O doce aroma do desprezo

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Já se passaram dois meses desde que aquela garota mortal me enganou e me traiu de todas as formas possíveis, agora sou o fantoche de uma mortal por 1 ano e um dia, todo dia ainda penso no que farei com ela quando este tempo acabar, Jude... terá volta.

As festas em homenagem a mim ainda não acabaram, para dizer a verdade, o que só posso dizer mesmo, não me lembro nem da metade do que aconteceu, agradeço aos deuses que inventaram o vinho por isso, Jude esta cuidando de toda a burocracia ridícula que é ser um rei, enquanto eu faço meu papel de entreter o publico e me deliciar em corpos quentes.

Mesmo tornando Jude a minha conselheira, nesses dois meses a vi muito pouco, posso dizer que passei mais tempo com Barata do que com ela, fico imaginando o motivo disso me irritar tanto, afinal eu sou o rei, deveria ter minha conselheira sempre por perto, entretanto quando estamos juntos é um tempo desprezível, seu olhar feroz faz parecer que ela quer me matar a qualquer instante, faz meus nervos tremerem de agonia e raiva dela, eu gosto disso, eu culpo o vinho.

Em minhas festas encontro varias vezes a irmã de Jude, a observo dançar e penso em como são parecidas apenas de rosto, será que se eu ordenar pequenas travessuras com ela vou satisfazer minhas vontades de torturar Jude?
Antes que eu possa terminar meu pensamento a porta do salão principal se abre e lá esta ela, com um vestido horroroso preto, ela devia se vestir melhor já que virou conselheira, ela atravessa a multidão, chega até mim, faz uma pequena referencia e volta ao meu lado sem dizer uma única palavra, eu a observo, esta nitidamente cansada, seu odor é estranho, porque humanos tem que ser tão repulsivos...

— Você esta fedendo. - digo observando seu olhar e sorrio para ela.

Ela desvia o olhar dos súditos dançando e olha diretamente nos meus olhos, meu corpo contrai. Eu a detesto.

— Então ficarei mais perto de você para apreciar o odor - ela diz sorrindo e se aproxima mais na lateral do trono.

Isso não me deixa irritado. Ela é a única pessoa que pode desafiar minha autoridade, e ela sabe disso, o poder a consumiu e da pra ver que ela gosta disso.
Pego a mão dela e delicadamente a beijo, sem que ela perceba, retiro um dos anéis de sua mão, um pequeno anel prata com uma pedra azul no topo, ela não nota a falta.

— minha conselheira, diga me quais são as honras para aparecer esta noite. - Coloco o anel em meu dedo sem que ela perceba, gosto de sentir que tenho poder sobre ela sem que ela saiba, afinal, sei que ela se atrai por mim mesmo me odiando.

Ela me observa e afasta a mão.

—Precisamos conversar sobre aumentar o tempo de 1 ano e um dia do nosso acordo - diz séria. - podemos fazer outro acordo.

— Só se passaram dois meses e você já quer me controlar mais, nosso acordo continua sendo apenas isso, não posso confiar em novos acordos já que você me traiu no primeiro - digo secamente.

Eu já sabia o que fazer depois que o acordo acabasse, mas não diria a ela, afinal, qual seria a graça.

— Então concorde em nunca se casar. - Diz ela enquanto acompanha sua irmã dançar com os olhos.

Eu pisco. Agora entendo sua preocupação, ela não vai poder controlar minha esposa, seria o fim de Oak como rei.

— Isso é uma ordem? Pois saiba que não pode mandar em meu coração. - digo a observando, vejo como ela esta incomodada de estarmos em um lugar onde podem nos ver, ela precisa controlar o que vai falar para sua pequena mascara de mentiras nao cair.

— Nao, mas te fará rei por mais tempo. - Jude diz enquanto colocava a mão em sua faca escondida onde apenas ela acha que esta escondida... por isso que morrem tão cedo... humanos...

— Ser rei esta se mostrando algo não tão tedioso como imaginava, talvez eu queria continuar e destruir seu plano de colocar eu irmão em meu lugar, afinal todos me obedecem e posso beber do melhor vinho.

Ela sorri.

— Sua majestade, gostaria de lhe pedir uma reunião urgente me particular.
Ela sabe que nao posso recusar nenhuma reunião que ela solicitar, independente da situação, eu a irritei.

— Claro conselheira.

Acompanho ela a mais próxima sala vazia, ela fecha a porta enquanto me sento em um divan. Ela segue em minha direção coloca seu corpo na frente do meu em pé.

— Nao me faça te ordenar. - diz Jude olhando com uma expressão seria para mim.

Fazia muito tempo desde que ficamos juntos em um lugar sem ninguém, eu nao respondo e a observo, parece que ela entendeu o que estava pensando e deu um passo para traz.

— Porque se distanciou? Tem medo de nao aguentar seus instintos e me beijar novamente? Vai aproveitar da situação e dizer que estaria me torturando com isso enquanto se apaixona por mim?

— Apaixonar? Por você? - ela diz quase gritando. Eu a peguei.

Eu levanto e vou ate ela, me aproximo ate minha boca chegar em seus ouvidos, ela nao se mexe, escuto a respiração dela parar.

— Querida Jude, se quer casar comigo, é só pedir, nao precisa ficar tão irritada.

Ela gruni e me afasta com um braço e solto uma gargalhada.

— Creio que barganhar comigo por carícias nao ira mais ter o mesmo resultado que imaginava conselheira Jude.

Percebo como ela esta furiosa, como mudei o assunto e como isso a irrita, me divirto  observando seus olhos querendo me rasgar, e num instante o olhar some e ela muda de expressão, esta sorrindo me olhando maliciosamente. Eu a observo caminhar ate mim. Eu dou um passo para trás e sem perceber caio no divan, devo ter bebido de mais, como posso ter passado essa vergonha ridícula na frente dessa mísera mortal. Ela se inclina e coloca a mão na cabeceira do divan e deixa seu rosto centímetros do meu, ela me encara.

— Diga que sou horrorosa.

Entendo o que esta acontecendo, novamente cai nas armadilha de Jude Duarte, eu a odeio, odeio a habilidade dela de poder mentir, nao a suporto, a encaro de volta.

— Eu nao posso.

Ela se aproxima um pouco mais, nossos narizes quase se encostam.

— Diga que nao gosta de mim.

Ela esta me humilhando novamente, um ano e um dia serão mais difíceis do que pensei, ela quer me destruir.

— Eu nao posso. - respondo serrando os dente.
Ela se inclina e me beija.

Seus lábios são macios e quentes, eu a seguro pela cintura e a puxo para mais perto de mim. Devo ter perdido o juízo, ate quando vou poder culpar o vinho?
Meu corpo se arrepia ao toque dela em meu pescoço e ela percebe e para. Eu a odeio.
Ela se levanta, ajeita seu cabelo e me olha com seu ridículo olhar de vitória.

— Bom garoto, discutimos isso novamente outro dia, estou muito atarefada hoje, Barata irá te encontrar no final da noite, nao deixe ele esperando.

Ela sai pela porta como se nada tivesse acontecido.
Fico alguns segundos parado me odiando por toda aquela situação, sou o fantoche da verdadeira rainha, mas nao consigo distinguir se gosto disso ou nao.

O doce aroma do desprezo  - Jude & CardanStories to obsess over. Discover now