora um garoto de olhos profundos e inquisitivos, com marcas de amarras em seus braços, pernas e pescoço. Lorenzo reconhecia as marcas de tortura. Ao lado do menino, um violino antigo repousava em uma cadeira, aparentemente fora de lugar, mas impregnado de um significado que Lorenzo ainda não compreendia.

-Matteo,- Lorenzo murmurou, e o garoto levantou os olhos. 

A busca incansável havia chegado a este momento crucial, mas Lorenzo sabia que a verdadeira batalha estava apenas começando.

Virando-se para Sofia, ele deixou claro o peso de suas palavras. 


- Se eu descobrir que alguém aqui está ligado ao sequestro, todos aqueles que tocaram nele desde o nascimento pagarão um preço inimaginável.

Sofia tentou manter a calma, mas sua expressão a traiu. 


- Eu não sei de nada, senhor De Luca. Esse menino chegou aqui há alguns anos, sem qualquer informação, apenas o menino e o violino.

O violino era um enigma, uma chave para um segredo há muito enterrado. Lorenzo estava pronto para desenterrar a verdade, não importando os perigos à frente. A chuva lá fora continuava a cair, como um prelúdio para a tempestade que estava por vir.

HerançaWhere stories live. Discover now