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Pra ser sincera, você me causou dor. Muita dor. Mas a culpa não foi sua. A culpa foi minha por ter projetado uma versão de você da qual não existe. A culpa foi minha por ter me tornado dependente de você.
Por longos meses você foi meu tudo. Por longos meses eu me sentia bem ao seu lado, me sentia segura, me sentia feliz. Mas ao mesmo tempo me sentia triste, insuficiente, dispensável. Como pode alguém conseguir se sentir tão viva mas tão morta ao mesmo tempo?
Nada mais importava ao seu lado. Meu foco era você. Era tudo sobre você. Somente você. Longe de você, nada mais fazia sentido, era tudo em preto e branco. Mas estar ao seu lado, por mais que eu me sentisse bem, no final eu era quem saía machucada.
Fui eu quem te consolou quando ninguém mais estava ao seu lado. Foi eu que parei tudo o que eu tinha para fazer, sai da minha casa e fui a pé até a sua só pra te dar um abraço porque você estava mal. Fui eu que te apoiei em tudo que você me falou. Fui eu que estava lá. Mas parece que você não estava por mim.
Eu sofri. Me machuquei. Me prendi a algo que nunca existiu. Mas agora parece que as feridas estão se cicatrizando. A ferida pode se curar, mas o ferido nunca mais será o mesmo. Talvez eu nunca mais serei a mesma.
Uma vez nós fizemos uma viajem juntas. Eu lembro de estar com muito medo de ficar 15 dias direto com você. Eu não sabia se conseguiria ver o seu sorriso direcionado pra mim todos os dias, os seus lindos olhos cor de mel que tanto falam por você. Eu tinha medo de acordar e ter você abraçada a mim. Não sei se suportaria o sentimento de ter você tão próxima, pois sei que por mais que eu ame muito... doia igualmente.
Mas quando nós voltamos dessa viajem, tudo parecia diferente. E foi aí que eu percebi: Finalmente... eu 'tava livre. Eu me sentia livre.
Sabe, esse sentimento foi tão libertador. Eu não sentia mais aquela necessidade de falar com você a todo momento. Eu não fiquei te colocando num 'pedestal' e deixando o meu próprio bem de lado.
Hoje em dia quando eu olho pra você, lá no fundo, talvez exista um medo de toda aquela confusão voltar de novo. Talvez eu tenha medo de ficar obcecada por você de novo. Talvez eu tenha medo de criar uma versão sua que não existe de novo. E tudo acontecer de novo...
- um coração dependente. . . . ps: eu ainda te amo, a diferença é que agora consigo viver sem você.
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