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Viver e Sobreviver. É bom... talvez eu esteja vivendo a segunda opção. Eu passei a vida inteira querendo ser uma garota comum, uma garota normal, mas meus... bom, meus pais são complicados. Meu pai passou a vida inteira na minha cola, mas não de uma forma legal — era muita cobrança — e minha mãe parecia me odiar. O que me fazia feliz eram meus irmãos e, com o passar do tempo, eles começaram a me privar dos meus irmãos. Só que meu irmão mais velho sempre entrava no quarto escondido e ficava comigo, era legal. E, pra minha felicidade ou não, crescemos e eles ficaram distantes. Todos eles eram tão... sem alma.

— Vai se atrasar de novo, Mavis! Tá olhando o quê? — minha colega de quarto é quem pergunta. — Quem é esse garoto maravilhoso? Na verdade, esse deus grego? — ela pergunta, e eu podia ver seus olhos começarem a brilhar.

— Ele é um jogador de basquete famoso... pelas garotas. — Digo, omitindo a verdade sobre o tal garoto.

— Ele é um gato. — Diz, e a porta se abre e se fecha rapidamente, causando um estrondo.

— Porraaa!! — Agora é a minha melhor amiga quem grita, me fazendo arregalar os olhos pelo susto.

— O que foi isso? — Pergunto, já sabendo a resposta, mas me surpreendo com o que ela diz:

— Ele vem pra Los Angeles e não vou poder ver ele! — Faço cara de dúvida, arqueando a sobrancelha, e a escuto respirar alto e revirar os olhos. Quando percebo, ela já estava vindo na minha direção.

Dou alguns passos para trás por causa da velocidade que ela vem na minha direção, e então ela para, dando voltas na sala e gritando igual uma maluca.

— Aquele jogador de basquete famoso que eu te falei! — Ela começa, e já fico atenta às suas próximas frases. — Ele está vindo para Los Angeles. — Ela finaliza, me fazendo arregalar os olhos.

Merda! Espero que ele finja que não me conhece... assim como ele fez a vida inteira.

10 anos atrás

— O que pensa que tá fazendo?! — Ele tinha ficado um grosso.

— Sai daqui, Mavis! Já falei que não te quero por perto. EU. TE. ODEIO! — E não só grosso. Arrogante também.

Não tô entendendo o motivo de ele estar me tratando mal. Ele sempre me tratou tão bem e agora tá me tratando igual um lixo, igual os pais me tratam.

Ele era o filho de ouro: jogador de basquete, com notas maravilhosas e bonito. E o outro? Bom... seguia mais ou menos o mesmo rumo. E eu? Meu Deus, eu era um grande fracasso — ou era o que eles gostavam de me fazer pensar. O Riven passava horas no meu quarto brincando comigo e agora ele nem fala comigo. E quando fala comigo, não é coisa boa. E o Rowan , bom, ele deixa estampado na cara que sente muita pena de mim. E o que antes brilhava nos meus olhos era amor pelo Riven... agora não passa de ódio.

PRESENTE

O ódio que eu sentia irradiar por todo o meu corpo quando a Llyna disse que o Riven tava vindo a Los Angeles não foi normal. E, naquele momento, eu só queria sumir.

Eu tava inquieta, andando de um lado para o outro no corredor, e quando resolvo andar, bato em algo. Era duro e forte, o que me fez cair no chão. Quando levanto a cabeça, percebo que não foi em algo... foi em alguém. Vou levantando a cabeça lentamente até encontrar aqueles pares de olhos azuis me encarando — e, como sempre, seu olhar sem expressão alguma.

Levanto rapidamente do chão e me surpreendo quando ele dá um sorriso pra mim. Ele não sorri pra mim há anos... por quê ele?

— Oi, irmã. — Diz, e arregalo os olhos e, ao mesmo tempo, fixo a boca em um "O".

Faço menção de sair sem dizer nada, mas sou puxada pelo braço e volto tropeçando para trás.

— Não fala mais com a família? — Diz, rindo, e acabo soltando uma risada sarcástica, revirando os olhos.

— Família? Eu não tenho família, lembra? — Digo, o fuzilando com os olhos. — E aproveita que eu te fiz lembrar disso, lembra também que você nunca me tratou como irmã e sempre como um ninguém. Aproveita e continua fazendo o que você sempre fez, idiota. — Digo, fazendo morrer meu sorriso e puxando meu braço do seu aperto.

Saio de lá, mas podia sentir meu corpo queimar. E era aquele idiota que deveria estar me fuzilando e desejando me matar de todas as formas possíveis e existentes. Porém, ele grita:

— Eu não vou te deixar em paz! — Eu não precisava olhar para trás pra saber que ele tava com aquele sorriso no canto do rosto.

O que diabos esse garoto quer? Passou a vida inteira me ignorando, me fazendo uma ninguém... e agora acha que pode entrar na minha vida assim? Mas não mesmo.

Sem AlmaStories to obsess over. Discover now